Vamos às aulas… com escolas novas e novas atividades

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Emília Santos em visita a escolas

Um novo ano escolar e o habitual nervoso miudinho por parte dos alunos e famílias, mas também por parte do município da Maia. A vereadora da Educação, Emília Santos, nesta entrevista ao Primeira Mão, aponta que há sempre a expetativa própria de mudança no início de um novo ano letivo também no seu pelouro.


Há novidades em termos de acompanhamento escolar e em termos de obras para melhorar as escolas. Recorde-se que desde o início do mandato, a autarquia investiu 8 milhões de euros nas escolas do concelho.

Estamos no início de um novo ano letivo. Como é que a Câmara da Maia encara esse momento crítico do calendário?


O início de um ano letivo é sempre um momento de grande expetativa e algum nervosismo. Não escondemos esse nervosismo. Trabalhamos há largos meses para que tudo corra bem: analisámos à lupa o ano letivo anterior, fizemos o balanço do mesmo no Conselho Municipal da Educação e preparámos o próximo ano em permanentemente articulação com a comunidade educativa.

Enfim, o arranque das aulas não é nunca um princípio, é uma estação a meio caminho. Mas estamos otimistas, porque confiamos no nosso trabalho e no trabalho de todos os que colaboram com o pelouro da Educação e Ciência da Câmara Municipal da Maia (CMM).

Há novos projetos em campos diferentes: ensino do Inglês e ensino Secundário em Pedrouços. Qual o ponto de situação e número de alunos abrangidos por estas medidas?

Quanto ao Inglês, trata-se do PEPPA, destinado ao ensino precoce desta língua. Estamos a dar continuidade ao contacto com o Inglês, que começa desde logo no LUDI+ (serviço de prolongamento de horário no jardim de infância, que disponibilizamos a mais de 60% das crianças). Agora, a autarquia e os agrupamentos de escolas uniram esforços no sentido de colmatar a lacuna do ensino do inglês durante a frequência do 1º e 2º ano de escolaridade (já que nos 3º e 4º anos é obrigatório).


Os professores serão colocados pelo Ministério da Educação e trabalharão em colaboração com o professor de turma. O projeto é supervisionado pela Escola Superior de Educação, do IPP, nossa parceira. Aliás, na CMM não fazemos as coisas apenas por fazer, porque fica bem nas notícias ou nos discursos. Aqui, tudo é levado muito a sério. Cada projeto é validado e monitorizado cientificamente e os resultados são analisados, com vista à melhoria contínua dos trabalhos.


Quanto a Pedrouços, é com muito orgulho que anunciamos a criação do ciclo de estudos secundários neste agrupamento. Os pais e encarregados de educação, juntamente com a autarquia, reforçaram a necessidade que vem sendo sentida. Finalmente vão abrir duas turmas, do ensino regular: Ciências e Tecnologias; Línguas e Humanidades, com 27 e 20 alunos respetivamente. Em paralelo, é dada continuidade aos cursos profissionais existentes desde 2015.

Que outros enriquecimentos promovidos pelo município destaca para o ano letivo?


Posso destacar projetos em patamares diferentes: jardim de Infância; 1º Ciclo do Ensino Básico; 2º e 3º ciclo e ensino secundário.


Ao nível do Jardim de Infância, destaco o LUDI+. O sucesso do projeto no ano letivo passado leva-nos a querer mais. Vamos poder oferecer novas atividades, todas as semanas, às crianças que frequentam o prolongamento de horário. Em cada dia da semana, é dinamizada uma oficina diferente: Faz&Conta (que explora o imaginário infantil); Play English (familiarização com a língua inglesa); PlenaMente (trabalha o campo emocional); Sons&Sentidos (sensibiliza para o ritmo e para a harmonia) e Cria&Explora (impulsiona a curiosidade e a descoberta).


No 1º Ciclo do Ensino Básico, teremos o projeto PEPPA, de que já falei, e sublinho a sua importância porque a compreensão e o domínio oral da língua inglesa prepara as crianças de hoje para serem jovens adultos plenamente integrados, num mundo cada vez mais global e sem fronteiras.


Destaco também o SUPERTABi Maia, com o alargamento do projeto a mais 7 turmas do 3º ano de escolaridade (nas Escolas Básicas de Moutidos, Gueifães n.º 1, Castelo da Maia, Pedrouços, Guarda, D. Manuel II e Arcos), que se juntam às outras 7 (Maia nº 1, Enxurreiras, Gueifães nº 2, Corim, Castelo da Maia, Folgosa e Prozela), que iniciaram o projeto em 2017/2018.


O SUPERTABi Maia, que conta com o apoio do município, em estreita articulação com os agrupamentos de escolas e os pais, atua em 3 vértices: atribuição de tablets a cada aluno e seus professores, criação de condições para a formação de professores com vista à alteração de práticas pedagógicas e, por fim, a conversão das salas de aula em espaços distintos, modulares e adaptáveis à dinâmica que o “professor-orientador” defenda.


É todo um plano (formação a professores, novo mobiliário e equipamento) para que a sala de aula se transforme num ambiente educativo inovador, revelando-se uma excelente alavanca do sucesso escolar. Aquilo que nos outros lados se chama de “sala de aula do futuro”, na Maia, já é o presente. Temos todos de nos orgulhar disso enquanto concelho!


A partir deste ano letivo, cada agrupamento de escolas terá à sua gestão um armário com 25 tablets para que outros alunos e outros professores possam pôr em prática esta metodologia de ensino-aprendizagem.


Ainda no 1º Ciclo, destaco os Desafios para a Equidade na Educação e os Desafios em Férias. Fruto de um enorme investimento, mas sobretudo com muito carinho e sentido de responsabilidade, a autarquia intervém diretamente junto das famílias de crianças com necessidades de saúde especiais. Durante os períodos letivos, oferecemos aos alunos integrados nos Centros de Apoio à Aprendizagem, sessões semanais de musicoterapia, natação adaptada e terapia assistida por cavalos.


Nas interrupções letivas e nas férias de verão, é também organizado um plano semanal de atividades para estes alunos. Por exemplo, nas últimas férias de julho, os alunos puderam divertir-se nas piscinas da Quinta da Gruta; tiveram aulas de surf; visitaram a Quinta de Santo Inácio e o Parque Aventura da Lipor; brincaram no Magikland e no Parque Raró; descobriram o Planetário e vivenciarem os efeitos positivos da musicoterapia, cinoterapia e inúmeras atividades com cavalos. 


Estas ações promovem o bem-estar das crianças com necessidades de saúde especiais e, ao mesmo tempo, apoiam os seus cuidadores. A felicidade de cada criança e das suas famílias são a maior recompensa. E não nos podemos esquecer que as crianças levam para o futuro tudo o que de bom lhes damos no presente.


Quanto aos 2º e 3º ciclo e ao ensino secundário, destacamos duas coisas: a Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola (UAARE) no Agrupamento de Escolas do Castelo da Maia e a atribuição de Passes Escolares aos alunos do Ensino Secundário.


As UAARE fazem a ligação entre os agrupamentos de escola, os encarregados de educação, as federações desportivas e seus agentes e os municípios. O objetivo é conciliar a atividade escolar com a prática desportiva de alunos/atletas do ensino secundário no regime de alto rendimento ou seleções nacionais.


Há 16 UAARE em Portugal e a Maia tem uma, no Agrupamento de Escolas do Castelo da Maia. Porquê? Porque somos um concelho do desporto, com muitos e bons atletas. Já implantámos este projeto na Escola Secundária da Maia, vamos agora fazê-lo no Castelo. Atendendo ao número de atletas de alto rendimento que a Maia tem, encontramos neste projeto a solução para o sucesso, não só desportivo, mas também académico, uma vez que esta unidade disponibiliza ensino à distância.


Quanto à atribuição de Passes escolares, a CMM vai suportar, a partir deste ano letivo, os passes escolares aos alunos do ensino secundário que estudem no concelho ou que, por falta de vaga, sejam obrigados a estudar fora. Os alunos/encarregados de educação interessados nesta medida devem candidatar-se ao subsídio através do formulário disponível em cada escola ou via Portal da Educação da CMM.


A candidatura, depois de autenticada pela escola, tem que ser entregue no gabinete municipal de atendimento para ser avaliada pelos serviços da Educação e Ciência. Este apoio não fica condicionado a um operador de transporte, mas considera as várias opções de mobilidade: Maia Transportes, Arriva, STCP e o Metro do Porto, privilegiando o Andante pela sua atual abrangência.

Em termos de condições físicas, qual o ponto de situação de obras finalizadas para o início do ano escolar e o investimento global no concelho?

Relativamente às Escolas EB 2,3 da Maia e EB 2,3 de Gueifães, os alunos vão iniciar as aulas nas novas salas, ainda que permaneçam alguns trabalhos menores até ao final do mês de outubro.


Quanto à EBS Dr. Vieira de Carvalho, as aulas já vão iniciar nos amovíveis, prevendo-se o início da obra de requalificação e ampliação ainda este mês.
Nas escolas do 1º ciclo, destaco a grande obra de remodelação da EB de Moutidos. Esta era uma intervenção há algum tempo aguardada e que vai dotar a escola de excelentes condições para que os alunos possam aprender e descobrir e os professores possam orientar o trabalho das suas turmas da melhor forma.


Nas restantes escolas em breve todos vão reparar nas alterações que estão a ser feitas nos espaços exteriores, nomeadamente a colocação de material desportivo nas escolas básicas do Corim, de Porto Bom, do Castelo da Maia e da Cidade Jardim.


Também no parque escolar do 1º ciclo estão a ser asseguradas necessidades como o conforto térmico (colocação de aparelhos de ar condicionado e colocação de películas refletoras), a drenagem de águas, novos parques infantis ao dispor das crianças, coberturas entre edifícios, repavimentação de superfícies e as normais obras de manutenção. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para que as nossas escolas sejam mais dinâmicas, com alunos mais capazes, um corpo docente mais motivado, as famílias mais confiantes e felizes e uma comunidade local mais presente e humanizada.


Quanto a investimento, posso dizer que é bastante elevado, mas é mesmo entendido como um investimento no futuro e não como uma despesa. Desde o início do mandato, a Câmara Municipal da Maia investiu mais de 8 milhões de euros em obras de requalificação e ampliação do parque escolar.

No que respeita a meios humanos, qual o ponto de situação?


No início do passado ano letivo, contratamos 16 assistentes operacionais. Na reta final do ano, a autarquia, contratou mais 10 assistentes operacionais e 5 assistentes técnicos.

Estamos a trabalhar no sentido de antecipar as necessidades de recursos humanos que se farão certamente sentir. Ultrapassando os limites das suas competências, a autarquia encontra-se em processo de candidatura a 64 Contratos Emprego-Inserção de forma a reforçar as equipas não docentes das escolas. E porque passamos os limites? Porque percebemos que o acompanhamento próximo e a vigilância contínua das crianças se refletem positivamente na sua segurança e desenvolvimento.

Maia rejeitou as competências do âmbito da Educação? Por que motivos?

Sim, rejeitamos. Temos consciência de que trabalhamos com dinheiros públicos.
Aceitar uma transferência de competências em Educação implica receber um envelope financeiro correspondente.


Adivinhámos que aquilo que nos era proposto não era o suficiente para fazer face às exigências de manutenção e obras de reabilitação normais de um parque escolar da envergadura daquele que o município da Maia tem.
Por este motivo, solicitámos uma avaliação do edificado a uma entidade externa com competência na matéria, de forma a percebermos qual o impacto financeiro que tal transferência acarretaria.


Estamos, portanto, a preparar o município para o que vai acontecer em 2021. Com a transferência de competências em matéria de Educação, vamos ganhar em proximidade, mas deveremos ter sempre em mente o interesse público.