Tomada de posse sem condições

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"Não venham à minha tomada de posse". A recomendação partiu do empossado presidente da Junta de Freguesia de Águas Santas, Carlos Vieira. Os motivos do convite negativo prendem-se com a falta de condições do actual edifício da junta, que se mostrou insuficiente para receber todos os autarcas, num total de 19, e a população que quis assistir ao acto na noite da passada terça-feira.

Águas Santas é a freguesia com mais "peso" político em número de votantes na Maia. Nela votam cerca de 20 mil eleitores. Mas, "atendendo às circunstâncias em que se realiza este acto, sem o mínimo de condições", Carlos Vieira recomendou a quem queria assistir à tomada de posse para "não virem hoje". As pessoas em pé eram muitas. Entre elas Luciano da Silva Gomes e Paulo Ramalho, que cederam o lugar aos membros eleitos pela freguesia. Para minimizar a falta de condições da actual Junta de Freguesia, Carlos Vieira revelou que "vai ser feita uma apresentação dos eleitos no domingo, na Quinta da Caverneira, às 11h00". Carlos Vieira convidou toda a população da freguesia a comparecer e não deixou de fora os membros dos partidos da oposição, os quais convidou para "fazerem uma intervenção" na cerimónia do próximo domingo.

Mesmo sujeita a um espaço exíguo, a primeira reunião da Assembleia de Freguesia de Águas Santas decorreu sem normalidade. A única "quebra" no ritmo da cerimónia protocolar ocorreu quando o elemento eleito pelo Bloco de Esquerda, João Valadares Sousa, questionou a mesa cessante sobre a legalidade do acto que, alegadamente, estaria "fora do prazo estipulado pela Comissão Nacional de Eleições". A questão foi prontamente esclarecida pela mesa. Tudo se deveu a um "erro" da CNE e a tomada de posse, depois de "rectificados os editais", estava dentro do prazo e da legalidade.

O espaço convidava a alguma confusão. Principalmente na "dança das cadeiras". Foi difícil ordenar os eleitos por cores políticas. Distribuídos os 18 elementos que agora compõem a junta, votou-se o executivo proposto por Carlos Vieira, aprovado com nove votos a favor, nove abstenções e um voto contra. Para a Mesa da Assembleia foram apresentadas duas listas, uma com elementos do PSD, outra proposta pelo PS, encabeçada pelo presidente de freguesia cessante, António Teixeira. O resultado foi tangencial, com 10 votos para a lista A e nove para a lista B.

Eleito todo o executivo para o quadriénio 2009-2013, seguiu-se a habitual sessão de cumprimentos, que deu origem a vários atropelos na confusão do espaço que se mostrava cada vez mais insuficiente. A já relatada exiguidade do edifício da junta justifica a "rápida conclusão do novo centro cívico para a freguesia", uma obra que "faz falta" a Águas Santas. Carlos Vieira mostrou-se "surpreendido pela positiva" ao assistir às tomadas de posse que decorreram durante a semana passada em freguesias menos populosas, mas "com mais condições". O recém-empossado presidente fica "triste por Águas Santas ainda não ter um edifício como os outros", daí a conclusão do novo centro cívico ser uma "prioridade". Outros pontos importantes na agenda de Carlos Vieira prendem-se com "a nova classe de pobres que tem vergonha de aparecer, aqueles que dantes eram da classe média e que têm medo de assumir as necessidades". Por não estarem assinalados, a tarefa de apoio torna-se difícil, mas é vontade de Carlos Vieira encontrar soluções para os "novos pobres". Por fim, e também fruto do elevado crescimento da freguesia, já perto da marca dos 30 mil habitantes, torna-se necessária também "uma nova capela mortuária, porque a actual não tem condições para o actual número de habitantes".

Executivo Junta:

Presidente: Carlos Vieira

Vogal: Manuel Ferreira

Vogal: Emília Machado

Vogal: Armando Araújo

Vogal: Mário Vinhas

Vogal: Marlene Reis

Vogal: Francisco Alves

Mesa da Assembleia:

Presidente: Armando Gonçalves

1º Secretário: Ana Campos

2º Secretário: Paula Borges