Paulo Ramalho: “Estou a agir de acordo com a minha consciência”

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Paulo Ramalho aceitou o desafio de Silva Tiago e é candidato à vice-presidência da concelhia do PSD/Maia nas eleições marcadas para amanhã.

Tem a missão de liderar um gabinete de estudos que entende como “um instrumento de reflexão e construção de boas soluções para o partido”.

Admite que estava a pensar fazer uma pausa nas actividades partidárias mas decidiu agir em consciência e dar mais um contributo ao partido.

Depois de presidente da Mesa da Assembleia de Secção durante os últimos quatro anos, regressa agora à gestão dos destinos do PSD/Maia na lista encabeçada por Silva Tiago à Comissão Política, como primeiro Vice-presidente. Porquê?

É verdade, caso os militantes decidam eleger a lista de que faço parte, como é óbvio. Devo referir que esse não era o meu desejo inicial. Desde 2002 que venho assumindo responsabilidades no PSD/Maia, quer na Comissão Política, onde fui vice-presidente de Bragança Fernandes durante quatro anos e presidente durante dois, e desde 2009, presidente da Mesa da Assembleia de Secção, como referiu. A minha vontade, nesta altura, era fazer uma pausa, voltar a observar o partido de fora e regressar à minha qualidade de simples militante de base.

Então o que o leva a integrar este novo projecto, tanto mais que até tem, nesta altura, responsabilidades a nível nacional no PSD, como Conselheiro Nacional?

Desde logo o convite e a insistência de Silva Tiago, bem como o projecto que me foi apresentado. Designadamente a possibilidade de coordenar um gabinete de estudos que seja ao mesmo tempo um instrumento de reflexão e construção de boas soluções para o partido e, obviamente, para a comunidade. Tudo conjugado, naturalmente, com as minhas obrigações enquanto militante. Sempre procurei pautar o meu comportamento com espírito de missão e sentido de responsabilidade. Entendo que acima de quaisquer interesses pessoais, devo colocar os do meu partido e, acima destes, os da Maia. Sei que estou a agir de acordo com a minha consciência e em conformidade com a vontade da larga maioria dos militantes do PSD/Maia, com quem procuro manter uma relação constante e presente.

Ainda recentemente, a propósito dos resultados das últimas autárquicas, lançou num artigo de opinião, aqui no Primeira Mão, críticas algo duras ao funcionamento dos partidos e, por consequência, ao próprio PSD…

Não se tratam de críticas, mas de constatações. A relação de confiança entre os partidos e a sociedade civil está claramente em crise. O nível de abstenção e o número de votos brancos e nulos que observamos nas últimas eleições autárquicas são disso prova inequívoca. Para não falar na quantidade de movimentos independentes… Os partidos estão a ser vistos por uma boa parte dos cidadãos, cada vez mais, como meros instrumentos de poder, como realidades fechadas e distantes. Os partidos têm que voltar a ser vistos pela sociedade, acima de tudo, como verdadeiros espaços de debate de ideias e de construção de soluções para os problemas das pessoas e da comunidade em geral. Só assim recuperarão o seu prestígio e o seu estatuto de pilares essenciais da nossa democracia. A criação de um gabinete de estudos, como o que me propôs Silva Tiago, aberto à participação de militantes e não militantes, é um excelente exemplo do que deve ser feito. Contribuir para a credibilização da acção política e da afirmação dos valores da verdadeira social-democracia, esse sim, é um desafio que me motiva.

Esse gabinete de estudos não corre o risco de se transformar numa daquelas comissões que trabalha para, no final, nada se aproveitar?

Sinceramente, espero que não. Os gabinetes de estudos são instrumentos muito importantes dos partidos na afirmação de uma acção política consistente e sustentada. Na minha modesta opinião, dificilmente um partido será capaz de propor ou projectar soluções devidamente estruturadas e de qualidade, se não possuir no seu seio um centro de saber e reflexão especializado, constituído por personalidades que com a sua experiência e conhecimentos, para além da colaboração, acrescentem valor a todo esse processo de reflexão. É o que pretendemos para o PSD/Maia, o que seguramente irá permitir um confronto de ideias mais alargado e habilitar a Comissão Política a um melhor desempenho. Estou mesmo convencido que o trabalho que vier a ser desempenhado pelo futuro gabinete de estudos do PSD/Maia será de grande utilidade para o partido e para a própria Maia.

Como encara a disponibilidade de Silva Tiago, desde já assumida, para eventualmente suceder a Bragança Fernandes na presidência da câmara municipal, quando ainda faltam quatro anos para as próximas eleições autárquicas?

A disponibilidade apresentada por Silva Tiago deverá ser encarada de forma perfeitamente natural. É vice-presidente de Bragança Fernandes desde 2002 e num cenário em que o PSD, sozinho ou em coligação, tem somado vitórias, com sucessivas maiorias. Todavia, a sucessão de Bragança Fernandes há-de ser decidida num tempo que não é este, como de forma humilde e tranquila, também já fez questão de reconhecer o próprio Silva Tiago.