Obra orquestral “1519” celebra a Maia e é lançada amanhã

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O lançamento da obra orquestral “1519” é feito amanhã, terça-feira, pelas 12 horas, nos canais digitais do Município da Maia: site e redes Facebook, Instagram e Youtube.

As obras sinfónicas foram compostas por Victor Sampaio Dias para comemorar os 500 anos da outorga do Foral da Maia.
As quatro obras sinfónicas inéditas foram interpretadas em estreia absoluta no concerto de gala comemorativo desta efeméride, no grande auditório do Fórum da Maia, na noite de 14 de dezembro de 2019, integrando o programa oficial do Município da Maia para a celebração da data, que no dia seguinte, contou com a designação de um conjunto de instituições e personalidades como embaixadores das comemorações que estão a decorrer num período de três anos, encerrando oficialmente em dezembro de 2021.

Nessa cerimónia que ocorreu precisamente no dia em que se completaram 500 anos após a outorga daquele importante documento, os embaixadores designados receberam uma réplica da Obra de Arte criada expressamente para assinalar a efeméride, por Álvaro Siza Vieira. Devido à pandemia que, entretanto, se abateu sobre o mundo, o programa das comemorações foi substancialmente reduzido.

O CD “1519” contem a abertura sinfónica em três andamentos que o compositor intitulou “1519”; Maia Rurália (obra orquestral); Maia Urbanitas 2019 (obra orquestral); e Ousamos Sonhar (obra para coro infantil, soprano e orquestra composta sob o poema homónimo de Mizé Rouxinol).

Victor Sampaio Dias Nasceu na Maia em 1962.

Compõe canções para crianças desde 1985, tendo participado nessa qualidade em inúmeros festivais nacionais e internacionais, como a Gala dos Pequenos Cantores na Figueira da Foz ou o Festival Mundial da Canção Infantil – Sequim D’ Ouro (Itália). Obteve nestes festivais honrosas classificações, arrebatando muitas vezes os prémios de melhor música e melhor canção para a infância.

É desde a sua fundação, o maestro do Coral Infantil Municipal dos Pequenos Cantores da Maia e também do Grupo Vocal Municipal dos Jovens Cantores – Amigos da Música – instituições residentes no Fórum da Maia, sendo também compositor de parte muito significativa do seu reportório.

Descrição do álbum 1519:

O álbum discográfico editado em formato CD contem uma série de 4 obras de Música Orquestral compostas por Victor Sampaio Dias, expressamente criadas para integrar o programa das comemorações oficiais dos 500 ANOS DA OUTORGA DO FORAL DA MAIA, facto histórico que ocorreu a 15 de dezembro de 1519.
As quatro obras sinfónicas inéditas foram interpretadas em estreia absoluta no concerto de gala comemorativo desta efeméride, no grande auditório do Fórum da Maia, na noite de 14 de dezembro de 2019, integrando o programa oficial do Município da Maia para a celebração da data.
A par desse objeto artístico, a Música composta por Victor Sampaio Dias constitui igualmente uma das representações simbólicas dotadas de significado estético que a Câmara Municipal da Maia, através do Pelouro da Cultura replicou para difundir esta celebração.

Conteúdo do álbum 1519

O CD intitulado 1519 contem:
1 – 1519 (abertura sinfónica em três andamentos)
2 – MAIA RURÁLIA (obra orquestral)
3 – Maia Urbanitas 2019 (obra orquestral)
4 – Ousamos Sonhar (obra para coro infantil, soprano e orquestra composta sob o Poema homónimo de Mizé Rouxinol).

Intérpretes:

A interpretação das obras na sua estreia absoluta foi assegurada pela Orquestra do Norte sob a direção do Maestro Fernando Marinho, que em OUSAMOS SONHAR contou com a participação de Ana Barros, soprano, do Coral Infantil Municipal dos Pequenos Cantores da Maia, sob a direção de Ana Lídia Rouxinol.
No segundo andamento da Abertura 1519, participou Jaime Correia, na gaita de foles, tocando num instrumento expressamente construído para a estreia da obra por Jorge Lira.

“1519”

Esta obra é dedicada ao Povo da Maia, mulheres e homens da grande terra da Maia que ao longo de cinco séculos, aqui sonharam, amaram e pela força do seu querer, engenho, Arte e trabalho, foram construindo a comunidade que somos hoje.

Abertura Orquestral (em 3 andamentos)
1) Maya, Terra Mater, Vita Hominum;
2) Sphaera Mundi: Ad astra per aspera;
3) Spes nostra, Infinito.

1) Maya, Terra Mater, Vita Hominum – 1º andamento, Adágio para cordas

A simplicidade da melodia e o ritmo lento pretendem significar a ideia de um momento original e fundador, do qual parte um caminho de organização em ordem à evolução e à natural complexidade e diversidade, que esse trajeto vai acarretar no futuro. Futuro que os andamentos subsequentes se encarregarão de simbolizar.

Os contrabaixos evocam a marcha lenta do tempo histórico, numa progressão que suporta a base harmónica de todo o andamento e que vai surgindo de forma intermitente, representada, com maior ou menor dinâmica, pelo pizzicato de algumas cordas.

Passados os compassos iniciais, a melodia vai abrindo a sua extensão, descrevendo intervalos mais alargados, que permitem espalhar a harmonia por forma a criar um cenário naturalista idílico, representado pela paisagem musical.

A opção pela utilização exclusiva das cordas, neste primeiro andamento, é intencional, tendo como finalidade criar a imagem paisagística do território da Maia no século XVI. Uma imagem mental sugerida por Música produzida por instrumentos que imaginariamente nos remetem para as entranhas da madeira.

Violinos, violas, violoncelos e contrabaixos, cujas sonoridades tímbricas adquirem volume e textura, ressoando no lenho extraído das árvores, apresentam-nos uma ideia da baixa densidade demográfica, em contraponto à dimensão e vigor telúrico da Natureza.

Os diferentes recursos de dinâmica e expressão sublinham precisamente as dinâmicas e expressividade com que a Natureza nos revela as suas forças.

Simbolicamente, a matéria-prima de onde se retira a essência da ressonância harmónica que carateriza este andamento, coincide propositadamente com a matéria-prima base que nos idos de 1500 fez flutuar o sonho que nos levou além da Taprobana.

O clima épico criado dentro da cintura harmónica em que a Música se desenvolve, pretende convocar para o seu conteúdo, a ideia da epopeia quinhentista portuguesa em que o Rei D. Manuel I assume um inequívoco e inconfundível protagonismo. Contribui para este clima épico, a majestosa solenidade que a Música pretende criar, sugerindo imaginariamente, o pré-anúncio da realeza e do seu séquito.

2) Sphaera Mundi: Ad astra per aspera;
2º andamento, allegro moderato

Neste andamento a presença invisível do Rei é invocada logo no início com o surgimento da gaita de foles, instrumento que em 1500, aquando do achamento do Brasil, foi utilizado para lançar pontes entre a tradição cultural Lusa e os gentios nativos que se abeiraram nas praias da Baía com espanto que este instrumento logrou quebrar, transformando a chegada dos portugueses numa festa.

O clima social supostamente vivenciado na corte do “Venturoso” monarca, inspira o ambiente musical traduzido por uma melodia pautada por pequenas sequências de intervalos que enriquecidos por uma harmonia apropriada, nos remetem para o ambiente estético do Renascimento.

O iluminismo renascentista, de que D Manuel I se tornou figura proeminente no Portugal de então, é assinalado na obra, com uma fusão parcimoniosa das cordas, madeiras e metais, contida numa estrutura musical que procura respeitar os recursos da época.

Por sua vez, a ESFERA ARMILAR, mística divisa inspiradora do Rei na gesta dos descobrimentos, surge quase no fim do andamento, representada por apontamentos harmónicos densos que projetam a atenção e, porventura, o pensamento para o universo.

A tensão que simboliza a influência exercida pelos conselheiros do Rei, para que a assinatura do pergaminho seja o desfecho final, está patente na sucessão de acordes que antecede a súbita entrada em ação das cordas, descrevendo o movimento da pena, a que se sucedem os inevitáveis pontos que solicitam a aposição do selo real pelo chanceler da Coroa, numa intervenção final dos timbales em simultâneo com o tutti da orquestra após resposta à chamada do brevíssimo apontamento do pizzicato das cordas.

3) Spes nostra, Infinito.
3º andamento – Andante ma non tropo

O devir da história, trazido pela marcha do tempo num andamento mais rápido do que os anteriores, afigura-se simbolicamente numa linguagem musical que faz a ponte entre os cinco séculos para desembocar num estilo moderno e, porventura, musicalmente mais ousado.

A variedade no uso dos jogos tímbricos, pretende significar a diversidade cultural que caracteriza atualmente o matiz da realidade social e demográfica da comunidade maiata.
A multiplicidade dos recursos dinâmicos e os contrastes rítmicos pretendem significar as dinâmicas sociais e os diferentes ritmos da vida moderna no território.

Curtas intervenções solísticas de instrumentos que representam os seus naipes, erguem-se como vozes participantes no diálogo social e democrático, para se fundirem de seguida na harmonia do compromisso sinfónico de transmitir a celebração da memória, da partilha dos sentimentos identitários de pertença cultural, da Paz e coesão social na comunidade concelhia da Maia, ao completar 500 anos de Foral Manuelino.

Os momentos de tensão tendem a uma resolução harmónica desanuviadora, própria da vida quotidiana e da multiplicidade de relações que a animam. É essa a proposta estética que a distribuição da harmonia vai procurando transmitir ao longo deste andamento, a par de uma frequente retoma do tema principal, numa simbólica demonstração de que o coletivo orquestral, tal como a comunidade humana por si representada, nunca perde o sentido nem o rumo, sabendo para onde caminha.

Na organização harmónica que antecede a sequência de acordes finais, é possível descortinar a aproximação de uma progressão sinfónica exuberante que exalta a chegada do final festivo.

O devir é a Paz e a harmonia plena, que remete para o infinito, onde reside o desejado futuro de confiança que ainda não nos é dado conhecer, mas apenas sonhar.
A solenidade majestosa cuida de assegurar a nobreza da antiga Terra da Maia umbilicalmente ligada à fundação de Portugal e há cinco séculos detentora de Foral Régio.

Maia Rurália

“Maia Rurália” pretende tão somente ser uma paisagem musical, que procura, pese embora a abstração da Música, significar diversos momentos, que povoam o imaginário coletivo das maiatas e dos maiatos que preservam na memória, imagens mentais de uma Maia eminentemente rural, que nas últimas décadas foi cedendo espaço à Maia urbana que hoje predomina.

Na primeira parte da obra, o compositor procura resgatar a harmonia da Natureza, invocando os ciclos determinados pelo nascer e pôr do Sol, apresentando simbolicamente os matizes que as diversas fases do dia vão proporcionando aos sentidos, ora numa toada mais vibrante e luminosa, ora apresentando ambientes mais bucólicos e pitorescos próprios da ruralidade.
Numa segunda parte, claramente marcada por outro ritmo, é sugerida a azáfama dos modos de vida rural, com as suas laboriosas dinâmicas, marcadas por um vigoroso trabalho braçal.

Ao longo da obra surgem motivos melódicos que pretendem ilustrar a simplicidade da linguagem das gentes do Mundo Rural, que no seu duro quotidiano ou nos momentos de animação e festa, se expressam numa gramática própria da cultura popular, marcada por estruturas musicais simples e, aparentemente, intuitivas e óbvias, por forma a facilitar a sua memorização.

“Maia Rurália” é uma obra sinfónica, também oferecida ao público em versão para banda filarmónica, que de forma simbólica se assume como uma homenagem do seu compositor,, ao Mundo Rural da Maia e à influência que essa cultura, rica de saberes e de vivências, teve na sua formação humana, social, cívica e cultural.

Maia Urbanitas 2019

“Maia Urbanitas” sucede a “Maia Rurália”, procurando criar uma paisagem musical que retrate a atmosfera urbana que a Maia vive em pleno século XXI, contrapondo esta obra ao clima musical que traduz a ruralidade.
As tensões harmónicas, as diferentes vozes que se erguem, os contrastes rítmicos, vão sucedendo numa “aparente precipitação” que nunca perde o sentido. O sentido de uma diversidade de modos de vida e de expressão que adensam a coesão interna da cidade e da obra que procura a sua representação.

Após o impacto inicial do nascer do dia e do bulício próprio da alvorada citadina em que os urbanitas começam a sair dos seus redutos rumo ao labor quotidiano, instala-se a natural inquietude de uma Maia magnética, vibrante, dinâmica e diversificada nos modos de ver, ser e estar na comunidade e no Mundo,

Mais tarde, surge a harmoniosa serenidade da noite, momento em que a tranquilidade do descanso se representa por um equilíbrio das linhas melódicas, servidas por uma harmonia que se espalha suavemente, para regressar ao dealbar do dia, retomando o ciclo transformador que deixa em suspenso o devir…

Tal como “Maia Rurália” “Maia Urbanitas” tem um caráter musical claramente descritivo que obedece a um programa mental de pintura musical da paisagem urbana edificada e povoada. Uma pintura musical composta por camadas sucessivas que dão consistência a uma espessura sinfónica despretensiosa, mas livre. Despretensiosa porque não almeja integrar nenhum movimento ou corrente estética do panorama musical contemporâneo. E livre, porque a única obediência do compositor é à vontade própria de expressar, em música, a sua perceção da vida urbana da Maia do seu tempo, 500 anos após a concessão do Foral da Terra da Maia, por D. Manuel I.

Ousamos sonhar

“Ousamos sonhar” é uma obra orquestral para coro infantil e mezzo soprano que encerra o conjunto de quatro obras compostas para as comemorações dos 500 anos do Foral da Maia pelo compositor Victor Sampaio Dias.

Partindo do significado simbólico do Poema homónimo de Mizé Rouxinol, a obra propõe uma estrutura melódica e harmónica que procura sublinhar os momentos mais marcantes do texto escrito dando ênfase às expressões mais fortes que reforçam o sentido metafórico das imagens carreadas para o Poema.

O fio condutor da estrutura musical tem como finalidade primordial o sonho, que a Música pretende evocar nas suas tensões, desanuviamento e inspiradora serenidade, que nos conduz à realidade da ação que faz acontecer e tudo concretiza.

Esta obra, embora composta com o propósito de comemorar uma efeméride significativa para a Maia, assume um caráter universal, posto que apesar das diversas referências implícitas ao território, à gesta quinhentista e à ousadia de sonhar novos mundos, pela simplicidade do texto, mas também pela abrangência da sua dimensão simbólica, acaba por poder ser adotada por outras geografias humanas que se revejam no seu conteúdo semântico, no que contempla de apelo a um sentido de pertença identitária mais abrangente.

OUSAMOS SONHAR
Poema: Mizé Rouxinol

Naqueles campos de linho,
Ousamos sonhar o Mundo,
Com trabalho e com alento.

Assim fizemos caminho,
Ganhando a cada segundo,
A força que dava o Vento.

Se olhares o firmamento,
Seguindo a Estrela Polar,
Terás no teu pensamento
Aquela Esfera Armilar.

Unidos pela confiança,
Ousamos acreditar,
Num futuro de esperança,
Que nos foi dado sonhar.