Entrevista a Silva Tiago: “(…) o nosso projeto tem como horizonte 2028”

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António Silva Tiago (imagem cedida pela CMM)

António Silva Tiago pretende candidatar-se à Câmara da Maia nas próximas eleições Autárquicas, no próximo ano. É uma das principais novidades saída desta entrevista de fundo concedida ao Primeira Mão. O autarca afirma diretamente que o seu projeto político “tem como horizonte 2028”, isto é, pretende fazer mais dois mandatos na Maia.

Silva Tiago assegura estar aliviado por o Supremo ter feito “Justiça” e quer focar todas as atenções no presente, inundado por questões da pandemia, e no futuro. A breve prazo, garante já ter a confirmação da vinda do Presidente Marcelo para a inauguração do novo “Jardins do Sobreiro”, embora não adiante a data exata.

A entrevista foi concedida esta semana ao Primeira Mão (à distância) e pode agora ler aqui na íntegra.

“sinto que tenho todas as condições para dar continuidade ao projeto político que tem posto sempre a Maia em primeiro”

Primeira Mão (PM): Primeiro que tudo, a decisão do STA é um peso que lhe sai de cima dos ombros, em termos político-profissionais, mas também em termos pessoais?

António Silva Tiago (AST): Foi feita Justiça. E sim, foram quase dois anos em que gastei alguma energia pessoal com esta situação, energia essa que podia ter sido canalizada para outros assuntos, no interesse da Maia e dos maiatos. Sei bem que o interesse dos autores deste processo era desgastar-me e tentar fazer com que as suas calúnias, aldrabices e invenções, se tornassem nos tribunais verdades credíveis. Mas, o Supremo Tribunal Administrativo fez Justiça e descobriu a careca ao JPP e ao seu parceiro de coligação, o PS, que nessa contenda se tem remetido a um ruidoso silêncio.

Um silêncio ruidoso e estranho, sobretudo de um partido democrático que não se devia deixar confundir com o JPP nem com toda a sorte de enjeitados, desqualificados e despeitados que se encontram nesse partido madeirense. Confesso que, porque estou de consciência tranquila, nunca perdi o discernimento nem a serenidade e nestes dois anos, nunca deixei de trabalhar de Sol-a-Sol para honrar o compromisso que assumi com os maiatos quando me confiaram os destinos da comunidade.

A minha resposta, que talvez essa gente não entenda, é o trabalho. E eu sei que a nossa laboriosa comunidade concelhia me entende muito bem, porque ocupa o seu tempo também a trabalhar (sorriso). Somos a Maia que somos porque somos pessoas de trabalho…

PM: Este ano que falta para concluir o mandato é um dos anos mais difíceis da sua carreira como político devido à pandemia. Concorda com as medidas anunciadas pelo Primeiro-Ministro e que afetam a Maia?

AST: Desde que a pandemia chegou a Portugal que a Câmara Municipal da Maia tem tido uma ação de grande proatividade, cuidando de tomar as medidas necessárias para proteger a saúde e a vida das pessoas, respeitando a sua dignidade humana e acautelando a sua segurança sanitário e bem-estar físico e mental.

Temos assumido um posicionamento institucional de franca e muito aberta cooperação com as autoridades regionais e locais de saúde, colocando ao seu dispor todos os meios e recursos humanos que podem facilitar a sua missão de saúde pública.

Quanto ao Governo e às medidas que têm vindo a ser tomadas nesta matéria, o meu entendimento é que se são medidas necessárias e até imprescindíveis para salvaguardar a saúde dos portugueses, como é óbvio, também são boas para os maiatos e terão sempre o nosso melhor acolhimento.

Somos um Município responsável que sabe a importância crítica que tem hoje a cooperação institucional numa luta que convoca todas as entidades e instituições públicas e privadas.

Entendo que com o nosso posicionamento de cooperação institucional e partilha colaborativa, colocando o supremo interesse da saúde pública e da vida humana em primeiro, estamos a dar um sinal aos cidadãos para nos seguirem e participar responsavelmente neste esforço coletivo da comunidade nacional.

imagem de arquivo (fonte: CMM)

PM: Já se sabe que teremos o Estado de Emergência, como líder do Município concorda com medidas restritivas mais apertadas, tendo em conta a situação de risco da Maia e a localização do concelho junto a outros municípios também muito afetados?

AST: Compreendo a declaração do estado de emergência, no sentido em que é um recurso constitucional que dá enquadramento legal para que o Governo tome medidas que não estejam feridas de ilegalidade e, portanto, não possam acarretar no futuro, graves consequências jurídicas com processos nos tribunais, exigindo indemnizações por prejuízos materiais ou outros.

Mas creio que sendo uma medida de exceção, tem depois de ser muito bem calibrada, para que não aconteça aquilo que o povo, muito sabiamente costuma dizer “o doente não morreu da doença, mas acabou por morrer da cura”.

Como sabemos há muitas empresas em dificuldades e outras já em falência, assim como há famílias em que o desemprego começa a surtir os seus efeitos sociais mais negativos, pelo que todos temos de ter consciência que não se pode paralisar a economia.

Creio que tem de haver bom senso e equilíbrio nas medidas, tendo consciência que é indispensável proteger a saúde, principalmente dos mais vulneráveis, mas a vida não pode parar, logo, todos temos de ser responsáveis e respeitar as regras determinadas pelas autoridades de saúde, mas não podemos parar e mandar toda a gente para casa, senão é o colapso total.

PM: Que medidas podemos contar na Maia em concreto, que dependam do município?

AST: A Câmara Municipal está já a tomar e a retomar algumas medidas muito concretas, por exemplo, reativou já o Centro de Rastreio móvel, que se designa vulgarmente COVIDRIVE, e está a preparar estruturas de retaguarda que permitam aliviar a pressão nos hospitais da região que nos servem.
Além de estar sempre na primeira linha no apoio aos profissionais de saúde e às IPSS’s, assim como às empresas e população em geral. Não deixaremos de tomar todas as medidas necessárias, sendo que muitas que já tomamos e retomamos são hoje do pleno conhecimento público.

PM: Falta um ano para o fim do seu 1º mandato. A decisão judicial que lhe permite concluir o mandato, vem dar-lhe mais tranquilidade para concluir determinados projetos a que se tinha proposto? Tais como?

AST: Sim isso é verdade. Embora nunca tenha parado um segundo, agora tenho menos esse problema e posso concentrar-me com todas as minhas forças, por exemplo, na conclusão da maior transformação urbanística alguma vez ocorrida no centro da cidade, em tão pouco tempo.

Refiro-me é claro, aos JARDINS DO SOBREIRO – em vez de Bairro do Sobreiro -, que estou certo, já pouco tem a ver com um empreendimento de habitação social, diria “clássico”, bem pelo contrário, aquela área residencial situada em pleno coração da cidade da Maia, em nada fica atrás de qualquer empreendimento privado.

imagem Tânia Ramos CMM

Intervimos de forma muito significativa, colocando caixilharias duplas, reforçando o isolamento térmico e acústico e melhorando a impermeabilização dos edifícios, obras que inequivocamente vão melhorar a qualidade de vida e bem-estar de quem lá mora. A par disso, abrimos o espaço à cidade, rasgando novas e mais amplas artérias e, não menos importante, aumentamos exponencialmente as áreas verdes e ajardinadas para pura fruição dos seus moradores.

Que eu conheça, em nenhum outro município de Portugal houve uma mudança tão estrutural e positiva como esta que acabou com o Bairro e deu origem aos JARDINS DO SOBREIRO. Na verdade, a alteração toponímica apenas acompanha a mudança evolutiva da paisagem urbana e da qualidade habitacional.

PM: As questões relativas à mobilidade e transportes no concelho sempre foram uma das suas preocupações. Está satisfeito com o que conseguiu concretizar até agora? O que destaca?

AST: Satisfeito sim, porque na verdade, temos vindo a trabalhar para incrementar na Maia uma autêntica política de mobilidade sustentável, privilegiando os modos suaves e os interfaces que beneficiam o uso regular dos transportes coletivos. Tenho plena consciência que a meta do balanço carbono zero que queremos atingir depende em larga medida da mobilidade e, sobretudo, do uso generalizado de transportes públicos, sendo que nesse particular, o Metro tem lugar de destaque.

É por isso que me tenho batido tenazmente na exigência de que o Estado honre os compromissos que assumiu com a Maia e as linhas que vão ligar o Hospital S. João ao centro da Cidade e depois até às imediações do Aeroporto Sá Carneiro avance, a par da linha que vai ligar a Estação dos Verdes ao Fórum Maia.

Tenho sido persistente nesta exigência, mas tenho de reconhecer que conto com a solidariedade dos meus colegas da Área Metropolitana do Porto e do Conselho de Administração da Metro do Porto que entendem bem que estas linhas de Metro têm mesmo que avançar na próxima fase de expansão da rede, numa lógica de global viabilidade económico-financeira e sustentabilidade ambiental e social.

imagem ASantos

PM: Na Educação e melhoria da qualidade de vida dos munícipes. O que considera que teve a sua marca neste mandato? Ainda poderá beneficiar mais a população maiata até ao final do mandato? Como?

AST: A Educação, como os maiatos bem sabem, é para mim um desígnio estratégico para o futuro de confiança que queremos para a Maia. E por isso, temos investido na rede escolar, promovendo significativas melhorias das condições dos edifícios e equipamentos escolares.
Recentemente temos vindo a colocar coberturas em alguns recreios, recintos desportivos e a substituir as coberturas por materiais que não colocam a em risco a saúde da população escolar.

A propósito de Saúde, lembro que as nossas crianças beneficiam de programas de prática regular de exercício físico e desporto, a que acrescem programas de saúde escolar que visam a prevenção e profilaxia de doenças do foro dentário, oftalmológico, nutricional e psicológico. A par disso, temos investido na capacitação das crianças e jovens que estão nos bancos das nossas escolas, dotando-os de competências cívicas e sociais, mas também de aptidões que lhes permitam criar e desfrutar da Beleza Estética, proporcionando-lhes iniciação à Música, às expressões artísticas e ao desenvolvimento de habilidades tecnológicas.

Mas sublinho com particular enfoque, o ensino da língua inglesa desde o 1º ano do 1º ciclo, porque na verdade é uma ferramenta de comunicação que vai ser muito importante no futuro das nossas crianças, quando na idade adulta tiverem que enfrentar um Mundo globalizado e sem fronteiras, em que o mercado de trabalho apresentará oportunidades locais, regionais e, estou certo, maioritariamente globais que podem estar a milhares de quilómetros daqui.

Ao nível da qualidade de vida, a nossa evolução do ponto de vista da eficiência ambiental tem sido assinalável e é internacionalmente reconhecida. E nesta matéria, a comunidade concelhia, sobretudo as famílias maiatas estão de parabéns pela sua enorme e incondicional adesão à separação multimaterial e à sua colaboração responsável e empenhada na recolha seletiva.

O impacto desta partilha colaborativa entre as famílias e o Município da Maia, através da empresa municipal Maiambiente é de facto muito encorajador. Creio que estes resultados de que falo, são também fruto das políticas de educação ambiental que vimos implementando desde longa data e que fizeram dos mais novos grandes defensores do ambiente, exercendo no seio das suas famílias uma mediação que teve uma influência muito positiva que nos dá agora estas alegrias de sermos um concelho de referência.

PM: O Presidente da República já aceitou o convite que lhe fez para inaugurar o Bairro do Sobreiro, uma das obras que tem decorrido durante todo o seu mandato, tendo começado já no anterior como vice-presidente?

AST: O Senhor Presidente aceitou o meu convite, mas foi para inaugurar “Os Jardins do Sobreiro” (sorriso). Como já lhe referi, esta é uma obra de que me orgulho muito, não só porque aquele espaço se abriu à cidade e tem hoje tanta qualidade urbana como outro qualquer, mas principalmente porque sinto que as pessoas reforçaram o seu sentimento de pertença e estão, agora, ainda mais orgulhosas do lugar e da cidade onde vivem.

Olhe!…(sorriso) Aqui há dias fui dar uma volta para ver o andamento das obras, exercício solitário que faço muitas vezes, e às páginas tantas fui abordado por uma senhora de idade que me veio agradecer emocionada dizendo-me: “… Ó Sr. Presidente, nem sabe o bem que estas obras me trouxeram. Agora já consigo dormir sossegada, já não ouço tudo, nem o barulho das motorizadas, nem dos camiões…”. Esse testemunho deixou-me a pensar que aquelas palavras acabavam de explicar para que serve a política. E na verdade, a política só serve se for para melhorar a qualidade e o bem-estar da vida das pessoas. É essa a nobreza da missão de um presidente de Câmara ou de qualquer autarca.

“É certo que o nosso projeto tem como horizonte 2028”

PM: A partir de agora, com o foco mais determinado no trabalho e nos horizontes do futuro, e tendo em conta que é líder de novo da comissão política da concelhia do PSD local, podemos assumir que considera dar continuidade ao projeto da coligação Maia em Primeiro por mais 4 anos?

AST: É um lugar comum dizer que o futuro a Deus pertence e essa realidade é indesmentível. Mas não vou fugir à sua pergunta e quero dizer-lhe que sinto que tenho todas as condições para dar continuidade ao projeto político que tem posto sempre a Maia em primeiro.

Tudo quanto nos propusemos realizar neste mandato, ou já concretizámos ou está em execução e será concluído nos próximos meses. É certo que o nosso projeto tem como horizonte 2028, com metas ambiciosas, mas perfeitamente exequíveis que uma vez alcançadas resultarão em condições de vida para os maiatos, pautadas por uma qualidade ainda melhor do que aquela que já têm no presente.

O desafio é termos um território desenvolvido e totalmente sustentável, beneficiarmos das vantagens das tecnologias digitais pondo-as ao serviço do nosso bem-estar, termos uma educação completamente diferenciadora e plenamente capacitante ao nível humano, social e profissional e, mais importante do que tudo, sermos uma comunidade a viver um futuro de confiança, onde todos contam e são importantes e todos são responsáveis por todos, com o Município a assumir em pleno a sua missão de regulação, mas muito mais do que isso, a assumir-se com total reconhecimento público como uma entidade facilitadora da iniciativa privada da comunidade, incrementando todo o seu potencial criativo e gerador de riqueza, de emprego e de desenvolvimento humano, social e económico.

É esse o ecossistema concelhio que queremos ter em 2028. Sou um maiato que gosta de servir a sua terra e a sua gente, que gosta de pensar, planear e fazer, mas fazer bem e para o futuro. Portanto, no que depender de mim, a Maia contará sempre com o meu trabalho, com a minha inteligência e com a minha incondicional dedicação, porque é assim que me sinto realizado e feliz.

PM: Disse na 6ª feira da semana passada que a oposição tentou ganhar na secretaria. Quer dizer que, com a decisão do STA, crê que a oposição vai acabar por ser aniquilada neste ano que resta para as eleições?

AST: Sabe, quem me conhece não tem dúvidas que a minha maneira de estar na vida não compactua com a “politiquice do reviralho” ou com formas menos nobres de ser e de estar. Não é da minha natureza utilizar uma linguagem agressiva, belicista ou menos própria. Sou cidadão, mas também sou o presidente da Câmara deste concelho e isso dá-me a responsabilidade de ter de pensar na forma como comunico com as pessoas, sobretudo com os mais jovens. Eles têm que ver na política e nos políticos pessoas responsáveis, educadas, sérias e honestas, que sejam dignas dos cargos e lugares que ocupam na sociedade.

Penso que isso é um dever de todos quantos estão na vida pública e na vida política. Apesar da maldade que me fizeram, tentando assassinar o meu caráter pessoal, com factos inventados, com calúnias e difamações e levando a política para os tribunais, na tentativa de contrariar os maiatos que nas eleições expressaram livremente a sua vontade, nunca tomarei a natureza mesquinha dos autores dessa infame forma de fazer política.

Tiveram a resposta que mereciam do Supremo Tribunal Administrativo que arrasou os seus argumentos falaciosos e anulou as decisões anteriores, indo ao fundo da questão, para afirmar com toda a clareza que não foi cometido nenhum ilícito, nenhuma irregularidade formal ou ilegalidade, pondo um ponto final definitivo dessa tentativa de judicialização da política que teimava em contrariar a legitimidade democrática atribuída pelo povo da Maia.

A resposta a essa pergunta será dada pelas pessoas honestas, sensatas e justas que sabem separar o trigo do joio.

Não tenho nenhuma dúvida que os maiatos não se deixam enganar facilmente por um qualquer partido barriga de aluguer, sediado na região autónoma da Madeira, que veio agregar toda a sorte de ressabiados, despeitados e desqualificados que procuram desesperadamente e a qualquer custo, tomar o poder através de golpes de estado e de secretaria.

Confesso que não darei nem mais um segundo de atenção a esse tipo de oposição. Vou, isso sim, continuar a canalizar todas as minhas energias, todo o meu ânimo e força de vontade de realizar os nossos sonhos, os sonhos e anseios da comunidade maiata. É isso que me entusiasma, motiva e alegra…