Sobreiro: Um bairro ao abandono (vídeo)

0
280

A incerteza marca, neste momento, o Bairro do Sobreiro, bem no centro da Maia. Depois da dissolução da empresa Parque Maior, os habitantes do degradado bairro maiato vivem dias de angústia. Sentimento que motivou a candidata à liderança concelhia do Partido Socialista, Paula Cristina Duarte, a reunir com a empresa Espaço Municipal e com a Associação de Moradores do Bairro do Sobreiro. As reuniões aconteceram na passada quarta-feira e as conclusões não foram animadoras.

Segundo a candidata, as incertezas continuam a pairar sobre os moradores do bairro e embora existam planos da Câmara Municipal da Maia, a curto prazo, para uma intervenção no Bairro do Sobreiro, a angústia dos moradores é mais que muita.

Os problemas do Bairro do Sobreiro não são de agora e já são conhecidos. No entanto, não significa que se mantenham na mesma. O tempo não pára naquela zona mais pobre da Maia e o bairro avança para um estado de degradação que alguns moradores consideraram, durante uma rápida visita aos blocos habitacionais, estar a tornar-se insustentável. Há fendas nas paredes, caleiras que há muito estão no chão, vigas de cimento que ameaçam a segurança de moradores e transeuntes, um parque de jogos completamente degradado, blocos abandonados à mercê de quem os quiser invadir, paredes que ameaçam cair e angústia. Muita angústia no rosto dos moradores, que se queixam da inércia da Câmara Municipal da Maia. Quem vai estando alheio a estes problemas são as muitas crianças que se continuam a sentir livres na rua do bairro. Um contraste de gerações e de expressões. Ao contrário dos mais crescidos, as crianças do bairro continuam a correr, gritar e saltar. Ainda que por vezes isso possa representar perigos, pois correm ao lado de vigas que ameaçam cair, gritam por entre carros abandonados e saltam debaixo de caleiras que a todo o momento podem atingir o chão.

Da reunião com o Espaço Municipal foi dada a certeza a Paula Cristina Duarte que estão para breve as intervenções nos blocos mais degradados do Bairro do Sobreiro, através da Prohabita e do Plano Especial de Realojamento. Além disso, foi também dito pela autarquia à candidata socialista que está em curso uma candidatura ao CREN com vista à recuperação do bairro. Obras que tardam a aparecer. “Foi dito em Dezembro, pela Câmara Municipal, que arrancariam obras de beneficiação em Março”, revelou Paula Cristina Duarte. “Mas já estamos em Abril e ainda nada foi feito”, acrescentou. Paula Cristina Duarte espera também que a Câmara “chegue a tempo” da beneficiação dos edifícios, porque pode acontecer que “isto se degrade de tal maneira que depois não seja possível fazer nada”, considerou, em tom preocupado.

“Moro no Sobreiro há 30 anos e nunca aqui pregaram prego!”. A frase é de José Abreu, um dos representantes dos moradores do Bairro do Sobreiro. Como José Abreu há muitos, segundo PRIMEIRA MÃO apurou. “No inverno é um frio que não se pode, os aquecedores não chegam, e no verão é um calor insuportável” dentro das habitações. Mas este é apenas a ponta do icebergue. José Abreu estava munido de fotografias que provavam o estado de degradação do bairro e continuou a queixar-se do abandono por parte da autarquia. Ou melhor, autarquias. “O presidente da Junta de Vermoim só quis saber disto na altura das eleições, agora mal quer saber”, disse José Abreu, “dirigindo-se” a Aloísio Nogueira. No fundo, os moradores “estão abandonados e fartos de promessas”, considerou Paula Cristina Duarte. Por fim, lançou um apelo: “Espero que a Câmara Municipal faça uma intervenção rápida neste bairro, porque toda a gente ficava a ganhar. Os moradores do Sobreiro precisam de ser felizes”.

Pedro Póvoas