Jaime Pinho em entrevista: fui alvo de ‘bullying’

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foto de arquivo PM
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O vereador Jaime Pinho já respondeu às perguntas do Maia Primeira Mão por escrito. Depois de um erro ao esquecer-se de desligar o microfone na sessão de comemoração online do 25 de abril e ter deixado alguns insultos a deputados, Jaime Pinho, que agora é vereador independente na Câmara por se ter desfiliado do JPP, afirma que foi alvo de “bullying”.

Quer o JPP, quer o PS, desvincularam-se dos insultos proferidos, tendo o PS pedido a demissão de Jaime Pinho. Este apenas renunciou à militância no JPP, mas pediu para permanecer como vereador independente na Câmara.

Depois dos primeiros momentos “muito difíceis” a nível “pessoal e familiar”, o vereador garante que já reuniu força para continuar a lutar pela Maia e contra a corrupção, dando a entender claramente que a sua carreira política não está acabada.

Para melhor compreendermos o teor dos esclarecimentos e o estado de espírito do vereador eleito pela coligação PS/JPP e agora independente, resolvemos publicar a entrevista na íntegra:

Confirma que solicitou na Câmara Municipal para permanecer como vereador independente?

Posso-lhe confirmar que vou permanecer como vereador, cumprindo o mandato para o qual fui eleito pelos eleitores da Maia, na qualidade de vereador independente. Em consciência e depois de muito refletir, entendo que é meu dever cumprir o mandato que me foi atribuído pelos meus conterrâneos.

Em resposta a uma pergunta nossa Élvio Sousa diz que “o mandato do vereador é indivisível e que as ações subsequentes derivam da consciência e da ética de cada qual”. Tendo em conta que várias forças políticas têm emitido comunicados em que pedem para retirar ilações do seu “ato” e “assumir responsabilidades políticas”, o que implicitamente é um pedido de demissão, considera que tem condições para continuar no cargo de vereador?

Faço minhas as palavras de Élvio Sousa, o mandato que me foi atribuído pelos eleitores da minha terra, da nossa Maia, é indivisível e, como tal, por muito que alguns políticos me procurem perseguir, silenciar e culpar de todos os males, estão perfeitamente equivocados. Em consciência afirmo que, involuntariamente, cometi um erro que só pode ser desculpável por aqueles que foram diretamente atingidos. Tenho a certeza de que tanto num caso como no outro, os meus colegas perceberam o meu erro involuntário e que as minhas desculpas serão aceites. Eticamente, sinto-me obrigado pelos eleitores a prosseguir o caminho da verdade denunciando aqueles que sob a capa do mandato que lhes foi atribuído continuam a usar os meios públicos que não lhes pertencem mas que são propriedade, isso sim, do Povo da Maia. Continuarei como vereador independente com ainda mais força e afinco e podem ter a certeza que não ficará nada por esclarecer e que me vou concentrar, ainda mais e com acrescido afinco, no combate à corrupção. 

Considera que o erro cometido de esquecer o microfone ligado e declarações terem saído da esfera íntima, mas que presumivelmente nunca teria feito em esfera pública, o deixam numa posição mais fragilizada no desempenho das suas funções no executivo?

Vou-lhe dizer que ao contrário do que alguns querem fazer crer, não me deixaram fragilizado, bem pelo contrário, vieram dar-me mais força. Vieram mostrar-me com quem verdadeiramente conto, quem são os verdadeiros amigos. Não era suposto o microfone estar ligado. Como não era suposto gravar som e disponibilizar imagens antes mesmo de começar a Assembleia Municipal mas hoje, mais a frio e após ver o bullying de que fui alvo e de quem o executou, percebo melhor que nada é por acaso. Obviamente, as primeiras horas, o dia seguinte, foram complicados. Bastante. Não em termos políticos mas, o mais importante, em termos pessoais, em termos familiares. Porém, as palavras de apoio e de incentivo de muitos maiatos vieram dar-me força e cumprir uma promessa que lhes fiz: nem que seja o meu último trabalho político, não ficará pedra sobre pedra. É por isso que hoje, perante tudo o que aconteceu, estou convicto de que me devo concentrar na missão de denunciar os meandros, as negociatas, em suma, os eventuais cofres da Maia…

Enviou um pedido de desculpa por escrito ao presidente da Mesa da AM que pediu para ser reencaminhado a todos os deputados por escrito também. Não autorizou a leitura desse e-mail na assembleia de 26 de abril ou foi opção do presidente da Mesa? A ideia que ficou foi que Jaime Pinho não autorizou a sua leitura. Se foi o caso, porquê? Não considera que todos os munícipes tinham direito a tomar conhecimento do conteúdo da mensagem, tal como também foram públicas as declarações da sessão do 25 de abril que causaram polémica?

Obviamente, conforme já referido ao Jornal de Notícias e que foi tornado público, fiz o que era a minha obrigação e pedi desculpa pessoalmente. Agora, ao contrário, ainda não vi os responsáveis pelo erro de som, pelo erro de estar público algo que não era suposto ser público, fazerem o mesmo. Não basta acusar os outros, é preciso ver se não existem telhados de vidro. Até porque, pedras, lata e, porventura, cofres não faltam na política maiata, vamos por tudo a descoberto.

Quase no final do mandato para o qual foi eleito pela coligação Um Novo Começo, que balanço faz dos contributos dados pela coligação na governação do município?

Neste momento e após a tomada de posição dos órgãos dirigentes da coligação Um Novo Começo entendo que não devo ser eu a fazer esse balanço.

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