“A fama do nosso Carnaval está a aumentar, temos mais pessoas a assistir e a junta tem exigido mais perfeição aos preparativos”

0
154

Primeira Mão – A Junta de Freguesia de Nogueira da Maia vai realizar, pelo décimo ano consecutivo, mais um cortejo de Carnaval. Como estão a correr os preparativos?
Ilídio Carneiro – Estão a correr normalmente, bem. E diria bem porque começámos os preparativos fora da data habitual, ou seja, no dia 5 de Janeiro. Costumávamos começar no final de Novembro. Este ano, também estamos ligados à realização das festas da Senhora da Hora. Como se começou a preparar o Carnaval mais tarde, está a correr muito bem. Estou satisfeito com os trabalhos que têm vindo a ser feitos. Houve um pouco de consciencialização das pessoas e trabalhou-se mais durante a noite.


Como são os preparativos? No pavilhão, durante a noite? Todos os dias ou só ao fim-de-semana?
Nós temos vindo a apostar na qualidade. A fama do nosso Carnaval está a aumentar, temos cada vez mais pessoas a assistir e nós, Junta de Freguesia, temos exigido mais perfeição aos preparativos, e isso obriga-nos a trabalhar diariamente. No pavilhão estamos a preparar os carros alegóricos ligados às escolas e à queima do Carnivali. Depois, cada lugar da freguesia tem o seu lugar próprio para trabalhar os seus carros.

Quantos lugares da freguesia é que estão a organizar o cortejo?
Todos os lugares da freguesia, que são seis: Rio, Carvalho, Pena, Vilar, Casal e Barroso.
Cada um dos lugares tem um tema?
Exactamente, cada um tem um tema próprio. Mas os lugares querem manter o tema em segredo, para causar surpresa nas pessoas. São temas picantes e actuais. O Carnaval é isso mesmo. Vamos abordar a actualidade política e social.
Essa melhoria da qualidade tem a ver com a elaboração dos carros? Antigamente os carros iam descobertos. Agora estamos a aperfeiçoar esse tipo de trabalho.
Os trajes também estão a ser aperfeiçoados?
Também. Todos os dias à noite. Estão a ser feitos por costureiras, que ficam a trabalhar até à uma hora da manhã. Neste momento, os trajes das crianças já se encontram acabados. Agora já estão a trabalhar para os mais graúdos.
No que diz respeito à Junta de Freguesia, quantos carros é que vão ter?
São cinco carros.
E quantos carros são no total?
Cada lugar leva, no mínimo, um carro. Mas não fico surpreendido se houver lugares que, à última da hora, decidam levar mais um. Pelo menos uma dúzia sei que vão.
São mais ou menos os mesmos do ano passado?
O esquema é sempre o mesmo, os lugares são os mesmos, por isso o número de carros não deve variar muito.
Quantas pessoas participam na organização do Carnaval e no cortejo?
Fazendo as contas por lugar, são cerca de 12 pessoas a trabalhar. Quem organiza também executa. Na Junta de Freguesia, são cerca de 18. No Cortejo, vão ser centenas. Só num tema de um lugar, sei que vão movimentar 100 pessoas, porque o tema assim o obriga. Vêm até pessoas de fora para figurar no Cortejo, que pedem para participar no nosso Carnaval.
É um cortejo que já tem alguma fama.
Sim, a fama começa a propagar-se.

Um “morto” a sério

É evidente a boa disposição das pessoas que participam na organização do Carnaval e no cortejo. Tem sido esse o segredo do sucesso?
É um dos nossos segredos. Já disse que há temas picantes. E nesses temas queremos fazer rir as pessoas. Lembro-me do Carnivali, o morto, que depois é queimado na terça-feira, no lugar de Barroso. Este ano queremos sair um pouco do comum e posso dar uma novidade – mas não dou mais nenhuma! -, este ano, é representado por uma pessoa.
Vamos ter um “morto” a sério?
É a primeira vez que fazemos isto. Às vezes, não é fácil arranjar pessoas para estes papéis, mas conseguimos, e quem vai ocupar o caixão é mesmo uma pessoa.
Vai ser mais complicado transportar o caixão?
Não, vai em rodas, com as viúvas-alegres atrás, como é costume.
No ano passado, o tempo não ajudou. Choveu no domingo, o cortejo foi adiado para terça-feira de Carnaval. Mesmo assim, foi muita gente a Nogueira?
A cada ano que passa, o número de pessoas que vem ver o Carnaval tem vindo a aumentar. É gratificante porque as pessoas trabalham de borla. É muito trabalho para um cortejo que só dura três horas, porque depois é tudo para reciclar. Mas vou conseguindo que as pessoas não me digam que não, e vão participando.

As pessoas não só trabalham sem receber nada como acabam por gastar algum dinheiro do próprio bolso.
A maior parte. Não são todos. Não se obriga as pessoas a gastar dinheiro com o Carnaval. Mas posso dizer que 50 a 60 por das pessoas que executam os trabalhos custeiam as suas próprias roupas, fazendo-as ou comprando-as, dependendo dos temas. Mas as pessoas gostam disto.
As pessoas participam com gosto?
Sim. É muito importante que seja assim. As pessoas gostam do convívio. Acabam à uma da manhã, levam-se sumos, cerveja, um bocado de vinho e comida, e ficam a conversar até tarde. E deixo um exemplo flagrante: 80 por cento dos voluntários já nem tem crianças na escola. Estão totalmente dedicadas ao Carnaval. Já tiveram crianças nas escolas, mas ficaram ligados à organização do evento.
Quanto é que a Junta gasta com a organização do cortejo?
Tem vindo a aumentar. Os produtos aumentam de preço, mas também queremos aumentar a qualidade. Gasta-se cerca de cinco mil euros. Para nós é muito. Há empresas que nos ajudam. Este ano, a maior parte das estruturas metálicas para os carros foram feitas numa empresa.
Os carros são todos emprestados?
Sim, à excepção de dois carros que são propriedade da Junta. O resto é tudo emprestado por empresas. Se assim não fosse, o custo subiria para o dobro.
Este ano aguarda-se mais uma enchente. Foram tomadas algumas medidas de forma a controlar o trânsito e estacionamentos?
Não se consegue controlar tudo. Mas vamos pedir à GNR para controlar todo o trajecto do cortejo.
Quais são as zonas que vão estar cortadas ao trânsito?
Tentou-se variar o trajecto em anos passados mas não é fácil. O percurso mantém-se. O cortejo sai da Igreja, às 15h30, e passa pelo cruzamento do Rio, atravessa a rotunda onde está instalado um banco, e vai até ao pavilhão polivalente. Os arruamentos vão sendo cortados, pela GNR, à medida do avanço do cortejo.
Já contabilizou público que assiste?
Não, porque tenho participado activamente como figurante. Fui a primeira vez e fiquei a gostar. Continuo a participar. Este ano, mesmo debilitado fisicamente, também participo. Já me falaram em cerca de 5000 pessoas. Na parte do Rio até à rotunda, o ano passado, via-se gente "de uma cabeça só", como costuma dizer o povo.
Se chover no domingo, o cortejo é adiado para terça-feira?
Evidente que sim. Alguns carros não podem suportar a chuva. E outro problema: não podemos deixar as crianças andar à chuva. Se chove de uma forma que não nos permite sair com o cortejo, tem que se tomar a medida péssima e terrível de anular tudo, o que acarreta custos.
O primeiro cortejo foi há 10 anos. A diferença para hoje é muito grande?
Começámos na brincadeira, com três ou quatro carros e as crianças das escolas. Carros cobertos com panos, muito improvisados. A diferença agora é brutal.
É uma aposta que a Junta de Freguesia quer manter?
Vamos continuar a apostar, independentemente da crise. Não podemos ficar "tristonhos". É uma forma de animar as pessoas. A câmara nunca nos apoiou nesta iniciativa. Vamos procurar outros parceiros, de forma a melhorar cada vez mais a qualidade do nosso Carnaval.

Fernanda Alves

Programa

22 de Fevereiro

15h30 – Início do desfile, junto à Igreja

24 de Fevereiro

21h00 – Leitura do testamento e queima do Carnivalli, no Lugar de Barroso