Novo executivo aposta na “valorização social”

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Escrever ao Governo a lamentar a colocação dos pórticos nas auto-estradas foi a medida destacada pelo presidente da Câmara Municipal da Maia como sendo o primeiro acto político do mandato que agora começou. Porque “eu não quero portagens no meu concelho”, reiterou Bragança Fernandes no final da cerimónia de tomada de posse, que no sábado decorreu no Grande Auditório do Fórum da Maia. O autarca maiato vai solicitar uma reunião com a tutela, para dar conta do descontentamento face à colocação dos referidos pórticos, sem que a câmara tenha sido ouvida no processo, e que considera “inestéticos”.

Esta é uma das preocupações de Bragança Fernandes, mas não a única. No primeiro discurso pós-tomada de posse, o autarca elencou as prioridades para este mandato. Passam pela áreas da educação, acção social e apoio ao tecido empresarial. Sempre tendo por base os princípios do rigor, seriedade e transparência.

Apesar das três áreas definidas como prioritárias, a aposta na “valorização social” e na “antecipação aos desafios futuros que nos colocam” não deixará de passar pelos restantes domínios de intervenção do município, assegurou Bragança Fernandes. Por exemplo, através da criação de “um grande parque verde no coração da cidade da Maia”. Ao mesmo tempo, continuar a requalificar e a construir vias arruamentos e vias estruturantes para criar “melhores acessibilidades”. Neste contexto, o edil anunciou o lançamento de três empreitadas para a requalificação da rede viária do concelho, “tendo como prioridade a construção de passeios para a segurança das pessoas”.

Exigências ao Governo

Vontade da câmara, mas dependente do poder central, é assegurar a ligação entre o Hospital de S. João e a Maia, através da Linha Amarela do Metro do Porto. Ao Governo, a Câmara da Maia quer também “continuar a exigir” mais segurança no concelho, destacando a instalação da PSP ou da GNR em Moreira, para servir também a freguesia de Vila Nova da Telha.

Por fazer referência à unidade hospitalar, Bragança Fernandes revelou como a “maior preocupação” a criação de uma unidade de saúde na zona leste do concelho, para as freguesias de Folgosa, S. Pedro Fins e Silva Escura. “Temos o edifício disponível e tudo se resume à boa vontade do Ministério da Saúde”, advertiu o autarca. Além dos equipamentos, assumiu a intenção do executivo de manter iniciativas que contribuam para a adopção de comportamentos saudáveis.

Nos próximos quatro anos, a autarquia promete também não deixar de parte a poupança energética (na área da ciência), a valorização e promoção de oportunidades (na área da juventude) ou a promoção do desporto como actividade “fundamental”, estando prevista para este mandato a construção de uma “grande unidade multiusos” que sirva para a prática desportiva, mas também para actividades culturais, de turismo, recreio ou lazer.

Novidades no feminino

Na cerimónia de sábado foram também investidos nas funções os 33 deputados eleitos para a Assembleia Municipal da Maia (AMM), por ordem inversa de eleição, sendo 18 do PSD, 11 do PS, dois do Bloco de Esquerda, um da CDU e um deputado eleito pelo CDS-PP. Só depois foram chamados, um a um, os elementos eleitos para o executivo da Câmara Municipal da Maia. Neste caso, os três eleitos pelo PS – Mário Gouveia, José Manuel Correia e Inês Rodrigues – e oito vereadores do PSD, por quem serão distribuídos os pelouros da autarquia. Neste caso, aos seis autarcas que já asseguraram os últimos quatro anos – Bragança Fernandes, António da Silva Tiago, Mário Nuno Neves, Paulo Ramalho, Nogueira dos Santos e Hernâni Ribeiro – juntam-se duas mulheres – Ana Miguel Vieira de Carvalho e Marta Peneda.

Projecto “de solidariedade”

Investidos todos os autarcas que vão estar à frente dos destinos da Maia durante os próximos quatro anos, Luciano da Silva Gomes assumiu com “alegria” e com “orgulho” o início de mais uma etapa rumo ao “caminho do progresso da nossa Ma ia”. E afirmou estar “de consciência tranquila do dever cumprido”, referindo-se ao último mandato e ao que tinha prometido aos maiatos, em 2005.

Numa atitude de respeito para com aqueles que votaram a 11 de Outubro, Luciano da Silva Gomes alertou que “importa arregaçar as mangas para trabalhar, cada um no seu lugar, cada um com a sua responsabilidade” e dizendo acreditar no cumprimento do programa eleitoral apresentado ao sufrágio.

Quanto à AMM, o objectivo é colocar em prática um projecto que o presidente do órgão descreveu como “de solidariedade e de ajuda para que os problemas sociais mais prementes no momento actual da nossa sociedade sejam, no mínimo, minorados”. Para isso, alertou, é necessário que a sociedade civil tenha noção da importância da assembleia municipal enquanto órgão “fundamental para a concretização dos objectivos que se pretende para a Maia”.

O presidente da AMM deixou ainda um alerta à população, para que participe de forma activa na vida do município, dando a conhecer os problemas e exigindo soluções. Porque “servir a Maia é uma honra”, concluiu Luciano da Silva Gomes.

Marta Costa