“Um obstáculo do tamanho da Muralha da China” (vídeo e fotos)

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“Consegui!”. O desabafo, em tom de alegria, partiu de Mário Augusto, aluno da escola EB 2,3 de Pedrouços, depois de ter experimentado andar de cadeira de rodas, descendo e subindo rampas para atravessar a rua, ultrapassando alguns obstáculos, conseguindo chegar à Praça Prof. Dr. José Vieira de Carvalho. “Pensava que era mais fácil”, confessou.

O jovem de 14 anos foi um dos cerca de 100 alunos dos agrupamentos de escolas da Maia que esta segunda-feira participaram na acção de sensibilização escolar “Acessibilidade e Mobilidade para todos”, organizada pela autarquia, em colaboração com a M.PT – Mobilidade Paula Teles, empresa responsável pelo levantamento das barreiras arquitectónicas tanto nos espaços públicos como no edificado.
Os alunos fizeram duas simulações, uma em cadeira de rodas, outra com bengala branca. Ao longo de um determinado percurso foram criados alguns obstáculos que os jovens, ou de cadeira de rodas, ou de olhos vendados e bengala branca tiveram que ultrapassar.

“A ideia essencial é eles entenderem que o que para nós é muito óbvio, como uma soleira de três centímetros, ou uma árvore para as pessoas cm mobilidade condicionada são barreiras muitos grande, o que para nós são dois centímetros, para eles são obstáculos do tamanho da Muralha da China”, explicou José Duarte, da empresa M.PT. Acima de tudo, pretende-se que eles sintam na pele o que são estas limitações.

As acções a desenvolver em meio escolar estão englobadas num pacote que faz parte do Plano Municipal de Acessibilidades para todos. O plano, desenvolvido pela Câmara da Maia, em parceria com a M.PT foi concluído no mês passado e aborda diferentes temáticas da mobilidade, nomeadamente “os transportes e a acessibilidade de comunicação”, afirmou José Duarte.

O arquitecto acrescentou ainda que este plano é “muito importante” para a autarquia poder perceber quais são os problemas da sua cidade no âmbito da mobilidade e acessibilidade para todos. “As cidades são habitadas por diversas pessoas com mobilidades e dificuldades variadíssimas e na qual as pessoas têm todo o direito a viver a passear pela cidade livremente como todos nós”. “
José Duarte acrescenta ainda que apesar do território ser da responsabilidade da Câmara Municipal, “daí a sua vontade em entender o que está mal”, há uma outra parte que é responsabilidade da sociedade civil. “É por isso que estas acções são importantes nas escolas porque é importantíssimo criar bases para as nossas cidades de amanhã, são eles os futuros políticos, engenheiros, arquitectos, são eles que vão desenhar e criar as nossas cidades”, explicou.

Por isso, considera ser “muito importante” que estas acções possam ser “copiadas” nas escolas e em casa e que as próprias crianças passem a mensagem para os pais, “como aconteceu há vários anos com a questão da reciclagem. Hoje em dia a reciclagem é universal e a criança quase que obriga as pessoas da levaram a pilha ou a lâmpada ao ecoponto e nós queremos isso nas cidades, queremos que as crianças também detectem as barreiras arquitectónicas”.

Isabel Fernandes Moreira

Imagens:
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1 COMENTÁRIO

  1. É engraçado ouvir o Sr. Presidente da Câmara dizer que algumas coisas não podem ser combatidas…. Como é possível em pleno centro da maia as rampas que fizeram parecerem rampas de lançamento?!
    Qualquer pessoa que não tenha ajuda a subir e descer numa cadeira eléctrica está sujeita a cair…
    Não se entende porque que tentam sempre tapar o sol com a peneira!
    Mas enfim, é a câmara que temos!
    Simplesmente vergonhoso, Sr. Presidente!

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