“Preparar hoje para ter no dia de amanhã”

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Presidente da Junta de Freguesia de Silva Escura destaca o apoio social à infância e terceira idade

José Sousa Dias ainda não decidiu se concorre a um novo mandato

PRIMEIRA MÃO Estão a decorrer os últimos meses do actual mandato e é tempo de fazermos um balanço do mandato e da obra que foi feita na freguesia de Silva Escura.

José Sousa Dias – Queria começar por esclarecer que houve um esforço bastante grande para que as nossas promessas fossem cumpridas. Porém, algumas situações não podemos controlar, e impediram-nos de concretizar os nossos sonhos a 100 por cento. Como as pessoas sabem, o nosso país atravessa uma crise que tem impedido os investimentos nas freguesias. Portanto, não nos foi possível concluir todas as promessas que desejávamos que fossem cumpridas. Mas queria dizer algo importante. Quando me candidatei em 2005, disse que ia privilegiar tudo aquilo que estivesse ao nosso alcance na acção social e ajudar as pessoas mais carenciadas da freguesia. Para isso, comprámos uma carrinha, com a comparticipação da Câmara Municipal da Maia. Mal a adquirimos, estabelecemos protocolos com duas instituições bastante importantes, o centro de dia e a escola básica da nossa freguesia, à qual está ligado o jardim-de-infância. Os pais muitas vezes têm dificuldades em deslocarem-se para levar os filhos à escola, e assim começamos a prestar um serviço de apoio a todas as famílias que o requisitaram.

Essa carrinha faz então o transporte das crianças?

Sim. Entendemos que é um bem essencial para as famílias que hoje atravessam bastantes dificuldades. É um sacrifício para a junta porque estamos a custear todas as despesas da carrinha, mas entendemos que a freguesia, as famílias e as crianças necessitam desse apoio. É uma acção que estamos a praticar, a par do apoio às pessoas idosas. Quero fazer referência a algo importante. Também fazemos o transporte dos idosos para o centro de dia. Começou-se com duas ou três pessoas, e hoje a carrinha vai cheia. Além deste serviço, também estamos disponíveis para alguma emergência de alguma pessoa com dificuldade de deslocação para o centro de saúde ou para o hospital. Sempre que seja necessário, podemos transportar essa pessoa. Era uma lacuna na acção social que conseguimos preencher.

Essa necessidade que sentiu deve-se à falta de transportes que sirvam Silva Escura?

Exactamente. Isto vai de encontro às dificuldades de transporte das pessoas, sejam elas crianças em idade escolar ou idosos, mas também à pouca mobilidade de algumas pessoas. As famílias hoje têm, mais que nunca, necessidade de trabalhar e muitas vezes não têm o tempo necessário para transportar os pais ou sogros aos centros de dia. Visto Silva Escura ser uma freguesia rural, quisemos dar este apoio a todas as pessoas que o solicitassem. Estamos também a prestar apoio ao desporto. A carrinha também é solicitada pelo Grupo Desportivo de Silva Escura, aos fins-de-semana, para os jogos. A carrinha está disponível para que a colectividade não precise de suportar mais uma despesa para praticar desporto. Foram, portanto, três valências que nos levaram a adquirir a carrinha: a educação, o apoio aos mais idosos e ao desporto.

Vamos continuar o balanço sobre as obras que foram feitas durante este mandato.

Foi um mandato, como já disse, com algumas dificuldades financeiras, mas graças ao esforço da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, foi possível usufruir de um jardim-de-infância. Estávamos numa situação precária no que dizia respeito ao espaço que existia para as crianças dos 3 aos 5 anos. Foi com esforço que conseguimos inaugurar o jardim-de-infância onde hoje estão 42 crianças. Estou muito satisfeito com esta nova obra. Hoje, no jardim-de-infância e no ensino básico, já conseguimos receber mais de 100 crianças.

Houve um crescimento populacional da freguesia ou o regresso de uma franja da população que não tinha condições e procurava soluções fora da freguesia?

Houve o regresso de algumas crianças que estavam noutros jardins-de-infância fora da freguesia, mas houve também um aumento de eleitores bastante significativo, para além de que acolhemos também os filhos das pessoas que trabalham em Silva Escura. É uma mais-valia para a freguesia, e é essencial para as nossas crianças, que agora têm um regime de acolhimento mais digno e um espaço com as devidas condições. Além desta obra, gostava de destacar outra, uma obra bastante significativa e que há muito tempo era reclamada por nós, que era a requalificação dos montes, principalmente do de Santo António. Essa requalificação já arrancou, e esperamos que seja concluído aquilo que o projecto inicial nos apresenta, que é um polidesportivo, um parque infantil e uma cafetaria para dar condições às pessoas que queiram visitar o monte de Santo António. Penso que uma parte da primeira fase irá ser inaugurada brevemente, juntamente com a aquisição dos terrenos que passaram a ser da junta de freguesia. Eram terrenos que estavam numa situação indefinida, não se sabia se eram da junta ou de privados, e conseguimos chegar a um entendimento com a comissão fabriqueira Silva Escura e conseguimos registar toda a zona envolvente à capela de Santo António. Foi com algum esforço e sacrifício que conseguimos ultrapassar estas situações, porque as coisas não são dadas de qualquer forma. Agora a junta tem uma área de 10 mil metros quadrados já escriturados. Só assim é possível avançar com as obras no monte.

Por fazer

No início disse que não foi possível fazer tudo o que estava previsto. O que é que ficou por fazer?

Várias coisas que gostaria de ter feito, como um parque infantil, por exemplo, que era uma bandeira da nossa candidatura. Ainda não foi possível fazer nenhum. Estão a ser idealizados, mas ainda não estão concluídos.

Quer dizer que ainda não existe projecto?

Existem os projectos, já os tenho, mas ainda não foram executados. E é uma das coisas da qual a freguesia carece muito. Também falta reabrir algumas ruas que estavam para ser reabertas, mas que, provavelmente, já não vamos ter tempo para concluir. Abrimos uma rua agora, entre a Rua Fonte do Carvão e a Rua do Solão, que faz a ligação entre duas freguesias, Silva Escura e Gondim. Tenho que agradecer ao presidente da Câmara da Maia pelo empenho demonstrado, e também aos proprietários dos terrenos, que sempre tiveram a sensibilidade de oferecer os terrenos sem criar problemas.

Sem receberem nada em troca?

Sem nada em troca. A única coisa que receberam foram palavras, bom senso e compreensão. Não há qualquer tipo de permuta. A única coisa que a Junta de Freguesia entendeu fazer foi aceder ao pedido de um proprietário na construção de um muro, orçado em 2500 euros. Foi a única despesa da junta. O resto saiu da Câmara. Os proprietários cederam gratuitamente os terrenos. A via já está rasgada e está quase concluída, só falta a pavimentação. Outra obra feita foi a requalificação dos candeeiros do cemitério, que estavam muito danificados. Aproveitamos também para repavimentar os passeios e requalificar os jazigos. Vamos também alargar a rua da Igreja para que haja ali uma pequena avenida junto ao cemitério e também estamos a estudar a requalificação da zona frontal do cemitério, com bancos e algumas árvores, para dignificar mais um pouco aquela zona. Vamos também melhorar a zona envolvente da capela mortuária. A população da freguesia tem crescido e há muita gente que fica, nas imediações da capela, à chuva e ao sol. Já falei do Monte de Santo António e do desporto, e queria aproveitar para dizer que uma das promessas eleitorais foi a instalação de um polidesportivo no monte e isso ainda não foi feito.

E dificilmente será feito durante este mandato.

Mas vamos fazer todos os esforços para que, pelo menos, se inicie a obra. No monte já existe um campo de futebol, que vai ser requalificado para outras actividades além de futebol de 11. Nesse projecto, além do polidesportivo, está também um campo de ténis e uma área para desportos radicais. É um esforço que estamos a fazer, juntamente com a Câmara, para que isso seja possível. Se não for possível, ficará pelo menos um passo dado na conclusão do projecto para quem vier a seguir. Este projecto é aquilo que pretendo que seja cumprido. A junta de freguesia está na posição de ajudar em tudo aquilo que seja necessário para o desporto. É este o nosso lema: primeiro as pessoas, depois algumas situações de aberturas viárias, o transporte, e também a habitação.

Já que refere a habitação, ainda falta habitação social na freguesia?

Foram concluídas 36 habitações sociais na freguesia de Silva Escura. O que estava projectado para a nossa freguesia eram 72 habitações. Faltam 36.

Essas 72 habitações de que falou serão suficientes?

Face ao aumento da população é natural que já não sejam suficientes, mas já seria bom completar as 36 habitações que faltam. Penso que o presidente da Câmara, juntamente com o vice-presidente e vereador da Habitação, está atento a isso. É um assunto que a Câmara está a tratar. Uma das coisas que quero referenciar prende-se com a situação económica, a qual as autarquias também não estão imunes. As pequenas freguesias e as pessoas sentem muito mais os efeitos da crise e iremos fazer todos os esforços para que se possa concluir aquilo que foi projectado para a freguesia de Silva Escura, contudo, estamos atentos a situações mais graves. Temos sido muito solicitados por pessoas pobres, com muita dificuldade em fazer o pagamento da habitação social, atendendo à situação económica.

Já fez chegar essas preocupações ao Presidente da Câmara?

Sim. Já disse ao presidente da Câmara que, dentro da possibilidade que a Câmara tenha, não se esqueça de fazer mais habitações sociais para as pessoas mais carenciadas. Mais hoje do que ontem.

Há pouco lamentou a falha na promessa ao grupo desportivo de Silva Escura da construção de um polidesportivo mas queria dar andamento ao projecto para quem viesse a seguir. Quer dizer que não está disponível para um novo mandato?

Eu não quero dizer que não sou candidato. Não quero dizer que sou candidato nem que não vou ser. Com isso queria dizer que estou a preparar a pessoa que vem a seguir, seja eu ou outra pessoa. Quando alguém se candidata, não sabe se ganha. As pessoas é que dizem o sim e o não. O que eu fiz foi proporcionar um avanço para as necessidades da freguesia para que leve menos tempo a concretizar aquilo de que a freguesia necessita. As minhas prioridades, na parte do desporto, passam por aquilo de que já falei – o polidesportivo. Acho que ninguém – seja eu ou outra pessoa que lá esteja – pensa o contrário.

Mas as suas prioridades podem não ser as de outro partido.

Sim. Mas a requalificação do monte de Santo António e o aproveitamento do terreno adquirido pela junta de freguesia devem ser prioridades. Queria ainda acrescentar que a nossa freguesia acabou de fazer um protocolo com um proprietário da freguesia de Silva Escura para a aquisição de um terreno que vai servir para a construção do nosso centro cívico, que também é uma ambição minha, e o alargamento do nosso cemitério.

Esse centro cívico terá o quê?

Irá ter algumas valências que depois serão concluídas pelo executivo seguinte. Da forma que isto está, necessitamos de um infantário para as crianças. Precisamos de um centro cívico. Não temos um fórum, o salão que há é pequeno, precisamos de mais dignidade. Já temos o terreno e vamos trabalhar para que a nossa freguesia esteja equipada condignamente.

Resumindo e concluindo, entre outras coisas, será um novo edifício para a junta de freguesia.

Exactamente.

Justifica-se em Silva Escura?

Não há nada que não se justifique.

Que destino é que terá o espaço actual?

Depende da pessoa que lá estiver. Mas vou procurar rentabilizar o espaço através do aluguer, ou para uma biblioteca, que não temos. Podemos aproveitar o espaço para apoio social. Há muitas formas de o rentabilizar. Até para um gabinete jurídico. Podemos dar muitas utilizações ao edifício. Não podemos é parar. Eu não quero dizer que daqui a quatro ou cinco anos vamos ter um centro cívico. O que quero dizer é que já temos espaço para levar a obra a cabo. Já temos espaço para alargar o cemitério. Isso é importante para uma freguesia. Ter espaço, ter valor. Preparar hoje para ter no dia de amanhã.

Há pouco não respondeu à minha questão. Vai ser ou não candidato nas próximas eleições?

Não sei… nem digo que sim nem que não. Depende dos apoios que eu tiver. Já tenho o apoio do Presidente da Câmara da Maia, que me disse que gostava que eu continuasse. Ainda faltam 6 meses. Acho que um presidente de junta não pode ser um pequeno político nem um grande político. Tem de ser uma pessoa que goste de ajudar as pessoas. Numa freguesia como a de Silva Escura, predominantemente rural, é importante ter um presidente que ajude as pessoas.

Isabel Fernandes Moreira, com Pedro Povoas