João Magalhães Torres da JS diz que falta “visão política” para a Juventude

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João Magalhães Torres é presidente da Juventude Socialista (JS) da Maia desde novembro de 2013 e encontra-se já no seu segundo mandato sob o lema “Projetar a Maia”. Tem 26 anos e é natural de Macau. Em 1996 veio viver para Águas Santas, onde fez todo o seu percurso escolar. Atualmente, e depois de concluída a lcienciatura em Direito, é advogado estagiário.

Desde cedo se interessou pela arte de fazer política, seguindo desde cedo pela televisão a debates na Assembleia da República, “no tempo em que António Guterres era primeiro ministro. “Existirão certamente diversas razões para que isso acontecesse, mas o que verdadeiramente me seduzia era a arte de fazer política na sua mais pura concepção”, afirmou ao Primeira Mão.

Como tem gerido a ligação da JS aos jovens do concelho da Maia? Tem havido captação de novos militantes de forma significativa?

Para a JS da Maia a comunicação com os jovens é fundamental. As redes sociais são hoje uma ferramenta indispensável para a partir dela, conseguirmos chegar aos jovens do concelho.

Durante os últimos dois mandatos falamos com diversas associações e estabelecemos contacto com diferentes grupos de jovens, nomeadamente as associações de estudantes. Deve a escola ser o meio por excelência para serem capazes de congregarem esforços e unirem-se na defesa dos direitos dos estudantes.

Esse trabalho tem vindo a dar bons resultados com o reforço da nossa militância, sobretudo militância ativa. A JS Maia tem uma estrutura totalmente renovada e que já no próximo ano letivo estará em condições de criar o primeiro núcleo de estudantes socialistas numa escola do concelho. Temos vindo a trilhar o caminho da afirmação e da aproximação aos jovens maiatos.

É necessário que as juventudes partidárias promovam e estimulem os jovens para a importância de adquirirem consciência política e de participarem ativa e civicamente no meio que os rodeia.

Quais as prioridades que tem implementado na JS?

As nossas prioridades ao longo dos últimos 4 anos foram muitas, mas destacaria: a luta pelo bom funcionamento do Concelho Municipal da Juventude enquanto instrumento de incentivo à participação cívica dos jovens – este conselho esteve parado durante cerca de 2 anos e só depois da denúncia da JS, acabou por se reunir de novo.

Nesse momento tivemos oportunidade de apresentar várias propostas de forma a maior dinamizar deste órgão consultivo; a construção do Manifesto Autárquico “Políticas de Juventude”, que procura dar resposta a um conjunto de problemas e preocupações dos jovens do nosso concelho; a criação do fórum de discussão política e de construção da identidade intitulado de Fórum “Cal Brandão”; e a organização de diversas conferências onde tivemos a oportunidade de refletir sobre temas (muitos deles esquecidos outrora) relacionados com a cultura, o papel da mulher na sociedade, os movimentos estudantis, a lusofonia, a crise económica, a nova governação à esquerda protagonizada por António Costa, entre outros. São iniciativas das quais nos orgulhamos todos os dias.

A JS Maia fomenta a formação dos seus elementos divulgando, em simultâneo, o conhecimento do concelho na sua globalidade?

Tal como referi, quando me candidatei pela primeira vez à presidência da JS entendi que era necessário promovermos a partilha e a discussão interna dos mais variados temas da atualidade.

Assim surgiu o fórum Cal Brandão, que tem como objetivo primordial estimular a discussão, promover debates que desenvolvam o argumentário político e oferecer as ferramentas necessárias à construção da identidade ideológica de cada jovem militante socialista. Uma iniciativa onde todos têm direito à sua opinião, ao seu espaço político e em que “partilha” é a palavra de ordem.

Trata-se da ideia de construir projetos a partir de uma mesa de café, tal como a Europa foi construída, segundo George Steiner. Esta é a nossa maneira de estar na política.

A JS deu ou está a preparar contributos para o programa de candidatura de Francisco Vieira de Carvalho? Quais?

A JS está a colaborar na construção do Manifesto autárquico para a candidatura do Dr. Francisco Vieira de Carvalho apoiado pela coligação entre o PS e o JPP.

Devo dizer aliás, que esta candidatura tem demonstrado abertura total para ouvir as nossas propostas, não é apenas um convite revestido de cordialidade mas uma convicção e vontade do próprio candidato.

Estamos a finalizar as propostas políticas que traduzir-se-ão num manifesto autárquico para a juventude que integrará quatro grandes áreas: Cidadania e Poder Local; Identidade; Ambiente, Economia e Mobilidade; Direitos, Liberdades e Garantias.

A integração de mais jovens nas listas autárquicas é também um desígnio que assumimos perante a estrutura de campanha e que esperamos que venha materializar-se numa verdadeira renovação.

Em relação às propostas políticas destaco as 5 seguintes: criação do Orçamento participativo Jovem de forma a chamar os jovens a desenvolverem projetos para o concelho mobilizando-os para a participação cívica; criação de um Pólo cultural Jovem como espaço de criação e promoção de jovens talentos; o Cartão Jovem Municipal promovendo mecanismos de “cultura para todos”, com descontos em espetáculos, museus, livrarias, eventos desportivos, piscinas municipais etc.; criação de um manual de boas práticas para a contratação pública mais exigente e que aumente a transparência dos procedimentos; garantir o funcionamento regular e efetivo do Conselho Municipal da Juventude.

Considera a Maia um município favorável à dinâmica para a Juventude, quer em termos culturais, quer em termos de incentivo empresarial?

No concelho da Maia vivem-se, há mais de uma década, períodos de estagnação resultantes da falta de criatividade do executivo municipal para afirmar uma agenda de competitividade, no contexto da área metropolitana do Porto.

A Maia necessita de uma mudança de políticas, apta a trazer novos rumos e novas ideias, recentrando o debate na valorização das pessoas e do nosso território que são os maiores ativos de que dispomos.

É o momento certo para a Maia virar a página, pois esta Câmara liderada por Bragança Fernandes continua a olhar para a juventude como há 15 anos atrás. Associar a juventude essencialmente ao desporto e à cultura manifesta falta de visão política. As políticas de juventude estendem-se a outras áreas como educação, emprego, mobilidade, ambiente, turismo. Assim, deve ser traçado um plano municipal da juventude de curto, médio e longo prazo de forma a ir ao encontro dos verdadeiros problemas e anseios dos jovens maiatos. Deve ser percebida a importância da juventude na dinamização de um município, na inovação e criatividade, no rejuvenescimento do concelho, no modernismo e no progresso.

O Pelouro da Juventude não soube reinventar-se. Temos um portal da juventude desatualizado, arcaico e que não acompanha a sociedade do séc. XXI.

Mas há outro tema que entendo ser da maior importância e que nos obriga a refletir: a transparência. Segundo o índice de transparência municipal, a Maia está em 93º do ranking nacional. São dados preocupantes que desmontam o argumento do PSD/CDS da Maia, de um concelho à frente do seu tempo.

É importante desburocratizar os procedimentos dos serviços prestados pela Câmara Municipal e disponibilizar o máximo informação à população tais como, decisões tomadas em reuniões de executivo e respetivas atas, mapas de execução orçamental atualizados, publicação dos bens e serviços adquiridos sem concurso e publicação do nº e volume de contratos adjudicados por cada fornecedor, etc.

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