A4 alargada com implicações “significativas”

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Está para breve a celebração do protocolo entre a Brisa e a Câmara Municipal da Maia, referente à obra de alargamento da Auto-Estrada (AE) A4, que liga o Porto a Amarante. Em causa estão as obras de requalificação motivadas pelo alargamento de duas para quatro vias (em cada sentido), e respectiva beneficiação, no sublanço Águas Santas – Ermesinde, numa extensão de 4,3 quilómetros.

A concessionária diz que esse protocolo ainda não está fechado. A autarquia fala numa “proposta base” do acordo, em análise pelos serviços da câmara. Deve ser reencaminhado para a Brisa dentro de 15 dias, numa altura em que o Estudo de Impacte Ambiental continua em consulta pública.

O que está já acertado entre as duas partes é o formato da parceria, mas ainda sem definição dos valores associados às intervenções necessárias. As mais significativas terão reflexos na Escola EB 1 da Granja e no terreno onde há mais de uma década está instalada uma comunidade de etnia cigana. Embora não directamente, deverá ser ainda implicada a Associação de Moradores da Granja. Mas a câmara garante que “foram atempadamente acauteladas pela edilidade” e de forma a “melhorar a qualidade de vida das populações residentes nas áreas envolventes”.

Até segunda-feira, a direcção da colectividade sabia apenas o que lhe foi dado a conhecer em reuniões na Câmara da Maia. Mas ainda “informações muito vagas” e sem datas. De concreto, o presidente, Ivo Ribeiro, conhece apenas o projecto da autarquia para a beneficiação do lugar da Granja e que contempla melhorias na própria sede da colectividade, propriedade da autarquia.

Quanto ao polidesportivo usado pelos atletas, “temos a informação que se irá manter no mesmo local e não irá, em princípio, sofrer qualquer alteração”. O mesmo assegura o vice-presidente da Câmara da Maia. António da Silva Tiago acrescenta que o espaço, assim como a escola do primeiro ciclo ali existente, serão requalificados:

[audio:Tiago_Brisa.mp3]

Esses mesmos espaços até poderão ser utilizados pela Associação de Moradores da Granja, adianta o presidente da direcção, Ivo Ribeiro:

[audio:GRANJA_IVO.mp3]

Ao Agrupamento Vertical de Escolas de Águas Santas não chegou “nada em concreto” sobre a intervenção, confessou a Primeira Mão um dos elementos do conselho executivo, Óscar Brandão. Sobre o possível encerramento da Escola EB 1 da Granja, onde funcionam três turmas, diz apenas que os alunos terão de ser transferidos para outro estabelecimento de ensino. Mas alertando que a EB 1 da Pícua está lotada.  A este propósito, António da Silva Tiago esclarece que os alunos da actual EB 1 da Granja vão passar para um estabelecimento de ensino a construir ao lado.  “No fundo, vai nascer ali um grande centro escolar”, conclui o vice-presidente. Para servir este centro será também ali construído um novo polidesportivo, devendo substituir o que existe actualmente e que “a meu ver, está um bocadinho apertado”, reconhece o autarca.

Brisa paga as obras

Todas as intervenções mencionadas até serão da responsabilidade da Câmara da Maia, mas a expensas da Brisa, que “terá que entregar à câmara o valor que for acordado”, salienta António da Silva Tiago, acrescentando que só falta mesmo definir os valores.

A obra de alargamento da A4 entre Águas Santas e Ermesinde mexe ainda com um terreno do Estado, em particular da Estradas de Portugal, ocupado por uma comunidade de etnia cigana. A Câmara da Maia avisou o organismo estatal, reclamando uma intervenção a este nível, mas “nada foi feito”. Por isso, diz Silva Tiago, a autarquia fez um levantamento das famílias lá residentes e são “só essas” que serão realojadas, ficando os custos a cargo da Brisa. A concessionária vai pagar o terreno designado pela autarquia, assim como as habitações para realojar a comunidade de etnia cigana.

Marta Costa

(Notícia desenvolvida na edição de hoje de Primeira Mão)