“O povo da Maia já não aceitará maiorias absolutas PSD/CDS”

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Silvestre Pereira, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara da Maia, deixa a porta aberta aos parceiros de esquerda, referindo que o povo da Maia já não aceita maiorias absolutas do PSD/CDS.

Considera o cenário atual mais favorável ao BE sendo possível a chegada à vereação e um reforço de mandatos na Assembleia Municipal da Maia?

Só aos maiatos e maiatas pertence essa decisão. Concorremos à presidência da Câmara, à Assembleia Municipal e às freguesias com esse objetivo. Queremos ser uma alternativa no município e o trabalho desenvolvido pelos eleitos do BE é prova disso mesmo…

Não somos oposição por ser, mas sim para propor e defender outras prioridades. Nessa medida, eleger vereadores e ter voz ativa no executivo fará toda a diferença!

Coloca a possibilidade de uma maioria de esquerda poder governar a Maia ao estilo de uma “geringonça”?

Acreditamos convictamente que o povo da Maia já não aceitará maiorias absolutas PSD/CDS ou outras com pequenas nuances, com tanta facilidade… O papão dos “esquerdistas no poder” já não passa, somos responsáveis e estamos na política para servir a comunidade e não para dela nos servirmos.

O exemplo do que aconteceu a nível nacional apenas pode garantir uma coisa, quanto mais votos e eleitos tiver o BE na Maia, maior força teremos para defender, do ponto de vista social, os maiatos e apresentar propostas inovadoras para um desenvolvimento mais equilibrado e justo do nosso município, nomeadamente na habitação; nos apoios sociais do município aos mais carenciados; na criação de infraestruturas públicas de apoio à infância, aos seniores e idosos; aos jovens na inserção no mercado de trabalho; aos cidadãos com mobilidade reduzida; para a rede rodoviária e de transportes municipais; para o ambiente; às instituições desportivas e culturais; na desburocratização de muitos serviços camarários; etc, etc…

É seu objetivo defender uma maior descentralização autárquica no concelho com distribuição de mais competências às Juntas?

A pretensa lei (Relvas PSD/CDS) da reforma da administração do território iria, segundo a maioria que tem governado o município e que a votou favoravelmente, melhorar a eficácia das Juntas de Freguesia.

Na realidade o resultado foi fazer desaparecer do mapa sete freguesias sem que a população alguma vez fosse consultada. Votamos convictamente contra e não nos arrependemos, porque defendemos a Democracia.

As freguesias são o poder democrático mais próximo dos cidadãos, não necessitam de ser extintas, necessitam sim de mais meios financeiros e autonomia para poderem executar os seus planos. A lei das finanças locais apesar de limitada, possibilita que os executivos camarários transfiram muitas mais competências para as juntas, mas não o fazem para obrigar os respetivos presidentes a andar de mão estendida e dependentes da vontade política do presidente da autarquia.

Não podemos por isso aceitar que quando se debatem e votam os Planos e Orçamentos da Câmara Municipal a grande maioria dos senhores presidentes de Juntas de freguesia, na sua esmagadora maioria os votem sem questionar!

A descentralização para um desenvolvimento mais equilibrado do nosso município passa por aí: mais poder às freguesias, mais eficácia e melhor serviço aos maiatos e maiatas…

Quais as principais medidas que defende para o concelho em áreas como desenvolvimento económico e apoio e coesão social?

As famílias, especialmente as mais carenciadas, têm problemas enormes nos serviços públicos no que à infância diz respeito, dada a escassez de oferta pública de infantários que permitam deixar as suas crianças de acordo com os seus horários laborais, a construção destes serviços é essencial para a fixação de população e até como incentivo à natalidade. O mesmo defendemos para os idosos e muito dependentes.

Estes cidadãos quando mais necessitam são entregues a si próprios porque as instituições existentes são na sua grande maioria privadas e por tal motivo de acesso interdito a quem não tem condições económicas; há outras, na sua maioria instituições de solidariedade social que são importantes, mas que também são escassas e não chegam para as necessidades e o problema tende a agravar-se… é necessária uma resposta pública e estruturada e o município tem de dar também essa resposta! Os apoios sociais têm de ter um acompanhamento de proximidade e inserção.

A coesão social passa por isso, por políticas diferenciadas e continuadas nos diversos momentos da vida das pessoas. É uma construção constante…

…E no que respeita a Habitação e Transportes?

Orçamentos que em quatro anos e em conjunto com programas do Governo resolvam definitivamente o Problema da Habitação Social do Município, um necessariamente a necessitar de manutenção e espalhados por todo o concelho, outros e em particular o Sobreiro, Maia I e II, estes em forte processo de degradação, alguns a colocarem em perigo quem os habita.

Defendemos projetos de requalificação urbanística destes polos habitacionais, que naturalmente sejam inclusivos e que possibilitem a permanência dos cidadãos residentes.

Quanto aos transportes temos vindo a estudar este problema, de enorme importância para o Ambiente e para as pessoas, concluindo que se trata de um problema estruturante, que terá de envolver também os concelhos periféricos.

As necessidades de transportes públicos e privados de qualidade a preços atrativos são decisivos para melhorar a mobilidade e o conforto e atrair mais utentes. A busca de uma solução pública de transportes ecológicos de pequena dimensão é em nossa opinião a resposta mais eficiente e atrativa.

…Quanto a Educação e Cultura?

A educação para além do pré-escolar é uma parte do estado de coisas nacional. Há anos que o BE denuncia que se tenta criar uma cultura de escolas e colégios privados, subsidiada pelo Estado, e se degrada a qualidade do ensino público. A tentativa bastante falhada de municipalização de competências vai nesse sentido e é um presente envenenado, pode abrir portas à privatização do ensino!

Defendemos maior responsabilização do município e o aprofundamento dos apoios municipais com a criação de mais infantários da sua responsabilidade, também no ensino básico os apoios extra curriculares deverão ser incrementados e não reduzidos como tem vindo a acontecer… A possibilidade de continuar a aprendizagem para adultos tem sido esquecida, proporemos novas ações para aprendizagem ao longo da vida.

“Alma sã e corpo sã”, A cultura e o desporto são dois vetores importantes para o desenvolvimento e bem-estar das nossas populações.

No que diz respeito ao desporto, a Maia tem um conjunto apreciável de infraestruturas que são utilizadas por milhares de pessoas tendencialmente de forma gratuita. É um serviço que tem importância decisiva para a qualificação do concelho como referência nesta área. Defendemos por isso que o apoio às instituições desportivas, nomeadamente na formação, deverá ser aprofundado.

A cultura é também um dos aspetos em que a descentralização e o apoio às instituições e coletividades existentes terão de ser incrementados e os apoios dados, deverão ser acompanhados de programas e protocolos nas mais diversas áreas. Isto de forma descentralizada pelas freguesias, criando sinergias entre as coletividades.

Perfil

Silvestre Pereira

. 62 anos
. tem dois filhos e um neto
. natural de Pedrouços, Maia
. estudou no Liceu Alexandre Herculano e no ISMAI (Maia)
. empresário (ramo seguros)

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