“O PSD Maia vai vencer, falta saber por quantos”

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Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores, apresenta, em breve, na Maia, o livro que reúne o essencial de quatro anos de debates, que começaram em terras do Lidador. Em entrevista, por escrito, aborda o actual momento político.

Terminou mais um ciclo do Clube dos Pensadores. Que balanço faz?

Foi o sétimo ciclo de debates ao longo de quase quatro anos. Muito positivo. A adesão das pessoas suplantou todas as expectativas. Em quase todos os debates teve que se abrir uma sala em videoconferência. Pode dizer-se definitivamente para quem tivesse dúvidas que é uma nova forma de participação cívica. Um novo conceito que procura aproximar os cidadãos da política e discutir todos os assuntos que preocupam a sociedade actual ou problemas do Mundo Contemporâneo.

Recebi das mãos de Luís Filipe Menezes a medalha de mérito cívico da Câmara de Gaia e fui convidado pelo Reitor da Universidade Lusófona Prof. Dr. Fernando dos Santos Neves para membro do ‘Conselho Estratégico dos 24’, composto por personalidades relevantes, tanto do ponto de vista cultural e social como económico e político. Fazem parte o meu amigo Pedro Abrunhosa, vários cônsules, universitários, Almeida Santos (presidente do PS), Carlos Magno, entre outros.

Como foi feita a selecção para o livro, que reúne o essencial dos debates?

Os momentos mais marcantes ao longo desta caminhada. Na Maia, o começo, em Gaia, a sua consagração. Depoimentos de figuras como Pedro Santana Lopes, Manuel Alegre e Manuel Maria Carrilho. Contributos de todos os convidados de honra como Garcia Pereira, Luís Filipe Menezes, Diogo Feyo, João Teixeira Lopes, Rui Sá , entre outros. Fotos inéditas e a minha intervenção cívica onde escrevo  (jornais, revistas e blogue). 

Como foi a reacção ao livro?

Muito boa. Na apresentação, em Março deste ano, estiveram figuras de todos os quadrantes políticos e venderam-se mais de 300 livros. A primeira edição está praticamente esgotada. O livro foi apresentado por Pedro Santana Lopes e tive a grata satisfação de ter a presença do vice-presidente da Câmara da Maia, António Domingos Silva Tiago, meu amigo de infância.

Em período eleitoral, para legislativas e autárquicas, o clube vai dinamizar algumas iniciativas relacionadas com este momento político?

A democracia não se esgota na representatividade. Também há a democracia participativa. É isso que eu procuro fazer. Vamos ver, depende de um conjunto de circunstâncias. Em Matosinhos convidei a maioria dos candidatos uns em debate outros no programa de rádio.

É um defensor das candidaturas de movimentos políticos independentes dos partidos. Considera que há ainda muitos entraves à apresentação de candidaturas deste género?

Sim, claro. Começa pelas assinaturas exigidas e depois, como disse em recente artigo no Primeira Mão, é preciso apoio monetário. Contudo ser deputado independente a lei não o permite mas permite concorrer a uma autarquia. Mas quem tem concorrido são os zangados com os partidos, não alguém que emane da sociedade civil.

Vai assumir algum tipo de protagonismo activo nas eleições que se avizinham, como candidato ou integrante de alguma campanha?

Terei uma atitude discreta. Faço parte do conselho consultivo da candidatura de Guilherme Aguiar em Matosinhos, o que muito me honrou. Dar-lhe-ei conselhos na área cultural e política. Garcia Pereira convidou-me para pertencer à comissão de honra da sua candidatura a deputado. Não farei campanha activa por ninguém mas ajudarei na retaguarda.

Como encara o actual momento político em Matosinhos?

O Clube dos Pensadores, e eu próprio, convidou Guilherme Pinto para um debate na parceria que tenho na Junta de Leça. Fui insultado, caluniado e ameaçado. O que se passou é que, numa atitude de quem não gosta de ser contraditado, alguns apoiantes de Narciso Miranda recorrem a procedimentos que eu já julgava afastados do nosso panorama político, passados que são estes anos todos de uma vivência democrática. Atitudes persecutórias sobre quem manifesta uma opinião contrária à deles.

Existe um problema de cultura, interessada unicamente no és por mim ou és contra mim. É necessário uma mudança de mentalidades porque as coisas já não são como eram. Fala-se pouco de Matosinhos e muito em pessoas. Guilherme Aguiar pode tirar partido destas desavenças

E a Maia, como vê a situação política no concelho?

O PS Maia não tem emenda. Já disse várias vezes que o PSD nem precisa de fazer nada, basta unicamente esperar sentado. Mas o problema é que o PSD na Maia tem feito coisas e bem feitas. O PSD vai vencer falta saber por quantos.

Já nada tenho com o PS. Informo-me pela imprensa. É lamentável o que fizeram e estão a fazer a Hélder Ribeiro, um militante dos melhores, em qualidades humanas, princípios, educação, postura e ética que a Maia possui. Convivi com ele de perto no tempo que fui militante e a sua postura é um exemplo para estes trânsfugas.

Foi escolhido numa Assembleia de Militantes do partido por uma esmagadora maioria, atingindo quase a unanimidade. Essa decisão da secção teve o aval de 2/3 da concelhia tornando a decisão vinculativa. E agora, por que não gostam do candidato, querem impor por avocação ou na secretaria outro candidato, Alberto Monteiro, que nada tenho contra, tendo apreço e simpatia pelo seu trabalho.

Mal vai um partido que fala em democracia quando lhe dá jeito mas quando não lhe dá impõe uma ditadura. Claro que este confronto vem da feitura das listas para os vereadores e deputados municipais. Com isto Hélder Ribeiro será um forte candidato a presidente da concelhia nas próximas eleições internas, pois o PS vai ter uma derrota estrondosa  nas autárquicas e terá o direito a pedir contas.