Especial Vila Nova da Telha: o preço da ocidentalidade

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Vila Nova da Telha é a freguesia mais ocidental do concelho da Maia. Um afastamento do centro que se tem pagado caro nos últimos tempos, principalmente no que diz respeito à segurança. Vila Nova da Telha e Moreira da Maia continuam a ser as duas freguesias que mais reclamam face ao sentimento de insegurança que por lá se vive. Vila Nova da Telha tem como particularidade ser a única freguesia da Maia que é governada por uma lista independente, liderada por Pinho Gonçalves, que renovou o mandato nas últimas eleições autárquicas e que quer continuar a colocar a freguesia no mapa.
O facto de ser independente não quer dizer que Vila Nova da Telha viva à margem da cidade da Maia. Pelo contrário, acrescenta Pinho Gonçalves. “Eu não sou contra os partidos, tenho a minha opinião pessoal e política. Concorri como independente e sinto que esse modo de estar é benéfico, porque estou sempre à vontade para dizer o que sinto e o que penso”, desabafa o responsável pela freguesia de Vila Nova da Telha. “Tento ter uma boa relação com todas as forças políticas e com a câmara um esforço para que tudo corra bem. Sei quando devo falar, sei quando devo estar calado e isso é bom”. O mesmo pensam outros autarcas, como confessa Pinho Gonçalves. “Às vezes os meus colegas das outras juntas de freguesia dizem-me que é com o facto de eu ser independente que vou levando a água ao meu moinho”, revela o autarca.

Pinho Gonçalves dedica-se a tempo inteiro à junta de freguesia de Vila Nova da Telha. Isso dá-lhe uma perspectiva especial da freguesia. “Falo muito com as pessoas e elas falam muito comigo”. E graças a esta gestão de proximidade, confessa estar à vontade para dizer que a junta podia fazer “melhor e mais barato” se tivesse mais poder e mais independência financeira. “Eu tenho uma boa relação com a câmara, sinto que a nível das minhas ligações com os membros da autarquia são excelentes, mas simplesmente não consigo tudo”, queixa-se. “Sei que são 17 freguesias a pedir a mesma coisa e reconheço que a câmara tem uma estrutura muito pesada. Há alguns departamentos que não têm a devida noção e não dão o devido valor a alguns presidentes de junta. Há muitas demoras naquilo que nós pedimos. Um ofício pode dar muitas voltas na câmara e quase que se perde o seguimento. É necessário insistir duas, três vezes. Situações que conhecemos bem no terreno e há técnicos que desvalorizam um pouco”, desabafa.

Pinho Gonçalves reclama, desta forma, “o melhor” para a freguesia e diz que “não há melhores avaliadores” do que os presidentes de junta. “Reconheço que temos tido bastantes obras na freguesia, mas como dizem os fregueses queremos é saber aquilo que não foi feito”, acrescenta, porque “as pessoas cada vez são mais exigentes”.

A junta de freguesia habita no novo Centro Cívico de Vila Nova da Telha, inaugurado em Dezembro de 2008. Um centro cívico novo que tem sido utilizado para ministrar cursos das Novas Oportunidades à população mais desfavorecida. População que acorre agora com mais frequência à junta de freguesia para pedir auxílio ao executivo. A resposta é dada pelo Gabinete de Apoio Integrado Local, “um serviço muito importante e extremamente valioso porque as pessoas sentem ali um apoio muito grande às suas dificuldades, quer seja na habitação, na saúde, no emprego ou até mesmo na violência doméstica”, diz o presidente da junta de Vila Nova da Telha, Pinho Gonlçalves. “As coisas vão-se resolvendo, não sempre como as pessoas queriam, mas pelo menos vamos resolvendo”, acrescenta.

Em termos de educação, tudo está bem em Vila Nova da Telha. “Está acima da média”, diz Pinho Gonçalves, que considera ser um presidente bastante interventivo no sector da educação, muito atento ao parque escolar da freguesia. “Vou ver as escolas, falo com os coordenadores, vejo os alunos, vejo se está tudo bem, até dou aulas de política autárquica às vezes. E os alunos conhecem-me, sabem que estou próximo da educação e sei que isso é o futuro”.
Na saúde, os problemas também estão supridos. Pelo menos para já. A freguesia está agregada ao centro de saúde de Pedras Rubras. “O centro de saúde funciona bem, é uma estrutura moderna”. Mas o problema é chegar lá. Pinho Gonçalves queixa-se da “distância e da falta de transportes” para os utentes do centro de saúde, que nem sempre encontram uma maneira de chegar à unidade médica pelos seus próprios meios. “Está prometida uma ligação entre Vila Nova e Moreira que reduziria em muito as dificuldades que as populações mais idosas têm em se movimentar”. Até agora ainda não existe e isso levanta uma questão: por que razão Vila Nova da Telha ainda não tem uma unidade de saúde? É uma pergunta que tem surgido, confessa Pinho Gonçalves.

Vila Nova da Telha tem agora cerca de 7000 habitantes, está a crescer, mas a prioridade, diz o actual presidente da junta, é mesmo melhorar os transportes e construir novos acessos às freguesias que fazem fronteira com Vila Nova da Telha. Algo que agora ainda não acontece mas que deve ser solucionado a médio prazo.

O eterno problema da insegurança

Do que Vila Nova da Telha precisa mesmo é de mais segurança. É essa a opinião dos moradores e dos estabelecimentos que continuam a ser assaltados várias vezes. Na semana passada foi a vez da Confeitaria Lu, assaltada pela quarta vez, conforme notícia avançada por PRIMEIRA MÃO. É só uma das muitas que já receberam visitas dos amigos do alheio. Um problema sério que exige medidas sérias. Mais segurança que é reivindicada pelos habitantes da freguesia há muito tempo e que neste capítulo unem a voz aos habitantes da freguesia vizinha, Moreira da Maia, há muito à espera de uma prometida esquadra que, até agora, ainda não nasceu. A resposta que é dada aos autarcas pelo Governo Central é de que o posto da GNR no Castelo da Maia chega para dar resposta ao concelho da Maia. Pelo menos foi isso que ouviu Pinho Gonçalves, quando pediu “satisfações” ao gabinete do ministro da Administração Interna, Rui Pereira. Uma resposta que não deixa sossegados nem os autarcas nem quem vive na zona ocidental do concelho. “Já há muito tempo que reclamámos por mais segurança. Queremos a instalação de um posto de polícia em Moreira. No entanto, recebi há dois meses um ofício dizendo que a situação actual é suficiente para satisfazer os casos de Vila Nova da Telha. Todos nós sabemos que isso não é assim. Há um relatório da GNR que nos dá conta do índice de assaltos na freguesia e não é animador”, diz Pinho Gonçalves. Outra das soluções seria o reforço do efectivo policial na esquadra do Castelo da Maia, mas tal também não se verificou possível. A população ocidental do concelho da Maia vive em sobressalto. Pinho Gonçalves diz que houve moradores que até já equacionaram a contratação de seguranças privados para vigiarem as ruas da freguesia em períodos do dia mais “críticos” em termos de assalto. Por agora, é preciso ter cuidado, porque a insegurança continua.

Os assaltos são um problema. Mas a freguesia distrai-se e com produção própria. A periferia, às vezes, paga-se caro, mas isso não parece ser o caso de Vila Nova da Telha. No caso da oferta cultural é assim – é preciso criar iniciativas porque a cidade está longe para alguns. Colóquios, conferências, tertúlias, danças de salão e mais actividades são regularmente levadas a cabo em Vila Nova da Telha, porque há sectores da população que não se podem dar “ao luxo” de fazer a viagem entre a freguesia e o centro da Maia. Esse facto obriga a junta de freguesia a trabalhos acrescidos, “por vezes até mesmo físicos”, revela Pinho Gonçalves. “Nós temos uma organização e temos que sobreviver, com as nossas capacidades e também com um certo amor à causa pela qual lutamos. Com dificuldades, mas estamos sempre disponíveis para poder colaborar e ajudar os fregueses”. O resultado tem sido positivo: “Fico satisfeito por saber que os serviços da junta de freguesia são cada vez mais procurados”, ressalva Pinho Gonçalves, que diz estar “preparado” para cumprir tudo aquilo que prometeu nos próximos três anos de mandato.

Pedro Póvoas