“Não houve até à data nada de extraordinário”

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Na semana em que o número de incêndios diários, a nível nacional, ultrapassou a barreira das 500 ocorrências, as chamas também não deram descanso aos bombeiros da Maia. Mas apesar das altas temperaturas que se têm feito sentir, não é notório um aumento em relação aos últimos anos, nem tem havido incêndios considerados de grandes dimensões, até pelas características do concelho.

Na Maia, um dos momentos mais críticos viveu-se faz hoje uma semana, com o incêndio que afectou dois pavilhões da fábrica de tintas Titan, obrigando mesmo ao encerramento da Estrada Nacional 14 ao trânsito, nos dois sentidos. Deste incêndio resultaram cinco feridos ligeiros. Ainda assim, olhando à gravidade, “correu muito bem, também com a colaboração de muitos colegas”, admite o comandante dos Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia, corporação responsável por 16 das 17 freguesias do concelho.

De resto, a maioria dos fogos deflagra em pequenas áreas de mato, não tendo a Maia grandes espaços considerados de floresta. Por isso, “não houve até à data nada de extraordinário”. Manuel Carvalho reconhece que as “muito rápidas” intervenções – e consequente extinção dos fogos – têm permitido minimizar os danos daí decorrentes. Seja pelos alertas imediatos que chegam à corporação, ao Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) ou através da linha 117 – graças à visibilidade da maior parte do concelho, nomeadamente através das auto-estradas que o servem – ou pelos “bons acessos aos sítios”.

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Para essa resposta têm também contribuído as frequentes acções de vigilância desencadeadas pelos Bombeiros de Moreira, por norma, a cargo de uma viatura que complementa a acção do Serviço Municipal de Protecção Civil. Desta forma, “sabemos claramente onde há potencial risco para haver grandes ocorrências”. Esse maior risco está associado, por exemplo, às áreas de mata e floresta que em 2005 foram alvo de incêndios de grandes dimensões e cuja vegetação começa agora a ser mais densa. Em suma, “são os dois pequenos montes que temos” no concelho.

Consciente de que “o fogo é muito traiçoeiro”, Manuel Carvalho defende a continuação dessa vigilância. Até porque assim que deflagra um incêndio, em zonas como Barca, Vermoim, Nogueira ou Águas Santas, “está logo fogo em cima das casas”. Mas sem que isso tenha resultado, até ao momento, em danos pessoais.

Pequenos descuidos

Pedrouços mantém-se como zona de menos ocorrências, logo, de menos trabalho para os Bombeiros Voluntários de Pedrouços. Com uma área florestal “muito reduzida”, o que acontece na área de intervenção são apenas “coisas pequeninas”, afirma o comandante. Domingos Brites refere-se, por exemplo, ao que chama de “pequenos descuidos” ao queimar resíduos, daí resultando a queda de material incandescente que acaba por desencadear um pequeno incêndio. Mas “coisas que resolvemos rapidamente”, assegura.

Apesar destas distracções, que o comandante admite continuarem a existir também por insuficiente fiscalização das entidades competentes, Domingos Brites salienta que “a população de Pedrouços está mais atenta”, estando a corporação a receber mais alertas de populares do que através do 112.

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Esse controlo deve-se também à facilidade em aceder aos locais com as viaturas ligeiras disponíveis e assim chegar ao local com uma linha de água. O mesmo não se pode dizer de eventuais intervenções em incêndios urbanos, aguardando ainda os Bombeiros de Pedrouços a chegada de uma viatura pesada urbana. Mas ciente de que “são sempre custos muito elevados” e há que aguardar.

Apoio fora da Maia

A nível nacional, o recorde de número de ocorrências diárias foi registado no domingo, com um total de 501 incêndios, obrigando o Comando Nacional de Operações de Socorro a mobilizar quase cinco mil operacionais, 1334 viaturas e 116 meios aéreos. Entre 23 de Julho e esta terça-feira, dia 10 de Agosto, o site da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) contabilizava já sete mil ocorrências.

Estas ocorrências obrigam também à mobilização dos bombeiros da Maia fora do concelho. Os de Moreira, por exemplo, têm prestado apoio no combate às chamas em áreas como a Trofa, Matosinhos e até no Marco de Canaveses. No âmbito do dispositivo de fogos florestais para o distrito do Porto, a corporação tem disponível uma Equipa de Logística de Apoio ao Combate (ELAC), composta por um auto-tanque e dois elementos, que “tem tido uma actividade imensa”, salienta Manuel Carvalho. A que está agora ao serviço já é a segunda, depois da primeira viatura ter ficado inoperacional há cerca de duas semanas, quando virou no Marco e “só por sorte não houve danos maiores para as pessoas”. Quanto ao auto-tanque, sofreu danos “substanciais”, mas tudo indica que seja recuperável.

Foi também no Marco de Canaveses que os elementos dos Bombeiros Voluntários de Pedrouços se depararam no último fim-de-semana com uma das situações mais complicadas no âmbito do apoio a outras corporações. Encontraram diversos focos de incêndio e em sítios “um bocado duros e que requerem muita segurança e muito conhecimento para evitar um acidente”, reconhece Domingos Brites. E mesmo conhecendo o terreno, ainda encontram como inimigos as variações da direcção do vento e da velocidade do fogo.

Mesmo não fazendo parte do dispositivo nacional, a corporação tem sido também solicitada pelo CDOS para ajudar no combate a incêndios em Baião, Amarante, Valongo ou Gondomar. E são enviados os meios adequados ao que é pedido, em termos de viaturas e de número de homens. Neste contexto, Domingos Brites considera que o número de ocorrências “tem aumentado”.

Marta Costa