Próximo mandato será de “consolidação”

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Para além do Zoo, quais foram as obras ou acções que marcaram mais a sua passagem pela Junta de Freguesia da Maia?

Quando iniciei o meu primeiro mandato, a primeira coisa que fiz foi aplicar o horário de funcionamento normal na junta de freguesia. Antes, só abria à noite. E hoje, acrescentamos ainda mais um dia, aos sábados, até às 13h30, para as pessoas que trabalham longe da nossa freguesia, possam utilizar o sábado para tratar de questões relacionadas com a junta. Depois, foi a reestruturação do edifício da junta de freguesia, que hoje já não reúne as condições necessárias, comparativamente a outras juntas de freguesia. Mas eu não reinvindico uma nova junta, porque temos de poupar. Peço à câmara outros contratos-programa que se insiram na situação actual.

O Parque das Fontes, que ainda não está acabado, mas que presta um serviço extraordinário, que muitas pessoas desconhecem. Tem águas de grande qualidade.

Para além de estar disponível para consumo dos maiatos, alimenta ainda o chafariz que é uma réplica ao monumento das pirâmides, e o excedente cai para uma cisterna subterrânea que dá para 500 mil litros de água, suficientes para regar quase todos os jardins da nossa cidade. Está proposto à câmara, criar uma rede de água para os jardins, permitindo poupar milhares de contos por ano.

A extinção da linha e estação de comboios acabou também por marcar a sua passagem pela junta de freguesia. Primeiro, negativamente, porque a Maia deixou de ter um dos meios de transporte até então disponíveis, e a estação que durante algum tempo sofreu os efeitos do vandalismo. Depois, positivamente, porque todo aquele espaço foi reconvertido. É assim?

Sim, a estação foi transformada em espaço de Ocupação de Tempos Livres (OTL). É uma obra emblemática que estava a ser ponto de encontro de pessoas menos bem intencionadas e foco de toxicodependência. Para além de se ter aproveitado a fachada, criamos no interior salas de estudo que cedemos à associação Enigma, que funciona ainda como sede desta associação de apoio às crianças autistas. Mobilamos todo aquele espaço, criamos as hortas biológicas para que as pessoas pudessem desenvolver a agricultura biológica que está muito em voga. Havia mais espaço para aumentar o número de hortas biológicas, mas tivemos de parar, devido ao projecto da ciclovia da câmara que pretende aproveitar a linha de comboio. Vamos procurar outro espaço para as hortas, provavelmente, no parque zoológico.

O alargamento do Zoo da Maia já está em andamento. Vamos ter novidades já este Verão?

Sim, obrigatoriamente. Até porque nós temos prazos assumidos perante a Direcção Geral de Veterinária (DGV) e o Instituto da Conservação da Natureza (ICN). Temos já o projecto da área de quarentena concluído, a primeira do país, para a qual a câmara, através de um contrato-programa, irá colaborar.

Será a primeira obra a ser inaugurada este Verão?

Sim, até porque permitirá a expansão do jardim. Logo que tenhamos feita a escritura de cedência dos terrenos, que em princípio, será este mês, vamos imediatamente arrancar com as instalações de quarentena. Será uma valência importante para a consolidação do Zoo. Não vamos aumentar o número de animais. Vamos dispersar os espaços, torná-los mais atractivos, criar espaços de lazer e habitats maiores, para que seja um jardim de qualidade.

A área de quarentena vai ser a única novidade do Verão?

Vamos ter provavelmente o alargamento da área dos herbívoros e dos felinos. São habitats fáceis de construir. As foquinhas vão sair do pavilhão onde estão, porque colidem com a zona dos répteis. Vai ser construída uma bancada e uma piscina maior, e vamos ter de aumentar para duas ou três o número de focas, porque neste momento só temos uma. As jaulas vão acabar. Vão aparecer ilhas defendidas, para que os animais se sintam em liberdade. Alargamos também o parque de merendas, que está praticamente concluído. Temos um salão com capacidade para 100 pessoas, onde é possível realizar aniversários ou que pode ser utilizado para as crianças lancharem nos dias de chuva. Vamos ter a curto prazo um parque infantil que vai ser financiado pela OLÁ. O mês de Junho deverá ser o mês escolhido para inaugurar o parque das merendas, o salão de festas e o parque infantil.

O licenciamento só será uma realidade quando estiver concluído o alargamento?

Particularmente a quarentena. O alargamento, talvez seja possível fazer um protocolo com a DGV. Agora, temos é de iniciar já a quarentena, para que os animais envelhecidos e doentes fiquem lá para dar lugar a animais mais jovens.

Noutras áreas, há ainda muito a fazer ou a freguesia tem beneficiado do facto de estar no centro do concelho?

A câmara tem proporcionado obras que a freguesia pede e necessita. Por exemplo, vamos ter brevemente um centro escolar de altíssima qualidade, na Rua da Estação, que era uma das carências que tínhamos. Muitas das nossas crianças tinham de ir para outras freguesias, porque já não havia lugar.

Felicito a câmara, que através dos seus técnicos tem feito milagres autênticos. Na escola D. Manuel I em Vermoim, através do aproveitamento do edifício da antiga Pamaial, e o mesmo irá acontecer com o Centro Escolar da Maia, cujo edifício que estava destinado ao museu do automóvel. Tem uma área enorme que vai dar para um bom pavilhão, e muitas salas. Penso que vamos ter estruturas escolares suficientes para os nossos meninos terem aulas condignas. O que falta, porque a câmara ainda não pôde fazer é habitação social. É dramática a situação que vivemos. Há despejos constantes, casas degradadas. A câmara tem feito aquilo que pode. Eu tenho tentado colaborar e pedido, e de certo modo, tenho sido atendido em casos mais prementes, mas ainda há uma lacuna. Eu penso que a câmara vai ter de parar com obras que do ponto de vista social são menos necessárias, para dar continuidade à habitação social. Há casas sociais para demolir no Bairro do Sobreiro. Eu vou pedir à câmara para não o fazer já, porque há muitas pessoas com ordens de despejo, que podem ficar temporariamente nessas casas.

Acho que o projecto para o bairro do Sobreiro, o Parque Maior, deve ficar para depois da crise terminar. A câmara deve parar obras que não são fundamentais em benefício de obras absolutamente essenciais, como é o caso da habitação social.

Quantas habitações sociais seriam precisas para a freguesia da Maia?
Neste momento, precisávamos de umas 50 habitações. Havia um projecto para o Outeiro. Inclusivamente, a junta de freguesia teve de restaurar algumas casas devolutas, para alojar lá pessoas, até que o projecto do PER estivesse pronto. E ainda há casas nessa situação.

Na sua perspectiva, o investimento da câmara deve estar direccionado para as pessoas e não em outro tipo de obras?

A câmara e até o Governo terá de rever as obras que tem previstas, talvez adiá-las, e reforçar as verbas para aquilo que é essencial neste momento. É que o dia-a-dia é doloroso. Não há um dia em que eu vá de consciência limpa para casa depois de ouvir aquilo que ouço. É dramático.

Depois de vários anos de polémica, o alargamento e o licenciamento do Zoo será uma realidade a médio prazo. Está confiante que, caso seja novamente eleito, que o próximo mandato será muito mais tranquilo?

Muito mais tranquilo. Será um mandato de consolidação.

Fernanda Alves