Mercado do Castelo de todas as cores

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Ponto de encontro para compras, mas sobretudo para acções de campanha. Assim foi o Mercado do Castelo, hoje de manhã. Houve mesmo quem desabafasse que “é demais”. Hoje a feira não se faz com outra coisa. Só política!”.

Em dia feriado e que ameaçava ser chuvoso, não houve candidatura às eleições autárquicas de domingo que por lá não passasse. Candidatos à Câmara Municipal da Maia, à assembleia municipal e às assembleias de freguesia distribuíram brindes, folhetos, beijos e cumprimentos. Uns mais discretos, outros com as cores políticas bem visíveis no vestuário e nas bandeiras que envergavam.

“Sorria, que está na Maia” foi uma das frases ouvidas desde uma das bancas do Mercado do Castelo, quando por lá passavam os primeiros visitantes. Foi a comitiva da candidatura do PSD “Pela Maia, Por Si”, incluindo os candidatos à câmara, assembleia e assembleias de freguesia da Vila do Castelo. E porque o candidato à câmara é o actual presidente, um dos vendedores da zona dos talhos aproveitou par denunciar o “grave problema com a luz eléctrica”, que se arrasta há cerca de cinco semanas. Ao “não sei de quem é a incompetência”, afirmação do vendedor, Bragança Fernandes respondeu de imediato “é da EDP”. Já no final da visita, esclareceu tratar-se de um problema de potência, já tendo notificado a empresa.

Num espaço onde também havia flores à venda, ofereceram-se, de seguida, rosas… de papel. Era o que levava a candidata do PS a Santa Maria de Avioso, Isabel Quelhas, a acompanhar a visita dos candidatos socialistas à câmara e assembleia municipal. Mário Gouveia e Luís Rothes, respectivamente, também distribuíram brindes – incluindo pequenas caixas para guardar medicamentos – e cumprimentos, mesmo não fazendo compras no Mercado do Castelo. Aliás, “não vamos comprar peixe, mas vamos dar uma canetinha” foi uma das afirmações do cabeça-de-lista à Câmara da Maia. Não uma caneta qualquer, mas “uma caneta para votar no PS no dia 11”, sublinhou Mário Gouveia.

Num outro corredor, cruzavam-se as candidaturas da CDU e dos CDS-PP. E apesar de se levantarem as vozes dos populares, a comitiva encabeçada por António Neto não se deixou intimidar e prosseguiu com os contactos, apresentando-se como o candidato da CDU à Câmara da Maia. Preocupado com o actual estado da economia, perguntou a uma das vendedores “como vai o negócio?” e, sem surpresa, ouvir a resposta “vai mal”. Daí concluir que “é preciso animar esta espaço”. Ao mesmo tempo, ouvia alertas para a falta de condições das casas-de-banho do mercado. Aos que afirmavam já ter lido o programa da CDU, António Neto reiterava que é para cumprir, prometendo apenas “trabalho de dedicação os maiatos”. Desde logo, e a ser eleito vereador, com a criação de um gabinete onde receber os maiatos uma vez por semana.

Depois de uma breve pausa para voltar a juntar os elementos, incluindo os candidatos à assembleia municipal e assembleias de freguesia, foi a vez do CDS-PP estabelecer novos contactos. E também com canetas para oferecer, mas especiais, porque estão “ensinadas para votar no CDS”, dizia o candidato à câmara, apelando a quem cumprimentava para que “vote bem” no domingo. “Tal como aconteceu nas legislativas”, recordou Álvaro Braga Júnior.

Sem apelos directos ao voto foi a opção da candidatura do Bloco de Esquerda. Aliás, a mais discreta nesta passagem pelo Mercado do Castelo, com apenas uma bandeira, reconhecendo também o cabeça-de-lista à Câmara da Maia que andavam por ali mais partidos do que compradores. Enquanto uns perguntavam a Silvestre Pereira “qual é esse que já nem sei”, na hora de receber os desdobráveis, havia quem pedisse os documentos que estavam a distribuir “para ser esclarecido”. Concluiu Silvestre Pereira que “o Bloco de Esquerda é muito bem recebido e aceite como alternativa e como força política necessária para o poder autárquico”.

Marta Costa