PCP contra suspensão da Linha de Leixões

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“Expectativas defraudadas, dinheiros desperdiçados, incompetência e irresponsabilidade”. É a reacção da DORP – Direcção da Organização do Regional do Porto do PCP à suspensão do serviço de transporte de passageiros na Linha de Leixões. A decisão afecta os concelhos de Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto e Valongo. A CP – Comboios de Portugal alega a falta de utentes na linha. Desde que o serviço foi reactivado, em Setembro de 2009, em média, foram transportados três utentes por viagem. A reactivação do serviço de transporte de passageiros na Linha de Leixões, aconteceu em período de campanha eleitoral, acompanhada da promessa de mais investimentos na linha, que incluía a sua extensão e criação de mais estações (Arroteia/Efacec, Hospital de São João e Leixões), até ao final de 2010. Investimentos que não chegaram a ser realizados.

Em comunicado, o PCP considera a medida do Governo um exemplo da “discriminação” que a região Norte e o distrito do Porto têm sido alvo, em termos de investimento público, “com consequências económicas e sociais cada vez mais dramáticas e visíveis”. Aquela organização acusa ainda a Autoridade Metropolitana de Transportes de permanecer “indiferente” à decisão do Governo, quando “deveria dinamizar as potencialidades existentes em termos de um melhor aproveitamento dos transportes existentes, públicos e privados”. E critica ainda o “silêncio” da Junta Metropolitana do Porto em relação a esta questão. Por isso, o PCP já propôs, na Assembleia Metropolitana do Porto, “o agendamento da discussão deste problema”.

O deputado eleito pelo círculo eleitoral do Porto, Honório Novo, também quer ver a questão esclarecida. E nesse sentido, entregou na Assembleia da República, um requerimento dirigido ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações com seis questões. O deputado do PCP quer saber quanto o Governo gastou na duplicação e electrificação da linha, o investimento realizado até ao momento na construção das novas estações da Arroteia e Hospital de São João e na estação intermodal de Leixões. E ainda, quanto é que foi gasto na adaptação ao serviço de passageiros das estações que estiveram a funcionar no último ano – Sangemil, Leça do Balio, Ermesinde e S. Mamede de Infesta, nos equipamentos que estiveram ao serviço na linha, e os custos que implicaram o funcionamento da linha entre Setembro de 2009 e final de 2010.

O requerimento foi entregue com a data de 30 de Dezembro. No documento, Honório Novo lembra que, em 23 de Novembro de 2010, em resposta a um requerimento apresentado pelo Grupo Parlamentar do PCP, o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações respondia que “não estava previsto o encerramento da linha da Leixões”. No entanto, “poucos dias depois a CP decidiu suspender várias linhas de serviço ferroviário urbano e suburbano, entre as quais o troço entre Ermesinde e Leça do Balio da linha de Leixões”.

Fernanda Alves