“O Jardim Zoológico nunca mais vai dar um passo em falso” (vídeo)

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Depois de um longo processo, parece estar por meses a legalização de um espaço emblemático do concelho da Maia, o Parque Zoológico. Uma das exigências das autoridades passava pela construção de um espaço para que os animais estivesse de quarentena antes de estarem em contacto com o público. As obras arrancam na segunda-feira para construir uma quarentena “como não há igual no país, parece um mini hospital”, garantiu a PRIMEIRA MÃO o presidente da Junta de Freguesia da Maia e director do espaço, Carlos Teixeira.

Mas esta não será a única alteração que vai sofrer o Parque Zoológico. A decorrer já estão duas empreitadas. Quase logo no início do terreno que foi negociado pela Câmara Municipal da Maia, está a ser construída uma piscina, “com 170 metros quadrados”, para os golfinhos, que vão deixar o actual pavilhão e passar para o exterior. “Uma piscina enorme em que o animal está exposto ao público diariamente e só recolhe para o show. E vão eliminar o pavilhão onde estão as focas”, conta o director do zoo.
Mas a ideia do autarca da Maia passa ainda por trazer mais focas para a Maia. “Depois da quarentena vamos reforçar a parte aquática para rentabilizar um bocadinho mais a qualidade do nosso jardim”, explica. É que no Norte do país, “só há animais marinhos aqui no Zoo da Maia, por isso, vamos apostar nesse show das foquinhas principalmente para as escolas”.
Outra das obras, que já está em curso, prende-se com os habitats para os felinos, “que são de primeira grandeza”, e que vão permitir um maior espaço para os animais, salienta o presidente.
Estas são as principais exigências das autoridades para que a infra-estrutura seja legalizada.

Há cerca de um mês começaram as obras e na segunda-feira arranca então a construção da quarentena, cujo prazo de execução é de cerca de 60 dias. Um prazo que o autarca quer cumprir porque tem um compromisso com a DGV – Direcção Geral de Veterinária. “Penso que finalmente há um entendimento muito positivo entre o Zoo e as entidades, que finalmente acreditaram nas promessas que íamos fazendo todos os anos e não concretizávamos. Houve uma reunião, em que levamos projectos, vieram cá confirmar, viram o arranque das obras e disseram para contarmos com eles”, recorda.
Por isso, e uma vez que as autoridades, nesta altura, estão ao lado o Zoo, Carlos Teixeira quer cumprir o prazo estipulado “para se proceder ao licenciamento, basicamente a piscina porque “a foquinha tem de sair dali”, o novo habitat dos felinos porque “têm de sair de onde estão para a parte nova que está a ser feita”.
Carlos Teixeira acredita que está a chegar ao fim uma luta “tremenda”, que durou cerca de 25 anos mas que em seu entender “valeu a pena”. “Vou terminar o meu mandato deixando para a Maia a maior atracção turística do concelho e eventualmente do Norte do país”.
Reconhece que também fundamental em todo o processo foi o apoio da Câmara Municipal da Maia, “que está a apoiar” desde a aquisição do terreno para o alargamento, até ao financiamento da quarentena e “outras obras que estão a ser feitas”. Mas também não esqueceu as restantes forças políticas do concelho que sempre estiveram ao seu lado.
Para a construção da piscina para as focas a direcção do Zoo está a tentar arranjar mecenas que queiram colaborar e já conseguiram alguns, garante o autarca. “Já temos pessoas que nos visitaram, já viram o que se pretende, já deram o seu aval, que estão receptivos a dar essa ajuda, mas o nome será depois, na altura da inauguração, apresentado”.
O resto do projecto, que engloba lagos, arruamentos e arborização, “vamos fazendo”. Certo é que estamos a falar de uma “reestruturação total do actual jardim”. Uma reestruturação que passará ainda, por exemplo, pela transferência das zebras para uma área maior do que a habitual. “Se calhar, também o hipopótamo vai mudar de lugar”. O reptilário também irá sofrer intervenção e, “o mais certo”, é será mudar de local para dar lugar a uma floresta tropical. Mas há alguns espaços dentro das actuais instalações que já sofreram intervenção e que já estão adaptados às exigências da legislação. É, por exemplo, o caso do habitat dos ursos.
Quando o alargamento ficar todo concluído, o Parque Zoológico vai triplicar a sua área actual. E nessa altura, “o que vai existir é um jardim com acção pedagógica, ao serviço da nossa terra, que vai ser uma atracção turística”.

Sem passos em falso

Reconhece que o jardim passou por momentos menos bons, com piores condições, no entanto, afirma que foi um caminho necessário de percorrer porque “foi uma obra feita mais de amor e coração, sem projectos, sem dinheiro e de improviso”. Mas “se não fosse assim não arrancava”. Mas agora “chegou a hora de ou fechar ou licenciar”, sublinha. E o licenciamento “parece estar mesmo para breve”.
Uma coisa garante: “Nunca mais o jardim vai dar um passo em falso. Nunca mais. Tudo o que se fizer a partir de agora será feito com projecto e executado por pessoas com competência”.
De acordo com Carlos Teixeira, o objectivo é que o Zoológico sirva “de base número um” ao turismo da Maia. “Eu penso que o nosso vai ser um dos jardins mais bonitos do país. Temos um projecto extraordinário que está agora a construir-se. O que está a fazer-se agora é do melhor que há no país”.
O edil da Maia acrescenta ainda que quer dar mais à Maia porque considera que o próprio jardim “tem prejudicado, tem sido empecilho para alguns moradores por causa do trânsito”. Mas garante que isso vai ficar resolvido com as novas infra-estruturas. Quando o projecto ficar concluído “vai ser um orgulho para todos e para o nosso residente, que pode entrar gratuitamente no zoo sempre que assim o entender”.
Mas Carlos Teixeira quer que o Zoo deixe de ser da freguesia e passe a ser do concelho da Maia. Por isso, pretende alargar o benefício da entrada livre a todos os maiato. A ideia já está a ser estudada e pode passar por um protocolo com a Câmara Municipal da Maia. “Queremos alargar esse benefício que só tem a freguesia a todo o concelho para que todos sejam orgulhosamente maiatos”, justifica
Agora mostra-se satisfeito, no entanto, confessa que o último mandato o desgastou “bastante” e que isso resultou num “prejuízo” para a freguesia porque a sua capacidade “foi toda centralizada para este problema”. Mas feitas as contas “acho que valeu a pena porque o jardim vai manter emprego, vai enriquecer o comércio e por isso é que valeu a pena este sacrifício, espero que a população acredita que votou sempre bem ao confiar em mim. Sinto-me realizado. Venci”.

Isabel Fernandes Moreira

1 COMENTÁRIO

  1. Desde quando há golfinhos no Zoo da Maia??

    Sou Maiato e ainda há 1 mês e pouco visitei o Zoo, mas não me recordo de ver nenhum golfinho por lá. Quanto ás focas sim, sei que há, mas golfinhos penso que não.

    Agradecia que me tirassem esta dúvida!

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