Maia trabalha para atingir balanço zero nas emissões de CO2

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Combina e move-te! A Europa celebra o seu maior evento relacionado com os transportes urbanos sustentáveis todos os anos, de 16 a 22 de setembro. Focando-se essencialmente no tema «Combina e Move-te», a edição deste ano pretende promover soluções de intermodalidade, realçando os benefícios da utilização combinada, sobretudo dos modos suaves e do transporte público coletivo.

A Maia associou-se a esta iniciativa promovendo, durante toda esta semana, atividades diversas de sensibilização para padrões de mobilidade mais sustentáveis, culminado no dia 21 e 22, respetivamente, com a iniciativa “Bike to work” e ações do Dia Europeu Sem Carros (mais pormenores e programa aqui).

Maia trabalha para atingir balanço zero nas emissões de CO2

O Primeira Mão ouviu o presidente da Câmara da Maia sobre a Semana Europeia da Mobilidade e os objetivos que o concelho se propõe atingir, no âmbito da sustentabilidade ambiental, promovendo o empenho de toda a população nesta missão.

Qual a importância do município aderir à Semana da Mobilidade?

António Silva Tiago: Na verdade, esta semana que em toda a Europa é dedicada à sensibilização e reflexão pública sobre o problema da mobilidade, principalmente nos meios urbanos, reveste-se de uma enorme importância. Como sabemos, a mobilidade, sobretudo a que implica a utilização de motores movidos a combustíveis fósseis, é uma das principais causas da poluição nas cidades e metrópoles em todo o Mundo.

É claro que a indústria e outros setores da economia têm uma responsabilidade acrescida nessa matéria, mas aí, a mudança de paradigma energético está sobretudo nas mãos dos governos e dos gestores das empresas. Já no que alude à mobilidade urbana, há uma maior capacidade de operar a mudança por parte das pessoas. Está nas mãos de todos nós, enquanto cidadãos aderir a essa mudança e escolher uma mobilidade de modos mais suaves e ambientalmente mais responsável e sustentável.

Na Maia há já vários anos que aderimos a esta iniciativa europeia que culminará com o dia europeu sem carros, que acontece a 22 de setembro. Um dia em que o trânsito de veículos motorizados estará condicionado numa área considerável da cidade. É uma situação que gera alguns constrangimentos, mas que, por ser ao sábado e por ter os nobres objetivos de sensibilização e alerta, estou em crer que as pessoas não só terão a melhor compreensão face aos naturais constrangimentos do trânsito, como se irão interessar pelas várias iniciativas e atividades de sensibilização que programamos para as famílias e muito em especial para aqueles que são os nossos grandes influenciadores, as crianças e os jovens.

Sublinho aqui que ainda recentemente um painel de cientistas alertou para o terrível facto de que se a Humanidade não tiver juízo e não mudar de vida, o nosso Planeta entra em 2035 no ponto de não retorno. A sustentabilidade integral, como aqui na Maia toda a comunidade deseja abraçar, já não é uma opção, mas sim um caminho único e sem mais escolhas.

Importância da sensibilização da população para atuais e futuras intervenções no espaço público implementando modos suaves e cicláveis?

AST: Eu diria que a sensibilização das pessoas para os modos suaves de mobilidade, pedonais, cicláveis e combinados, é hoje necessária sobretudo para que possamos a pouco-e-pouco ir criando hábitos mais sustentáveis e quando isso já não for apenas uma escolha de cada pessoa, a própria adaptação à mudança será certamente também ela mais suave.

A Humanidade não pode continuar a esgotar recursos e a poluir desalmadamente como se não houvesse amanhã. Todos temos de tomar consciência desta realidade e está nas mãos de cada um de nós, mas também de cada comunidade local e de cada país fazer agora tudo o que tem de ser feito. Nós, na Maia, já estamos a trabalhar nesses grandes objetivos estratégicos da sustentabilidade integral para que tenhamos um futuro de confiança.

Iniciativa Bike to work – a ideia já tem vindo a ser veiculada nos últimos dois anos, há adeptos da medida em termos de funcionários da Câmara e de empresas privadas?

AST: Sim, sem dúvida. Temos no Executivo Municipal vereadores que se deslocam para o trabalho a pé ou de bicicleta, assim como há alguns funcionários que também o fazem. Nas empresas isso também é uma realidade, mas estou convencido que assim que algumas pistas cicláveis estiverem prontas o fluxo “Bike to Work” vai ser incrementado.

No concelho qual o ponto de situação de vias pedonais e cicláveis?

AST: Os projetos que estão em execução decorrem no terreno a bom ritmo. Penso que iremos concluir o alargamento do eco-caminho que vai das imediações da Quinta dos Cónegos até próximo da A42 dentro dos prazos previstos e proporcionar à comunidade a fruição desse importantíssimo equipamento público. Registo com particular satisfação que a extensão que hoje lá existe tem um elevado nível de fruição. É extremamente animador, ver com os meus próprios olhos, quando vou fazer passeios a pé com a minha mulher depois do jantar, encontrar ainda tantas pessoas a caminhar ou a correr, tirando partido daquele equipamento que lhes garante bons ritmos de marcha e segurança.

A comunidade aderiu em força e com entusiasmo ao conceito, o que revela bem o quanto os maiatos apreciam caminhar ou correr ao ar livre. A boa notícia é que iremos acrescentar ao atual percurso mais 1500 metros, desde as Vias Paralelas até à Estação de Metro de Mandim. Será um acréscimo de mais 1,5km, no espaço canal da antiga linha de caminho de ferro Porto/Guimarães, prolongando o percurso pedonal e ciclável já existente com uma extensão de mais 1,8km, perfazendo 3,3 Km de extensão total que o ecocaminho terá ainda antes do final de 2018, para oferecer à comunidade.

Pretendemos com esta ação promover uma mobilidade urbana ambiental e energeticamente mais sustentável, num quadro mais amplo de descarbonização das atividades sociais e económicas e de reforço do espaço urbano, enquanto espaço privilegiado de integração e promoção da coesão social. Estou convicto que esta obra, vai também incentivar o uso dos transportes públicos, melhorando as condições de intermodalidade entre o transporte coletivo urbano e os modos, pedonal e ciclável, contribuindo para eliminar pontos de conflito na interligação destes modos suaves com a circulação viária.

E qual será a próxima etapa?

AST: A próxima etapa, já em estudo para elaboração do projeto, será a continuação desse percurso, para o estender até ao ISMAI, na esteira do canal do Metro, num trilho paralelo e devidamente segregado para garantir a segurança de todos os utilizadores. Acalento a esperança de poder anunciar à comunidade concelhia esse projeto tão cedo quanto possível.

Para já, o que posso afirmar, é que temos a anuência da Metro do Porto, que tem tido nesta matéria uma postura institucional muito cooperante.

Quando pensa ser possível que a Maia seja um território de balanço carbono zero?

AST: O ideal era que isso se concretizasse até 2020, mas como não nos ajuda nada sermos irrealistas, o melhor é pôr os pés bem assentes na terra e caminhar dando passos firmes e seguros.

Em primeiro é preciso sensibilizar os cidadãos e educar as crianças, conquistando-as para novos modos de vida mais sustentáveis e acompanhar esse plano com medidas concretas que lhes ofereçam possibilidades de viver de uma forma ambientalmente mais responsável e sustentável.

Assim, de uma forma muito realista, digo-lhe que o meu desejo é que até 2025, a Maia consiga o desiderato de ter no seu território um balanço em que o saldo de carbono seja zero.

Mas convém que todos tenhamos plena consciência de que alcançar esse objetivo não é missão exclusiva do Estado, das autarquias, das empresas ou instituições, porque não verdade esse é um desígnio, tem de ser um desígnio de todas as pessoas e de todas as comunidades, só desse modo será possível. E eu creio que a Maia vai conseguir esse grande objetivo uma década antes de 2035, quer dizer, bem antes do ponto de não retorno.

É animado pela força da coragem e do empenho das maiatas e dos maiatos nessa missão que todos os dias trabalho entusiasticamente com os meus colegas vereadores e com a comunidade de trabalho do município, mas também com os presidentes e executivos das nossas juntas de Freguesia, mantendo todos juntos o foco na sustentabilidade integral.

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