Época Natalícia

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Diz o ditado popular que “o melhor da festa é esperar por ela”. Para muitos portugueses as vésperas do Natal são uma altura única, marcada pela preparação para o dia 24 de Dezembro. Prendas, enfeites e receitas natalícias, tudo ajustado e previamente planeado para que nada falte à festa. A mesa de Natal é uma mistura complexa, farta e variada. São vários os doces que se apresentam à mesa, desde os importados aos tipicamente portugueses. Por norma, é uma temporada de alguns excessos mas mesmo nesta fase a saúde não deve ser descorada. Há, pois, que analisar a mesa de Natal com os petiscos que tão bem a compõem.

O bacalhau, o azeite, as couves, as batatas cozinhas, os frutos secos, os doces fritos como as azevias, sonhos, rabanadas, filhoses e pastéis, os chocolates e o bolo-rei e pão-de-ló são dos pratos obrigatórios na mesa dos portugueses.

O bacalhau além der ser um alimento tradicionalmente mais consumido em Portugal por alturas natalícias, é uma escolha saudável. É um dos peixes com maior teor de proteína e com menos gordura.

O azeite é conhecido e apreciado internacionalmente e acompanha maravilhosamente os pratos da cozinha mediterrânea. No Natal, o azeite não falta na mesa dos portugueses para acompanhar o bacalhau, as batatas cozinhas e as couves. O azeite reduz o colesterol e ajuda a prevenir as doenças cardiovasculares, devido ao alto teor de ácidos mono insaturados. Além disso é uma fonte rica em vitamina E, que protege contra o cancro e as doenças do coração.

As couves são o melhor acompanhamento para servir o bacalhau. São ricas em fibras, clorofila, vitamina C e B. As couves contribuem para uma sensação de saciedade e são praticamente desprovidas de calorias. As couves são também essenciais para prevenir a obstipação.

A batata contém uma elevada percentagem de água. É uma boa fonte de amido mas também de alguns minerais como o potássio. O seu teor em proteínas, fibras e vitaminas é escasso. Destacam-se as vitaminas C e B6, que existem sobretudo na pele do tubérculo, no entanto, nas batatas descascadas e nas que são submetidas a processos de cozimento, este teor vitamínico vê-se substancialmente reduzido. Embora o teor calórico da batata não seja muito elevado, este pode triplicar em processos como a fritura, uma vez que o tubérculo absorve grande parte da gordura usada no método culinário.

O Natal não seria completo sem a tradicional mesa repleta de doçaria e gastronomia festiva, onde os frutos secos desempenham um importante papel. A maioria da gordura dos frutos secos é essencialmente gordura mono insaturada e polinsaturada, e contém uma baixa percentagem de gordura que aumenta o nível de colesterol. A gordura monoinsaturada, e particularmente a polinsaturada, baixa o colesterol LDL (mau colesterol) e os níveis de lípidos no sangue. No entanto, e tendo em conta o perfil lipídico dos frutos secos, a sua capacidade para reduzir o colesterol é maior do que a esperada. Assim, é provável que, sendo o seu consumo habitualmente em baixas quantidades, os seus efeitos se façam sentir para além da redução dos níveis de colesterol.

O costume dos fritos na mesa natalícia envolve não só a prova obrigatória das muitas e saborosas variedades destes típicos doces, mas também a arte da sua confecção. Em muitas cozinhas, as azevias, sonhos, rabanadas, filhoses e pastéis são preparados da mesma forma há anos. Mas as receitas incorrem constantemente no mesmo crime: excesso de açúcar, excesso de ovos, excesso de gorduras.
O chocolate além de proporcionar sensações de prazer e bem-estar beneficia a saúde do coração, uma vez o chocolate contém o flavonóide, uma substância presente na semente do cacau que age como protector cardiovascular. Quando absorvida, a substância funciona como um filtro sanguíneo que ajuda na redução da formação de placas de gordura e transforma o colesterol LDL em substâncias benéficas para o bom funcionamento do coração. O chocolate é um alimento bastante enérgico, que oferece força e resistência. No entanto, a gordura e o açúcar são os principais constituintes do chocolate e o consumo elevado de açúcar, para além de aumentar o valor calórico dos alimentos têm implicações na saúde oral e risco de obesidade e diabetes tipo 2.

O bolo-rei, de origem francesa, chegou a Portugal no final do século XIX, onde lhe mudaram o nome, com a proclamação da República, para bolo-presidente ou bolo-Arriaga. Mais tarde, recuperou o título e ganhou poder para se “sentar”, até hoje, no centro da mesa de Natal do país inteiro. O bolo-rei, quando comparado com outros doces de Natal, pode ser consumido com moderação. Enquadra-se perfeitamente numa ceia de Natal equilibrada.

Numa mesa de Natal devem figurar todos estes alimentos. Mas se por um lado devemos usar e abusar da alegria, entusiasmo e fantasia que desta época é característica, os doces devem ser petiscados com regra, a fim de podermos desfrutar de um Bom Ano Novo também.