Gabinete do “arquiteto operário” torna-se Centro Documental para a área metropolitana

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O Centro de Documentação e Interpretação Ambiental João Álvaro Rocha foi apresentado pela viúva Conceição Melo e pelo Arquiteto José Carlos Portugal, após a inauguração da placa toponímica da Praça Arquiteto João Álvaro Rocha, junto à rotunda de Brandinhães.


A nova praça com o nome do Arquiteto João Álvaro Rocha

O descerramento da placa que dá nome à nova praça foi realizado pelo presidente da Câmara da Maia, António da Silva Tiago, ao final do dia 10 de janeiro.

Logo depois, elementos do executivo municipal e familiares e amigos do arquiteto, que deixou uma emblemática obra na Maia, dirigiram-se para o seu atelier, que foi cedido pela família de João Álvaro Rocha para se tornar o Centro Documental e de Interpretação Ambiental.

Arquiteto por “vocação”

Na sua intervenção o arquiteto José Carlos Portugal, colega e amigo de João Álvaro Rocha abordou alguns dos aspetos da postura do “arquiteto operário”, como era considerado por muito João Álvaro Rocha, prematuramente desaparecido em 2014.
Portugal referiu a “dedicação e sofrimento” a um “ofício simples” que constitui a arquitetura por parte de João Álvaro Rocha. E acima de tudo, o arquiteto, que foi responsável pelos projetos de três estações do Metro do Porto e por vários complexos de habitação social na área metropolitana, exercia o seu ofício como uma “vocação” e “compromisso”, sublinhou José Carlos Portugal.

O arquiteto afirmou ainda: “quando se falou em formar este Centro, o único contributo que dei foi o de apontar que a verdadeira utilidade de um sítio como este é manter-se com este ambiente de fábrica, onde se exercem ofícios. (…) A ideia que nos ocorre é que isto é um bom sítio para ser visitado, sobretudo pelas escolas, pelos miúdos, quanto mais novinhos melhor, para explicar que a arquitetura é uma atividade social muito importante, de elevada responsabilidade, tem consequências, mas é também um jogo, pois todos nós quando começamos a andar somos arquitetos dos nossos próprios sítios”.

O espaço e o espólio “da obra do João”, frisou Portugal, será de todo o interesse de universidades e futuros arquitetos, mas também será importante para mostrar “aos alunos mais jovens como a arquitetura não uma coisa que se descarrega da internet, mas algo que se resolve, como quem resolve um exercício e que se chega ao fim com um resultado feliz.”

Conceição Melo aponta tarefa “hercúlea” de organização do espólio

Conceição Melo afirmou que o processo de criação do Centro Documental está no início no que respeita à preparação do espólio para o apresentar ao público, até porque, sublinhou, “lidar com este espólio é uma tarefa hercúlea e que vai precisar de todos nós e de instituições, que sabemos que nos apoiam, e que também podem ser importantes na construção deste projeto, todos os amigos e colaboradores do João, todos os clientes e que vivem nos espaços que ele concebeu, pois tudo isso é muito importante para a consolidação deste projeto, que se quer que seja completamente aberto à comunidade”.

Assim, esta abertura do Centro é “simbólica”, porque há ainda uma série de trabalhos que é necessário fazer, referiu Conceição Melo, já que “em cada gaveta que se abre ficamos admirados com o que vamos vendo, há muitas coisas para tratar, muitas linhas de estudo e de organização que é preciso orientar. É um trabalho que está no princípio”.

Presidente da Câmara agradeceu “generosidade da família”

O presidente da Câmara, António Silva Tiago, apontou a “generosidade da família, em partilhar um riquíssimo espólio técnico e artístico de valor inestimável, ao qual acresce uma invulgar biblioteca temática com larguíssimas centenas de títulos, de autores portugueses e estrangeiros, que são referências incontornáveis do Mundo da Arquitetura, do Urbanismo e da Humanidade”.

Assim, a esta generosa vontade, junta-se “o interesse e o querer da Câmara Municipal da Maia de prestar justíssima homenagem à memória de um dos seus mais apreciados pensadores e fazedores da cidade, cujas marcas concretas perduram indeléveis nas obras que concebeu e viu realizadas em vários locais do nosso território concelhio.

Creio que a melhor forma de prestar tributo ao pensador e artista, que foi o Arquiteto João Álvaro Rocha, é abrir à cidade, aquela que foi a sua oficina das ideias, onde por certo ocorreram alguns dos seus mais inspirados rasgos de imaginação criativa”.

O anseio do autarca é que este Centro Documental se torne muito em breve “num lugar de passagem obrigatória no contexto do roteiro metropolitano da grande Escola de Arquitetura do Porto”.

Angélica Santos