Amo-te papá!

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“Mais de 54 milhões de europeus vivem sozinhos e dois em cada três lares não têm nenhuma criança, segundo um relatório sobre a evolução da família na Europa, apresentado no Parlamento Europeu. O documento foi elaborado pelo Instituto de Política Familiar (IPF)”, informava, há cerca de um ano, o jornal O Primeiro de Janeiro.

A notícia é alarmante. À primeira vista, digo eu. Mas nesta “Era Económica”, onde quem manda só vê números e não pessoas… No tempo em que o Homem mata à fome o outro homem com a bandeira da economia na mão. No mundo gerido pela especulação – qual luta “glória” contra tudo e contra todos. No suspiro final do tempo dos recursos naturais. No tempo, sem tempo, de correrias, de atropelos, de teclados, gráficos, bolsas, violência, poluição, de cinzentões e cinzentonas. Será lúcido perguntar: Vale a pena pôr uma criança no mundo?
Apesar de tudo, acho que sim. Vale pela coragem, pela experiência única, pelo despertar da consciência, da responsabilidade. Vale pelos sentimentos que se misturam numa amálgama rodopiante. Vale, também, pela luta que será deixar-lhe um legado limpo. É esse o nosso dever.

A solução mais fácil será, na minha opinião, não gerar. Mas a solução de Homem é, sem dúvida, gerar. Porque, para mim, não há nada mais importante do que sentir os braços dos meus filhos contra o meu corpo, e aquelas vozes sorridentes a dizerem: “Amo-te papá!”

Além do Dia de Receber, não morro de amores pelos “Dias De”

São várias as razões em que fundamento esta ideia. De tão variadas apenas vou expor algumas o que, por si só, representa já um esforço de síntese quase tão bom como as razões do pimeiro-ministro para recusar levar o PEC 4 à Assembleia da República.
Mas o “Dia De” qualquer coisa faz-me comichão, precisamente na zona do cavado poplíteo, uma parte que não é fácil de coçar principalmente se formos na rua com muitas pessoas por perto, fazemos figura parva e ainda podem pensar que estamos a apanhar morangos ou algo muito mais deselegante.
Daí que resolvi falar deste enorme problema que me atormenta. Serve para desabafar e sempre vou cumprindo as indicações do meu psiquiatra, para que evite recalcamentos.

Sem querer ser fastidioso peço para centrar a abordagem ao tema, por exemplo, só neste mês de Março. Ainda há coisa de 2 PECs atrás, se comemorou o Dia da Mulher e já aí está o Dia do Pai!!!
Acho, no mínimo, pouco democrático. Afinal quem é que teve autorização para marcar estes dias, um a seguir ao outro? Houve alguma intenção? Alguma norma?
Foi discutido pelas Associações de Pais? (Bem por essas não acredito, andam entretidos com outras coisas e por acaso muito caladitos desde a discussão das marcas dos cadeados que iriam fechar as portas das escolas por falta de aquecedores no inverno.)
Só pode ter sido por uma mulher. Isso mesmo! Por uma mulher.
Calma eu explico.

Porque carga de água se comemora o Dia da Mulher e depois o Dia do Pai?
Dia da Mulher! Dia dedicado a elas, quando devem ter tudo, quando podem fazer tudo, ter todos os miminhos, ir a todo lado umas com as outras, ter descontos nos bares, lojas, receberem rosas na rua só porque é o seu dia, etc…enfim, é liberdade total.
E o que deixam para nós?
O dia do Homem? Não! O Dia do Pai.
Que é como quem diz, vá lá para não ficares amuado aqui tens um diazito para ti, mas não te esqueças que tens filhos e tens de estar em casa a horas.
Não podes sair com os amigos, porque os meninos querem partir-te as costelas todas saltando-te em cima durante três horas seguidas e construir pela enésima vez o puzzle do Spongebob.
Como recompensa levas um azulejo, pintado à mão, com um boneco de bigode que diz Pai.
Ainda por cima, porque é o teu dia, és tu quem lhes dá a papa, o banho (só para socializares com o teu filho), vestes o pijama, e aguentas, sempre com um sorriso, cinco horas de berreiro até ele adormecer.
Bonito!
Por estas e por outras é que me aparece a tal comichão no cavado poplíteo!

Victor Cardoso