Novo edifício da Junta de Gueifães orçado em um milhão de euros.

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É um dos sonhos que Alberto Monteiro ainda não conseguiu concretizar neste mandato. Há 20 anos a liderar a Junta de Freguesia de Gueifães, fala do passado, presente e do futuro, que passa por uma última recandidatura às eleições autárquicas.

PRIMEIRA MÃO – Está quase a finalizar o seu quinto mandato como presidente da Junta de Freguesia de Gueifães. Que balanço é que faz?

ALBERTO MONTEIRO – Faço um balanço positivo, porque penso que nestes últimos quatro anos conseguimos pôr em marcha os projectos que tínhamos para a freguesia de Gueifães, os mais importantes. E creio que vamos conseguir concluir alguns deles até ao final deste mandato. Penso que foi bastante positivo para nós.

Um dos grandes projectos que conseguiu ajudar a concluir neste mandato foi a Unidade de Saúde Familiar do Lidador?

Era realmente um dos nossos grandes objectivos. Depois de muito trabalho, de muita luta, conseguimos. Temos hoje condições muito boas na prestação dos cuidados de saúde.

As antigas instalações não tinham sequer capacidade para ter lá os médicos, eram instalações muito antigas, muito velhas. Os técnicos, os médicos, os enfermeiros que estiveram lá, fizeram um trabalho notável, porque naquele espaço muito curto, conseguiram dar bons cuidados de saúde às populações, não tanto como eles desejariam, como é óbvio. É também uma vitória deles, esta unidade de saúde.

“Na escola Príncipe da Beira as obras começaram esta semana. Durante estes anos tivemos várias negociações com a Câmara Municipal da Maia fazendo ver que é necessário ser recuperado aquele espaço, que diz muito à história da freguesia. Temos esperança que em meados de Outubro esteja concluído. O que está previsto é que seja um espaço multiusos, que dê para fazer exposições, colóquios, que sirva as populações. Como sabe, o único espaço que nós temos, neste momento, é a cripta da igreja. A junta precisa de um espaço próprio, para que as pessoas possam expor os seus trabalhos, realizar as suas convenções e uma série de actos culturais”

Outro dos objectivos deste mandato era o alargamento do cemitério. Como é que está este processo?

A segunda fase já está concluída. Neste momento, estamos já a preparar o concurso público para fazer a fase final. Estamos a desenvolver todos os esforços, junto da câmara, para que seja possível lançar ainda este ano uma nova fase e tentar concluir até ao final do ano. Vai ser uma tarefa complicada, mas pensamos que com um bocado de boa vontade da junta, da câmara e da parte do empreiteiro, será possível fazer esta fase.

A escola Príncipe da Beira é um dos edifícios mais emblemáticos da freguesia. A recuperação deste edifício esteve parada durante alguns anos. Em que ponto é que se encontram estas obras?

As obras começaram esta semana. Durante estes anos tivemos várias negociações com a Câmara Municipal da Maia fazendo ver que é necessário ser recuperado aquele espaço, que diz muito à história da freguesia. Temos esperança que em meados de Outubro esteja concluído. O que está previsto é que seja um espaço multiusos, que dê para fazer exposições, colóquios, que sirva as populações. Como sabe, o único espaço que nós temos, neste momento, é a cripta da igreja. A junta precisa de um espaço próprio, para que as pessoas possam expor os seus trabalhos, realizar as suas convenções e uma série de actos culturais. Dar dignidade àquele edifício é, realmente, o que pretendemos. Queremos também trazer para a freguesia alguns dos eventos que neste momento se fazem no Fórum da Maia, por exemplo, porque a freguesia de Gueifães também faz parte da cidade da Maia.

Ainda está por realizar um dos seus grandes sonhos, que é a construção do novo edifício-sede da junta de freguesia?

É um dos grandes sonhos que eu e o meu executivo tem. Neste momento, temos o projecto pronto, esperamos vir a lançar a primeira pedra ainda este ano, e fazer o concurso público para a sua construção. Sabemos das dificuldades que vão surgindo, porque estão envolvidas verbas bastante significativas, mas estamos a fazer tudo o que é possível para que a freguesia seja dotada de uma junta com dignidade, e ter também outras condições para que mais serviços de apoio à população possam ser prestados. O grande objectivo que nós temos, é prestar serviços que todas as camadas sociais da população precisam.

Onde é que vai ser construído o edifício?

Vai ficar na Rua Aristides Sousa Mendes, ao lado do edifício da unidade de saúde. Vai comportar dois pisos. Para o piso do rés-do-chão está prevista a área de atendimento público, a secretaria, os gabinetes de acção social, psicologia e área jurídica. No piso de cima ficarão os gabinetes do executivo, a sala de reuniões para 35 pessoas. Irá ser também construído um auditório com cerca de 300 lugares sentados e terá algumas salas com outras valências para servir a população naquilo que for necessário.

Qual é o orçamento previsto?

Nós temos de ter consciência de que nem sempre, quando se gastam milhões se fazem as coisas correctas. Nós, ao longo destes anos, tivemos sempre o cuidado de fazer projectos que sirvam a população, que as pessoas entrem e se sintam à vontade. E que não sejam pesados em termos de orçamento. Esta obra está orçada em cerca de um milhão de euros. Penso que, dada a sua envergadura, não é uma obra muito cara. Queremos uma construção bastante simples, mas que seja eficiente, prática.

Actualmente, os serviços da junta estão num edifício que, penso eu, já deve ser demasiado exíguo para uma freguesia que tem crescido muito nos últimos anos?

Sim, é bastante exíguo. Nós fizemos alguns melhoramentos neste mandato, nomeadamente na área de atendimento público. Era também uma grande necessidade, porque não tinha grandes condições, mesmo para o pessoal administrativo da junta. Temos o gabinete jurídico, o gabinete de psicologia, e o serviço de acção social que funciona no gabinete do presidente. Quer dizer que o presidente não pode estar lá nessas alturas. Quer com a escola Príncipe da Beira quer com a nova sede da junta, pretendemos tornar mais agradável os espaços disponíveis ao público. A nossa missão é preparar a freguesia para os anos que vem, e dar melhores condições àqueles que vão substituir-nos.

“Eu confio nos gueifanenses”

Olhando para há 19 anos atrás, quando entrou pela primeira vez para a junta de freguesia, nota grandes mudanças?

Houve uma grande evolução. Eu penso que o grande motivo do desenvolvimento da freguesia de Gueifães foi, sem dúvida, a instalação das cooperativas. A Coopermaia e a Nortecoope vieram impulsionar a construção a preços acessíveis aos jovens casais, às pessoas que querem estar perto do Porto. É uma freguesia muito sossegada, onde não se vêm grandes torres. Está muito bem conseguida, e talvez isso constitua um factor de atracção. Ainda há dias falei com uma pessoa que esteve muitos anos no estrangeiro, e disse que já não conhecia Gueifães. É fruto do trabalho de todos aqueles que passaram pela junta. Todos eles, independentemente das cores partidárias, tentaram fazer o melhor pela freguesia.

Sente-se orgulhoso de ter contribuído para esse desenvolvimento?

Sinto, porque não sendo natural de Gueifães, sinto que dei um impulso a este desenvolvimento. Tenho contribuído com o que posso e sei.

Quais são, nesta altura, as principais necessidades da população?

Ainda que nos custe muito, há alguns focos de pobreza em Gueifães que nós tentamos colmatar com o nosso gabinete de atendimento da Rede Social. Temos tido também uma boa parceria com Conferência de S. Vicente de Paulo. Há muitas carências, e daí que os passos do próximo executivo passam por preparar uma boa articulação com as instituições de solidariedade da freguesia e com o gabinete de acção social, e criar uma ajuda mais permanente a essas pessoas carenciadas. Porque às vezes não é só a questão da alimentação. Há também outros factores, como higiene pessoal, carências na assistência médica, medicamentos.

A outra necessidade, ainda é a habitação social. Ainda há pessoas que não têm possibilidades de comprar casa. O PER de Gueifães ainda não está concluído, estamos a tentar resolver isso com a câmara, apesar das dificuldades que existem. Estamos neste momento com uma carência de 60 habitações, o previsto para este PER. Temos, dentro do possível, através do nosso gabinete, ajudado as pessoas que nos têm procurado.

E temos uma série de profissionais a trabalhar em outras áreas sociais, como a violência doméstica e a toxicodependência.

Já falou um pouco do que será feito no próximo mandato. Mais uma vez, vai candidatar-se à Junta de Freguesia de Gueifães, pelo PS.

Já anunciei publicamente a minha decisão de voltar a concorrer, simplesmente para acabar aquilo que falta e que prometi aos gueifanenses. Se neste mandato tivesse cumprido com tudo aquilo que prometi, ficava por aqui. Penso que não cumpri ainda tudo e, portanto, irei fazer o último mandato, se merecer a confiança dos gueifanenses.

Pretende renovar a equipa que o irá acompanhar, caso seja eleito?

Algumas pessoas estão comigo desde o primeiro dia. São pessoas fundamentais, mas não quer dizer que se possa mudar um ou outro. Aquilo que eu peço é que as pessoas que me vão acompanhar tenham disponibilidade total para trabalhar nos próximos quatro anos. O próximo mandato vai ser muito difícil. Tirando as obras que estão quase concluídas, uma das grandes lutas que temos de travar no próximo mandato é a questão dos arruamentos, dos espaços verdes e o apoio social aos mais desfavorecidos. Serão as três grandes prioridades do próximo mandato, e por isso, temos de ter todas as pessoas disponíveis para trabalhar em todos os projectos. De entre todos os militantes do PS de Gueifães, vou ver quem tem disponibilidade para estar comigo nestes quatro anos.

Isto se merecer a confiança dos Gueifães.

Em princípio, terá uma forte concorrência por parte do PSD, uma vez que o líder da concelhia, Bragança Fernandes, disse já que a principal prioridade será ganhar as juntas de freguesia socialistas. Está preparado?

Nós, que estamos há 20 anos na junta, temos de ter maturidade suficiente para saber que as eleições ganham-se nas urnas. Não há vencedores antecipados, mas estamos conscientes de que quando os partidos concorrem é para ganhar. Agora, aquilo que nós vamos fazer é seguir as linhas de orientação que temos tido ao longo dos últimos anos. Não vamos mudar a nossa maneira de trabalhar. Vamos continuar a trabalhar para o bem de Gueifães e para todos os gueifanenses. Seremos julgados por este trabalho no dia das eleições. Eu confio nos gueifanenses. E portanto, estou optimista. Não digo que vou ganhar as eleições, mas sei que tenho possibilidades de ganhar. Dei 20 anos do meu trabalho e acho que estou em condições de dar mais quatro, se os gueifanenses assim o entenderem. Penso que, sem dúvida alguma, vão confiar mais uma vez no nosso trabalho.

Fernanda Alves