Pedrouços regista carências sociais e habitacionais

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CDU em Pedrouços
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Depois de visitar a casa com o nº 217 da Rua 9 de abril, em Pedrouços, onde habitam em condições miseráveis dois irmãos de 40 e 44 anos, com vários problemas de saúde, o vereador (em substituição) da CDU, Júlio Gomes, apresentou um requerimento à Câmara Municipal da Maia, no último 23 de janeiro.

Estes irmãos têm um rendimento conjunto de pouco mais de 200 euros e pagam uma renda mensal de 113 euros e só sobrevivem graças à ajuda de vizinhos e da ASMAN. Por isso a CDU lembra à autarquia que estes munícipes apresentaram à câmara um pedido de habitação social já lá vão 14 anos e questiona qual o ponto da situação.

Mas a freguesia de Pedrouços tem vários casos de carências sociais que se juntam à degradação habitacional e merece um olhar mais atento. Assim, uma comitiva da CDU voltou a Pedrouços na passada terça-feira, dia 31, incluindo a vereadora no executivo municipal, Ana Virgínia Pereira, o nº 2 da lista à câmara, Júlio Gomes, bem como o deputado na Assembleia de Freguesia de Pedrouços e a coordenadora da CDU na Maia.

“Ilha” na Rua dos Combatentes

Primeira Mão acompanhou esta incursão e verificou que há munícipes a viverem em condições degradantes na Rua dos Combatentes, onde existe uma pequena “ilha” com cinco “casas”, se é que podemos chamar casas a cubículos sem janelas e com buracos nos telhados por onde a chuva cai livremente.

Albertina e Pedro Rodrigues, ambos doentes, ele reformado por invalidez e ela a receber um pequeno subsídio por doença, têm que viver com cerca de 300 euros mensais, que é o que lhes sobra depois de pagarem uma renda de 200 euros por uma casa onde nem sequer têm instalada água da rede pública. Só na entrada, numa espécie de marquise é que existem duas janelas, na restante área de pequenos quartos e cozinha não há luz do dia, porque não há janelas. O senhorio tinha que fazer algumas pequenas obras no início do contrato, incluindo a instalação dos tubos para trazer a água até à casa, por estarem rebentados. Isso nunca aconteceu e os inquilinos dizem não ter dinheiro para pagar a reparação e depois pedir a ligação da água.

O vizinho, Mário Sousa, tem a luz do dia a entrar no pequeno quarto, através de uma claraboia, mas mesmo ao lado já se formou um buraco no telhado, que também deixa passar a chuva e o frio. Paga 155 euros de renda, tem a ligação de água e de luz, mas como não tem dinheiro para pagar nem sempre usufrui destes “luxos”. Só tem como rendimento um subsídio de inserção de 199 euros. Recebe alguns apoios de instituições e procura ajuda para encontrar trabalho.

É urgente incentivar a ligação à rede de saneamento

Além das situações de emergência social destas pessoas, há um problema de saúde pública quando estas e várias outras casas em Pedrouços não têm as ligações à rede pública de saneamento. Fernando Serafim, elemento da Assembleia de Freguesia de Pedrouços, diz que por várias vezes tem denunciado estes problemas e pedido a intervenção da Junta de Freguesia para que os senhorios sejam obrigados a fazerem as ligações ao saneamento.

A CDU promete continuar a insistir nas denúncias destes e de outros casos numa zona antiga de Pedrouços onde o slogan “Sorria, está na Maia!” parece não fazer sentido…

Angélica Santos

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