Executivo e oposição trocam acusações em Moreira da Maia

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Os elementos eleitos pelo Partido Socialista (PS) na Assembleia de Freguesia de Moreira da Maia manifestam “o mais vivo repúdio” pelo facto de o presidente da Junta de Freguesia, na última sessão da assembleia, no dia 30 de Abril, ter abandonado a sala sem responder às questões colocadas por eles. Albino Maia diz que “é mentira”. É certo que abandonou a sala mas porque a situação “ultrapassou o razoável”. “Estava a ser provocado indecentemente” pelos elementos do PS.
De acordo com um comunicado, assinado por Jorge Catarino, na referida sessão que tinha como principal ponto na agenda a análise e votação do relatório e contas de 2009, a bancada do PS no início dos trabalhos colocou algumas questões e interrogações “no sentido de perceber e compreender melhor o que foi executado e poder votar em consciência”. No entanto, “para espanto” do PS, o presidente da junta “pura e simplesmente” saiu da sala “negando-se a responder, num verdadeiro ataque de fúria”.

Por isso, manifestam o “mais vivo repúdio por esta atitude prepotente daquele que é suposto, pelo cargo que exerce, ser o exemplo da concertação do diálogo democrático de quem lidera”.
Acusam ainda Albino Maia de estar “claramente desabituado” ao exercício do pluralismo. E que em Moreira se vive “uma autêntica ditadura da maioria, sem respeito pelos adversários, que note-se foram também eleitos e estão nos órgãos autárquicos para defender os cidadãos de Moreira da Maia, na perspectiva do seu projecto político”.

Entre outras questões, os socialistas queriam saber em que situação se encontra o projecto da reconstrução de um lar de 3ªidade, na zona da feira de Pedras Rubras, “prometido há 8 anos”; em que situação se encontra a construção da casa da juventude, “ainda hoje em ruínas na Ponte da Pedra”; quando é que vai ser solucionado o “grave problema” de trânsito na zona de Mestre Clara e quando é que existirá uma solução saída de trânsito automóvel de Santo Lenho à Rua Cruz das Guardeiras.

Contactado por PRIMEIRA MÃO, o presidente da Junta de Freguesia de Moreira, Albino Maia, confirma que lhe foram colocadas uma série de questões, às quais estava preparado para responder. “Quando comecei a responder à primeira, o deputado do PS chamou-me mentiroso e começou-me a provocar e eu estava a falar correctamente com base num ofício que tinham mandado à Câmara Municipal e estava a ler. Portanto, ele começou-me a provocar e para que não se criasse alguma situação de instabilidade porque era essa a intenção deles, pura e simplesmente levantei-me”, conta o autarca.

Albino Maia acrescenta ainda que não se negou a responder às questões. Tanto mais que, no final da assembleia, prestou os esclarecimentos aos elementos do PS interessados. Abandonou a sala para “não descer ao nível das provocações que me estavam a fazer”.

Pluralismo

Quanto à acusação de não estar habituado ao “pluralismo”, o edil de Moreira garante: “Sou muito mais pluralista do que todos eles. Não aceito é lições de canalha”.
De acordo com Albino Maia, a situação repete-se desde a primeira reunião deste mandato. “Fazem provocações ao presidente da junta que é para ver se ele se irrita e passe a ser uma pessoa inconveniente e que seja mal vista pela população”. Mas sabe que a população “não está a dormir” e que o conhece.

O deputado do PS aproveita ainda para dizer que os socialistas compareceram à reunião “sob protesto”, porque a documentação não foi entregue atempadamente “como estipula a Lei em vigor”, No entanto, tendo em conta a importância da mesma e “por respeito aos Moreirenses” acabaram por participar.
Albino Maia garante que a documentação foi entregue a tempo. Faltou apenas a síntese da actividade do executivo que ficou esquecida no seu gabinete e assume o seu erro. “Pedi desculpa aos deputados no início da assembleia e eles aceitaram e permitiram que a reunião se fizesse”. “Pensei que eles tinham aceitado de boa fé mas parece que já vinham preparados para provocar distúrbios e tinham um protesto para apresentar”.

Jorge Catarino diz ainda que os eleitos pelo PS já apresentaram queixa do sucedido ao IGAL e à CCDRN, esperando que as instâncias superiores façam funcionar os órgãos eleitos na nossa Freguesia.
O PS denuncia ainda que Albino Maia não paga as quotas à ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) desde 2005, “impossibilitando o apoio jurídico a todos os deputados da Assembleia de Freguesia de Moreira da Maia”. “Terá sido esquecimento? Incúria?”, perguntam.

Albino Maia diz que é verdade que não tem as quotas em dia, mas também é também verdade que não é obrigado a fazer parte da ANAFRE. No entanto, conta que é uma situação que se prende com um diferendo entre as partes que estão a tentar resolver. Conta o autarca que a Junta de Freguesia de Moreira já precisou de apoio por parte da associação em, pelos menos, duas ocasiões, e não pôde contar com o apoio que precisava. Nesta fase, estão em negociação com a associação mas ainda não chegaram a acordo. No entanto, “a assembleia não tem nada a ver com isso”, avisa.

Isabel Fernandes Moreira

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