“A reserva que temos em avançar de imediato com uma obra desta envergadura é compreensível”

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Cumpre o segundo mandato à frente da Junta de Freguesia de Gondim e mantém como prioridades a construção de um novo edifício sede para a junta, bem como um centro de dia. No entanto, fruto do “momento de austeridade”, Fernando Ferreira mantém algumas reservas. “Acredito que teremos que aguardar por um período mais favorável para avançar”.

PRIMEIRA MÃO – Balanço deste primeiro ano do novo mandato?
Fernando Ferreira – Tendo em conta o momento de austeridade em que vivemos, considero positivo o primeiro ano deste mandato.

Na última sessão da Assembleia Municipal da Maia, o presidente disse que a sessão não tinha acontecido em Gondim porque estão a realizar obras na junta. Que intervenção está a ser feita?
Contamos iniciar brevemente algumas obras de beneficiação no espaço exterior que circunda quer o edifício da Junta de Freguesia, quer o edifício do centro social e cultural, daí ter solicitado ao Presidente da Assembleia Municipal da Maia, Senhor Luciano Gomes, a realização de uma sessão ordinária da Assembleia Municipal na Freguesia de Gondim, depois de concluídas as referidas beneficiações. A sugestão foi bem recebida pelo Senhor Presidente e obviamente que agradeço a disponibilidade manifestada para realizar em Junho ou em Setembro uma sessão em Gondim.

E quanto ao novo edifício sede que falava, no primeiro mandato, gostar de ver avançar. Em que pé esse objectivo está?
Neste momento, em Gondim, como no resto do país mantemo-nos atentos e expectantes relativamente à situação que Portugal e a Europa atravessam. Como tal, a reserva que temos em avançar de imediato com uma obra desta envergadura é compreensível, por isso acredito que teremos que aguardar por um período mais favorável para avançar para a construção do novo edifício sede da Junta de Freguesia de Gondim. Mesmo assim, considero que não existe nenhum drama, procuraremos levar a cabo algumas obras de ampliação do actual edifício sede, de forma a permitir aumentar o número de valências que já disponibilizamos à população.

Na altura, falava também na edificação de um Centro de Dia? Já é uma realidade? É um objectivo comprometido?
Não me parece que seja um objectivo comprometido. No entanto, e uma vez que o Centro de Dia está previsto como parte integrante do novo edifício sede, estas obras só poderão avançar em simultâneo.

Vamos falar de transportes, dizia que uma das suas lutas era levar os transportes públicos até ao “coração” de Gondim. Foi uma luta ganha?
Neste momento os transportes públicos vão já aos limites da freguesia de Gondim, por isso acredito que num futuro próximo poderão mesmo chegar ao centro da freguesia.

Habitação social, senhor presidente, é uma questão que ainda é necessário resolver na sua freguesia? Há PER construído? Há PER projectado? A haver necessidade, quanto fogos seriam precisos para resolver os problemas de habitação da população?
Como sabe, já existe há alguns anos habitação social em Gondim, quer no âmbito do PMR (Plano Municipal de Realojamento), quer no âmbito do PER (Plano Especial de Realojamento). No que diz respeito ao PER, este ultrapassou o que estava inicialmente previsto. A previsão inicial era a construção de 67 fogos e no final foram construídos 71. Como tal, acredito que as situações mais urgentes, foram já atendidas e por isso, não existe previsão de construção de novos fogos, no âmbito do PER, na freguesia de Gondim. Aliás, no PER de Gondim existiu capacidade para dar resposta ao realojamento de várias famílias de outras freguesias.

Muito se tem falado em crise económica, nos últimos tempos, que levam, claro está a uma crise social, têm chegado à Junta de Freguesia de Gondim pedidos de ajuda?
Na verdade, têm chegado alguns pedidos que temos reencaminhado para o Gabinete de Apoio Integrado Local ou então para a delegação da Conferência Vicentina na freguesia de Gondim.

Quais são os pedidos mais frequentes?
Conforme lhe disse, temos reencaminhado essas solicitações para o GAIL e para a Conferência Vicentina, como tal os pedidos mais frequentes são tratados por estas duas entidades com o nosso conhecimento.

De que forma é que a junta de freguesia ajuda a resolver ou a minimizar?
Todos temos consciência que o mundo passa por uma das mais graves situações sociais de sempre, por isso o combate à pobreza é um dos principais objectivos, combate esse que exige de todos nós um esforço enorme na implementação de medidas políticas e sociais de apoio e incentivo às populações que vivem situações de carência. Como tal, também em Gondim, consideramos que neste combate, todos temos um papel fundamental a desempenhar, e por isso a Junta de Freguesia de Gondim decidiu lançar, em parceria com a Conferência Vicentina e com a Escola e Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB1/JI de Porto Bom, a campanha “GONDIM SOLIDÁRIO”. Esta campanha arrancou no inicio de Novembro e antes como agora, apela ao espírito solidário e de ajuda ao próximo e tem como objectivo a recolha de alimentos e de roupas para posteriormente serem distribuídos pelas famílias carenciadas da freguesia de Gondim.

No que toca à segurança, podemos considerar Gondim uma freguesia segura?
Mesmo considerando um ou outro caso isolado, de uma forma geral considero Gondim uma freguesia segura.

Como é que tem sido a actividade cultural da freguesia depois das obras de requalificação do auditório?
Em tempos afirmei que a requalificação do auditório seria uma alavanca fundamental para a dinamização de um vasto número de iniciativas culturais, entre outras, a realizar na freguesia de Gondim. Hoje, e sem querer a estar a ser advogado de defesa em causa própria, acredito que foi uma batalha ganha. Desde que o auditório foi alvo de requalificação já tivemos oportunidade de realizar nesse mesmo espaço os mais variados tipos de espectáculos. Desde espectáculos musicais, peças de teatro, festas de natal, concursos de Carnaval, sessões comemorativas do 25 de Abril sempre com convidados do mundo académico mas também do mundo empresarial, exposições, Assembleias de Freguesia, sessões das Novas Oportunidades, sessões do Gabinete de Inserção Profissional, enfim existe em número considerado de iniciativas que se tem realizado nesse espaço. Como tal, afirmo que nunca como agora se realizaram tantas iniciativas e de tão reconhecida qualidade como aquelas que temos realizado.

O que é que faz parte do plano de actividades do executivo para este ano?
Na assembleia de freguesia de Dezembro de 2010 tive oportunidade de enviar aos senhores deputados da assembleia de freguesia um plano de actividades para 2011 que entre inúmeras propostas apresentadas previa continuar a promover acções de solidariedade social, tomando como exemplo o sucesso alcançado com a acção “Gondim Solidário” levada a cabo pela Junta de Freguesia, Conferência Vicentina e Escola e Associação de Pais e Encarregados de Educação. Continuar a dotar a junta de freguesia de condições para continuar a ministrar cursos de formação profissional ou de novas oportunidades e continuar a dinamizar actividades no auditório do centro social e cultural. Também a necessidade de incentivar e apoiar a realização de eventos artísticos, as iniciativas de criação cultural desenvolvidas pela escola EB1/JI de Porto Bom, as iniciativas do desporto escolar e a realização das comemorações do 25 de Abril são para concretizar. O apoio às Instituições de carácter social e às Instituições da freguesia feito de forma transparente e com princípios e critérios bem definidos é também um objectivo. O tradicional passeio dos idosos é também uma proposta que pretendemos manter.

O que é que prometeu à população nas últimas eleições e que vê em risco de não cumprir por causa da crise?
Neste momento o que mais me preocupa é a necessidade de construção do edifício sede da junta de freguesia. Como disse durante a entrevista, neste edifício estão contempladas valências que considero prioritárias para a freguesia de Gondim. Sei bem que o actual momento de crise pode ser um constrangimento temporário no que diz respeito à sua construção. No entanto, e retomando o tema da crise, acredito que estes momentos são também momentos de oportunidades, em que não devemos ficar agarrados ao fatalismo, e como tal, temos que ser capazes de reinventar e rentabilizar as nossas infra-estruturas e é por isso que acredito que mais cedo ou mais tarde, para além de desejável é inevitável a construção do novo edifício sede da junta de freguesia de Gondim.

Isabel Fernandes Moreira