Anselmo Borges abordou os desafios do Papa Francisco

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O teólogo Anselmo Borges foi convidado pela Câmara da Maia para uma Conferência, no dia 31, baseada no seu mais recente livro no qual aborda todos os desafios que o Papa do Povo lança à Igreja e ao Mundo.

O evento realizou-se no salão nobre dos Paços do Concelho da Maia. Na receção ao palestrante estiveram Paulo Ramalho, vereador das Relações Internacionais, e o vice presidente da Câmara, António Tiago, que deixou uma “palavra de apreço pelos seus inspiradores escritos”, acrescentando que, “na sua pessoa, partilho com todos vós o meu fraterno abraço de amizade”.

Numa conversa conduzida pelo também seu amigo Victor Dias, Anselmo Borges foi dando algumas pistas acerca dos desafios lançados pelo Papa Francisco à Igreja atual.

Chave reside em ver o mundo pelos olhos dos vencidos sem excluir os vencedores

A “chave do Papa Francisco, no fundo é esta, todos nós vemos o mundo, aparentemente é o mesmo, mas não é. Uma coisa é o mundo visto através dos vencedores, outra coisa é o mundo visto a partir dos vencidos. O mundo que, na História, vamos analisando e conhecendo é o mundo visto pelos vencedores, pois os vencidos foram anulados.

Uma coisa é ver o mundo a partir da janela mais famosa do mundo, do palácio apostólico de Roma, lá do Vaticano, do centro, outra coisa é ver da periferia, de Santa Marta, lá num apartamento modesto, onde vive o Papa. Uma coisa é o mundo visto pelo Deus concebido como omnipotente, que domina, o Deus dominador, outra coisa é o mundo visto a partir do Deus que é amor, Deus que é Misericórdia”, explicou o teólogo.

O Padre Anselmo Borges considera que a chave do carisma de Francisco e seu desafio é esta, “o Papa Francisco vê o mundo não a partir dos vencedores, mas sim dos vencidos, sem excluir os vencedores. Daí o Papa Francisco ser, hoje, o líder político-moral global mais amado e mais influente do mundo”.

Desde logo, a sua influência marca pela diferença na escolha do nome: “nunca nenhum Papa tinha escolhido o nome Francisco, em homenagem a S. Francisco de Assis. Ele que viveu num tempo em que a Igreja estava numa tremenda crise. Um dia terá ouvido Cristo, da Cruz a dizer-lhe – Francisco, vai reparar a minha Igreja, porque ela está em ruínas. E aquilo que este Papa Francisco encontrou foi uma Igreja em ruínas”.

Pedofilia é “intolerável”

Anselmo Borges prossegue apontando o dedo: “Vejam a pedofilia, uma vergonha! Intolerável! Que houvesse alguns padres pedófilos…mas o número é excessivo. E depois as pessoas confiavam na Igreja e nos padres, por isso é intolerável que tenha havido tanto crime de pedofilia.

E havia o banco do Vaticano. Em geral não são ricos que dão dinheiro para a Igreja – e se dão não é, por vezes, com a melhor das intenções -, e quem dá dinheiro para a Igreja não é com o intuito de pagar reparações dos padres pedófilos, nem para que o banco do Vaticano sirva máfias, nem para que promova a corrupção, não é para que haja dinheiro sujo para lavagem pelo banco do Vaticano”…

Por isto e muito mais, o “Papa Francisco espantou o mundo. E sabem porque é que as pessoas gostam dele? Porque ele é cristão, não apenas porque é batizado, mas porque acredita no Evangelho. E o Evangelho é, no meu entender, a revolução maior que aconteceu na história do mundo, nunca houve na História da humanidade uma revolução tão grande”.

Igualdade de tratamento entre homens e mulheres

Um dos exemplos dessa revolução reside na forma como Cristo tratou as mulheres. O Papa Francisco quer “a promoção da participação dos leigos, das mulheres, isto é, os problemas da Igreja são de todos, pois a Igreja somos todos nós. Pretende que as mulheres tenham um lugar de igualdade, não podem ser discriminadas dentro da Igreja Católica, que continua a fazê-lo, contra a vontade de Jesus. Na altura, Jesus tinha discípulos e discípulas e revelou ser o Messias a uma mulher, a samaritana estrangeira, herética, que já ia no sexto marido…”

Outra tarefa deste Papa é que “haja respeito pelos direitos humanos dentro da Igreja a começar pela liberdade de pensamento e de expressão por entre os teólogos. Nunca mais houve condenação dos teólogos, desde que o papa Francisco entrou no Vaticano”.
Como organização, a Igreja também precisa de “renovação, com estruturas mais democráticas, abertas ao diálogo e de maior participação das mulheres em igualdade com os homens. O diálogo deve sentir-se ainda por entre as igrejas cristãs, o chamado ecumenismo”, afirmou Anselmo Borges.

Angélica Santos

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