Pedro Passos Coelho também venceu na Maia

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O PSD liderado por Pedro Passos Coelho venceu as eleições legislativas deste domingo com uma avanço de mais de dez pontos sobre o PS. No entanto, o partido laranja não conseguiu a maioria para a Assembleia da República. Segundo os resultados oficiais, o PSD obteve 38,63 por cento dos votos, elegendo assim 105 deputados. O PS obteve 28,05 por cento dos votos e elege 73 deputados. Já o CDS-PP de Paulo Portas foi a terceira força partidária mais votada, com 11,74 por cento dos votos, a que correspondem 24 deputados. Seguiu-se a CDU, com 7,94 por cento e a eleição de 16 deputados, e o Bloco de Esquerda, com 5,19 por cento dos votos e oito deputados eleitos.

No distrito, ou círculo eleitoral do Porto, o PSD também foi o partido vencedor, com 39, 14 por cento dos votos, elegendo assim 17 deputados, entre eles a maiata Emília Santos. Em 2009 o partido laranja tinha eleito 12 deputados. Mesmo assim, elegeu menos um que o PS tinha eleito em 2009. Nessa altura, o partido rosa tinha vencido com 41,81 por cento. O CDS manteve-se como a terceira força política do distrito. Subiu em termos de percentagem, chegando aos 10 por cento, (9,29 por cento em 2009), mas manteve o mesmo número de eleitos, quatro.

CDS / PP passou a ser a terceira força política
Gondim foi a única freguesia que o PS venceu
Votos brancos e nulos aumentaram em relação a 2009

A CDU também mantém o mesmo número de deputados, 2. Já o BE perdeu um deputado e desceu também em termos de percentagem. Se em 2009 teve 9,21 por cento, desta vez ficou-se pelos 5,13 por cento.
A Maia manteve aquela que foi a tendência nacional. O PPD/PSD venceu com 39,02 por cento, obtendo 28 mil 592 votos. O segundo lugar foi para o Partido Socialista (PS), com 29,92 por cento e 21 mil 927 votos. Desta vez, a terceira força política foi o CDS-PP, que conseguiu 10,62 por cento, ou seja, 7 mil 780 votos. O Bloco de Esquerda conseguiu 6, 01 por cento dos votos (4406) e a CDU 5,95 por cento (4358). Mas o PSD não fez o pleno. Apenas venceu em 16 das 17 freguesias do concelho. O PS conseguiu vencer em Gondim.

De registar, comparativamente com as eleições de 2009, um aumento dos votos brancos. Se em 2009 se ficaram pelos 1,91 por cento, (1375 votos), desta vez foram até aos 3,17 por cento (2.320 votos). No que toca a votos nulos, também se registou um aumento. Em, 2009 foram anulados 879 votos, 1,22 por cento, desta vez os votos nulos cifraram-se nos 1002, isto é, 1,37 por cento.
Em 2009, o PS foi o partido vencedor com 40,54 por cento dos votos (29.114). Em segundo lugar ficou o PPD/PSD, com 29,12 por cento (20.914). Nessa altura, a terceira força partidária foi o BE com 10,76 por cento dos votos (7725 votos); o quarto lugar foi para o CDS-PP com 9 por cento (6466). A CDU ficou-se pelos 5,12 por cento (3.657 votos).

As reacções

“Sempre acreditei que ele iria ser o próximo primeiro-ministro”, afirmou o presidente da Comissão Política da Maia do PSD. Bragança Fernandes recordava a passagem de Pedro Passos Coelho pelo Tecmaia na altura da disputa pela liderança do partido. Portanto, o resultado de domingo só veio confirmar aquilo em que previa. “Eu sempre acreditei que isso iria acontecer e não foi por acaso que eu o apoiei nas directas porque vejo nele uma seriedade muito grande, vejo um homem que diz a verdade”.
O edil da Maia salienta “o grande resultado” que o PSD teve a nível nacional, embora reconheça que não vai ser uma tarefa fácil. “Porque o programa do Governo é de acordo com a troika, não podia sair das paralelas impostas, portanto, os portugueses sabem ao que foram e também que vamos atravessar momentos muitos difíceis na nossa vida, mas acredito que se não fosse ele para o Governo, isto ainda iria piorar mais”.
Bragança Fernandes salienta também “o bom resultado” obtido na Maia, lembrando que foi a segunda vez que na Maia o PSD venceu numa eleições legislativas. Faltou vencer em Gondim. Mas “só perdemos por 16 votos”. Destacou ainda o facto da abstenção ter sido inferior à média nacional.

O presidente da câmara municipal perde a sua chefe de gabinete, que foi eleita deputada. Por isso, considera que o município fica na mesma a ganhar porque não tem dúvidas que ela, para além de defender os interesses do distrito do Porto, “vai defender os interesses da Maia”, adianta.
O presidente da Comissão Política Concelhia da Maia do PS, Hélder Ribeiro reconhece que foi “uma derrota clara” do seu partido. Agora, “temos uma maioria de direita que na minha opinião não augurará nada de bom”, afirma. Agora, acrescenta, caberá ao PS, perante os resultados, fazer uma reflexão e encontrar uma alternativa “o mais rapidamente possível” e “apresentar as suas propostas e confrontar a governação PSD/CDS-PP”, sublinha.

Quanto aos resultados obtidos pelo seu partido Maia, o dirigente concelhio afirma que espelharam aquilo que foram os resultados global, “invertendo uma tendência que vinha acontecendo, sucessivamente, nas várias eleições de âmbito nacional, em que o PS tradicionalmente vencia”, sublinha.
Questionado sobre o compromisso assumido pelo PS com a assinatura do acordo com a troika, Hélder Ribeiro considera que se trata de uma responsabilidade relacionada com “o maior partido da oposição, pese embora tenha sido o Governo PS quem por Portugal negociou o acordo com as três partes que entenderam ajudar o país, essa responsabilidade ficou exactamente por aí, portanto, foi assinado um acordo com o beneplácito do PSD e do CDS e agora quem vi governar terá a responsabilidade de um implementar, mas também terá uma grande margem de liberdade para implementar outras medidas que permitam que a economia cresça e o estado social se mantenha, assim queiram”. Em relação aos dois partidos, PSD e CDS-PP acrescenta que “não tem grande esperança uma vez que são bem conhecidas as ideias ultra liberais do futuro primeiro-ministro”, sublinha Hélder Ribeiro. Assim sendo, sustenta, “não se augura nada de bom em relação ao caminho que o país vai seguir nos próximos tempos. Mais recessão, mais desemprego, menos apoio social”.
Hélder Ribeiro afirma ainda que está com alguma expectativa para ver a forma como o presidente da Câmara Municipal da Maia vai justificar “a inoperância” da edilidade, uma vez que o tem feito com base na falta de apoio do ex Governo de José Sócrates.

“Acho que toda a gente ficou com a percepção que o CDS-PP ficou um bocado aquém das expectativas que tinha, não deixando, no entanto, de ter um excelente resultado”, afirmou o presidente da concelhia da Maia dos populares, José Eduardo Azevedo. “Subiu em número de votos, subiu em número de mandatos tendo tido, na minha opinião e atendendo à subida do PSD, um excelente resultado e só demonstra que o CDS merece a confiança que os seus eleitores lhe depositaram nas últimas eleições, “acrescentou.
No que toca ao distrito do Porto mantém os mesmo quatro deputados. O PP não cumpre assim aquele que era o objectivo, eleger um quinto deputado. “Não conseguiu, no entanto, ficou a poucos votos de o conseguir. O CDS-PP aumentou a sua votação em termos de distrito em cerca de 5500 votos para a qual contribuiu imenso a concelhia da Maia com uma subida de 1300 votos”, afirma o líder popular da Maia.
Na Maia, o PP viu aumentar a votação e passou para terceira força partidária, o que José Eduardo Azevedo considera “muitíssimo bom”, tendo em conta o historial das legislativas no concelho. Passando para terceiro lugar na Maia, o PP “destronou” o BE, o que para o presidente da concelhia popular representa o trabalho que a estrutura tem vindo a desenvolver. “Gosto de pensar que os resultados são sempre um espelho da actividade da concelhia, por isso, estou muito satisfeito com o resultado. Subimos na grande maioria das freguesias e em termos distritais demos um bom contributo.

O Bloco de Esquerda foi o partido que mais desceu em termos de resultados, perdendo metade dos deputados eleitos em 2009. Para o coordenador do partido na Maia, Silvestre Pereira, o resultado foi uma surpresa. “É um resultado imerecido porque o BE sempre se bateu por princípios, por valores de defesa dos interesses dos mais desfavorecidos e dos interesses nacionais. Penso mesmo que ao longo da campanha eleitoral foi o BE o partido que melhor procurou esclarecer o eleitorado no sentido de apresentar propostas concretas de solução para a crise”, refere. “Nestas eleições votar PS, PSD ou CDS era a mesma coisa, era votar o acordo da troika”, acrescenta o também deputado municipal

No que toca à Maia, apesar da descida, trocou de lugar com o CDS e passou a ser a quarta força política, Silvestre Pereira considera que o BE continua a manter uma confiança importante e a pronunciar-se de forma ainda muito substantiva no apoio ao BE e continuar a achar que o BE é uma forma imprescindível na defesa dos direitos e achamos que as pessoas continuam a acredita no BE”.
Para a coordenadora do PCP na Maia, Lurdes Rocha, o resultado da CDU foi “a consolidação da votação da CDU e o seu reforço com a eleição de mais um deputado”. A dirigente acredita que estes resultados estão directamente ligados com “a luta que fomos desenvolvendo contra as políticas da troika”. E ao contrário dos comentários entende que a CDU “se mantém e se vai reforçando”.

No distrito do Porto, a CDU mantém os mesmos dois deputados e aumentou o número de votos, o que Lurdes Rocha considera positivo. No entanto, acrescenta que face ao trabalho desenvolvido, a força política “merecia muito mais”. Mas “sabemos perfeitamente que os nossos resultados são resultados que têm uma carga ideológica muito forte ao contrário de todos os outros, que são única e simplesmente eleitoralistas”, sublinha. No que diz respeito ao concelho da Maia, Lurdes Rocha entende que “também houve um reforço na votação geral na CDU”. “A subida é generalizada em todo o concelho, por isso, em termos gerais, estamos bastante satisfeitos”.

Isabel Fernandes Moreira