Entrevista: Deputada Márcia Passos (PSD)

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Deputada Márcia Passos
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Deputada Márcia Passos critica processo de vacinação cheio de “trapalhada”.

Márcia Passos, deputada da Maia na Assembleia da República, na bancada do PSD, pediu para não ser vacinada contra a Covid19. E tendo em conta que as aulas regressam na próxima semana, online, quisemos ouvir a deputada sobre estes temas: vacinação e atividade letiva.

Foi uma das deputadas que pediu para não ser vacinada?

Sim, sou uma das deputadas que pediu para não ser vacinada neste momento. Isto porque tenho critérios e prioridades diferentes das do Governo.
Percebo e aceito que determinadas figuras políticas sejam vacinadas de forma prioritária, como, por exemplo, o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, a Ministra da Saúde, entre outros. Mas, já não percebo e não aceito que todos os políticos sejam vacinados antes de tantas outras pessoas que deviam constar de grupos prioritários. Exemplo disso são, para mim, todos os profissionais de saúde e não só os profissionais de saúde do setor público. Vacinar apenas os profissionais do SNS não faz qualquer sentido e é altamente discriminatório.

Outro exemplo diz respeito aos Bombeiros, nomeadamente àqueles que diariamente transportam doentes Covid-19 e outros, tal como todos os funcionários que prestam apoio domiciliário e não só os que trabalham internamente nos Lares. Além disso, entendo que todas as pessoas com mais de 65 anos deviam ser vacinadas. E depois destes e de outros grupos prioritários, os demais portugueses, onde eu me incluo. Por isso, aguardarei pela minha vez.

Como avalia o processo de vacinação em curso no país já que está a haver muitos casos de pessoas a avançar alegadamente por compadrio ou “amiguismo” e demora no processo em relação à expectativa da população?

Ainda bem que lhe chama “processo” e que a sua pergunta não se refere àquilo que o Governo chama de plano de vacinação. É que este, na verdade, não existe. E como não existe um plano, devidamente organizado e pensado para a realidade do nosso país, o processo de vacinação está a correr muito mal. Vacinam-se pessoas que não deviam ser vacinadas nesta fase, sobram vacinas porque não se perguntou antes quantas eram necessárias para determinada entidade, outras sobram porque não se teve o cuidado de perceber, antes, se os que devem receber as vacinas estão infetados, realizando-se os testes nos minutos antes da intenção de ministrar a vacina.

Mas alguém compreende que tendo o processo de vacinação iniciado há dias, neste momento já exista tanta “trapalhada” neste processo? Neste momento já temos, pelo menos, 9 situações de vacinação não prioritária que o Ministério Público está a investigar. São casos na Segurança Social de Setúbal e no INEM de Lisboa e do Porto. São factos ocorridos em inúmeros concelhos e ainda ouvimos justificações como “eram sobras… por isso aproveitaram-se”. Mas que sobras? Estas entidades estão a brincar com a vida dos portugueses e isto está a acontecer por omissão do Governo, porque não foi capaz de delinear um plano de vacinação eficaz e não foi capaz de criar e de colocar em funcionamento uma equipa de monitorização desse plano. Não há outro responsável.

Acredita que o Ministério da Educação vai conseguir equidade para todos quando começarem as aulas online?

Jamais existirá equidade quando temos alunos que não têm equipamentos e não têm acesso à rede de internet para poder receber aulas online. Jamais existirá equidade quando continuamos a ter professores a quem não são adstritos os mesmos meios. Jamais existirá equidade quando temos alunos cujas famílias não podem sequer suportar os custos de internet nas suas residências.

É para estas pessoas e para estes alunos que o Governo tem de olhar e a quem deve apoiar. Esta é a sua função.
Além disso, não podemos esquecer um conjunto de alunos que continuam a ir à escola. São os alunos com necessidades especiais e são os alunos dos escalões sociais. Estes não ficam em casa e muitos destes, principalmente os alunos com necessidades especiais, são bem mais vulneráveis a esta pandemia do que os seus pares. Para estes, o Governo devia ter criado uma metodologia capaz de responder às suas especificidades e às particularidades das suas famílias, e não o fez.
Por isso, infelizmente, estamos muito longe de poder acreditar que vai existir equidade.

O PSD propôs alguma medida para esta área da educação? Qual?

Sim, propôs várias. O PSD tem alertado para todas as fragilidades evidentes do Ministério da Educação e tem apresentado inúmeras iniciativas, junto do Governo, marcando uma posição firme e responsável, como aliás, é seu timbre.

Posso citar muitos exemplos e começo logo pelo mais recente que é uma iniciativa da JSD, de 2 de fevereiro, na qual se pretende saber quais são, afinal, as regras para os exames nacionais de acesso ao ensino superior. O que a JSD diz é que é necessário antecipar a situação da realização de exames em tempo de pandemia e não esperar para ver se o vírus vai embora, porque sabemos que isso não acontecerá. E é preciso que o Governo defina regras claras e concretas e de forma antecipada sobre quantos e quais os exames que se irão realizar, em que moldes serão realizados, qual o seu peso aritmético para efeitos de cálculo de nota final. Os jovens fazem parte de uma geração altamente prejudicada com esta pandemia e por isso não poderemos deixar de exigir que os efeitos nefastos nas suas vidas sejam minorados, com medidas responsáveis.

Mas há mais exemplos. O PSD tem, desde abril de 2020 e dado o contexto pandémico, alertado para várias situações como o deficiente serviço de transporte escolar, as necessidades de inclusão no ensino à distância dos alunos com necessidades especiais e o necessário suporte a dar aos familiares, bem como a insuficiência de Assistentes Operacionais nos agrupamentos de escolas, a falta de Professores nas escolas, entre tantas outras.
O PSD continuará muito atento a estas realidades e a lutar para que a educação chegue a todos, pois todos têm direito ao seu acesso em condições de igualdade.

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