PS a braços com “revolta” interna

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Mais de 100 militantes socialistas apoiam um manifesto e um abaixo-assinado a exigir eleições na Comissão Política Concelhia da Maia do PS. O primeiro subscritor é António Teixeira, que fala em líderes “agarrados ao poder”. Vai recorrer ao Conselho Jurisdicional do PS. Jorge Catarino, presidente da CPC, rejeita estas acusações de “baixa política”.

“Entendem os abaixo-assinados que os atuais órgãos do PS/Maia sofrem de uma falta de legitimidade formal, assente em inúmeras demissões e que se refletem numa consequente dificuldade em reunir, por falta de quórum, e em discutir política estratégica e programática”, lê-se no manifesto, subscrito por militantes de Águas Santas, Gueifães, Maia e Milheirós, onde se defende a necessidade de começar a construir “um projeto alternativo” a pensar nas autárquicas do próximo ano.
No manifesto, os subscritores consideram que deve ser promovida pelos órgãos concelhios “uma solução que restabeleça o normal funcionamento democrático da Concelhia, convocando-se um ato eleitoral”. O documento foi enviado, no passado dia 19, aos presidentes da Concelhia e da Mesa da Assembleia concelhia.

“Há uma série de irregularidades estatutárias”, garante o primeiro subscritor dos documentos críticos, António Teixeira, deputado municipal e ex-membro do Secretariado do PS/Maia. “Em causa, por exemplo, a demissão de mais de duas dezenas de membros da Comissão Política Concelhia, a demissão de cinco elementos do Secretariado e do presidente da Concelhia eleito. O partido, assim, não funciona e há um exemplo claro: a mesa da Comissão Política, que convoca os comissários, também é ilegítima, porque tem dois secretários que, simultaneamente, fazem parte do Secretariado, o que é incompatível. E tudo isto tem afastado os militantes do partido”.

Este militante descontente com a ação de “gente agarrada ao poder” refere que vai lutar até às “últimas consequências” pelo que entende ser legítimo, sublinha António Teixeira, “vamos apresentar um protesto à Comissão Jurisdicional do PS para pôr termo a esta situação de ilegalidades, porque desta forma o partido não tem sustentabilidade”.

100 em 700

O líder do PS/Maia desmente a situação, recusa abrir um processo eleitoral “ilegítimo” e desvaloriza o manifesto: “Estamos a falar de 100 militantes num universo de 700”.
Jorge Catarino afirma-se tranquilo com o cumprimento dos estatutos e recorda que António Teixeira já fez parte da Comissão Política e que terá tentado, juntamente com mais sete elementos, que se demitiram em simultâneo, “criar uma bola de neve para tentar que toda a gente se demitisse”. Mas o que aconteceu, salienta, é que esses elementos bateram com a porta e ficaram “por ali”, “chegando a haver um caso curioso de um deles que nem sabia muito bem o que estava a votar e, quando deu conta de que era para sair da Comissão Política, pediu ao presidente, por escrito, para anular o voto nessa pessoa”, explicou Jorge Catarino.

O líder do PS/Maia, que substitui Marco Martins desde a sua demissão, recusa solicitar “um extemporâneo e ilegítimo processo eleitoral na Maia”, acrescentando que “se isto fosse para a frente seria uma atitude sem precedentes. Não tem qualquer base estatutária”, reage Jorge Ferreira Catarino.

Jorge Catarino refere ainda que a Comissão Política tem tido uma “grande abertura aos militantes” e esta atitude de “ser do contra” é “baixa política” por parte destes militantes. Entende este manifesto como uma medida de pressão para que “no futuro haja negociações com este grupo para discutir lugares para a vereação e freguesias”. De acordo com o líder do PS/Maia, estes subscritores só “perdem a razão” ao virem a público com as críticas que deviam apresentar no seio do partido.
“A lista de nomes que subscrevem esse documento corresponde a militantes da secção de Gueifães, que, desde 2013, têm um processo de expulsão, por terem participado em listas contra o PS, e uma grande parte a uma família pertencente a Águas Santas, que tem quotas em atraso”, alega o líder do PS/Maia, negando dificuldades em obter quorum para reunir. “Ainda no dia 8 reuniu a Comissão Política e tivemos quórum”, frisou.

Por outro lado, os conteúdos programáticos para a estratégia Autárquicas 2017 do PS/Maia foram discutidos na reunião, “é um trabalho que já vem sendo feito ao longo dos últimos dois anos, com pés e cabeça, apesar de não termos escolhido o candidato nº 1 da lista”.