Academia Criança Diferente quer “exportar” o seu saber para a sociedade

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A Criança Diferentes – Associação de Amigos vai ter uma Academia. Um projecto que surge de um compilar de experiências que o mentor da ideia, o professor de educação física da instituição, Luís Fernandes, foi tendo ao longo da sua vida profissional e que advém da sua “dificuldade e necessidade” em dar resposta às necessidades da sociedade”, explica. “Quando falamos do ensino especial e das pessoas com deficiência temos muitas necessidades e muito pouca capacidade de resposta”, acrescenta.
E é nesse sentido que surge a Academia Criança Diferente. Luís Fernandes colocou o projecto no papel, apresentou-o à direcção da Criança Diferente que não hesitou em “agarrá-lo com ambas as mãos” com o objectivo de fazer um projecto “inovador”, sublinha a presidente da direcção, Clarisse Monteiro. “Como sempre nós somos empreendedores e tudo o que é diferente e bom nós, damos-lhe a mão”.

A ideia passa por exportar para a sociedade um serviço “que é bom”. “Que tem muitos resultados”, que é o serviço que a Criança Diferente prestar aos seus clientes. O objectivo, acrescenta Clarisse Monteiro, é levar este serviço para outros meninos que não frequentam a sua instituição, que estão nas escolas, ou alguns dos quais até estão em casa.

Com esta Academia, a direcção da Criança Diferente pretende ser inovadora e empreendedora. “Temos uma missão e a nossa visão é perceber para onde queremos ir. Se queremos ser uma associação de referência na nossa área, a nível nacional, nós, através da academia podemos consegui-lo. A academia é um projecto inovador a nível nacional. Haver uma academia para as pessoas com deficiência, que sejam serviços que são executados em parceria, com os vários parceiros com quem nos vamos associar, especialmente aqueles que já trabalham com pessoas com deficiência”.
É que hoje em dia, as pessoas com deficiência estão integradas nas escolas, começando pelas do 1º ciclo, passando pelas EB 2,3 e chegando às secundárias e, defende Clarisse Monteiro, sentem dificuldade de prestar “um bom serviço, um serviço integrado e completo nas diferentes áreas que eles precisam e nós somos os promotores desse serviço”.

Para isso, estão na fase de estabelecer parcerias. Esta quarta-feira à tarde, reuniram com a escola EB 2,3 da Maia. E já têm outras reuniões agendadas com a EB 2,3 de Gueifães, com a EB 2,3 de Nogueira, com o vereador do Desporto da Câmara Municipal da Maia. A aguarda agendamento estão encontros com os pelouros da Acção Social e da Educação. “Queremos arranjar o mais possível parceiros para divulgar junto das famílias e das escolas, estes serviços que a Criança Diferente pretende prestar, alargar. Pretendemos exportar aquilo que nós já fazemos e bem na nossa associação, tanto a nível de algumas actividades, que podem ser mais de cariz desportivo porque as pessoas com deficiência, às vezes, pensando que estão a brincar, estão, às vezes, a desenvolver”, explica a presidente da direcção.
Em primeiro lugar, defende Luís Fernandes, é preciso ensinar a sociedade a viver a diferença. A academia propõe-se a arranjar estratégias, através da divulgação, através do contacto directo com as pessoas e proporcionando às pessoas com deficiência o contacto com a sociedade, “através do convívio directo para que as pessoas se apercebam que a diferença é uma coisa normal e que nós vivemos com a diferença todos os dias”.

Apesar de, hoje em dia, já existirem professores especializados no ensino especial, Luís Fernandes entende que a grande necessidade está na qualidade da resposta, na formação que é preciso terem para prestar um serviço de qualidade. A maioria diz-nos que não se sente devidamente preparado para responder aos diversos tipos de deficiência que aparecem nas escolas e que nós, com o nosso ‘background’ e com uma equipa técnica habituada a fazer determinada intervenção, podemos ajudar as escolas e, por outro lado, aprender com eles”, acrescenta Clarisse Monteiro.

Os serviços

Mas como há sempre mais que se pode fazer para prestar um serviço cada vez melhor, vamos então aos serviços que a academia pretende colocar ao dispor da comunidade através dos parceiros. O objectivo geral, explica Luís Fernandes, é possibilitar aos técnicos e encarregados de educação uma melhor e mais eficaz resposta face às necessidades psicomotoras e ou afectivas dos alunos. “É criar respostas, serviços, que vão de encontro às suas necessidades, que são identificadas por uma equipa multidisciplinar”.

Como por exemplo, a natação como “veículo para colmatar necessidades”, actividades desportivas, actividades radicais, “que ninguém pensa que é possível para jovens com deficiência”, actividades de fitness que se realizam nos ginásios, no entanto, “não existem actividades nos ginásios para pessoas com deficiência”, “poucos ginásios praticam dança para cadeira de rodas, não conheço ginásios com máquinas adaptadas para pessoas com deficiência, muito menos para cadeiras de rodas e isso impossibilita que os interessados possam ir ao ginásio”.

A estes exemplos, juntam-se ainda actividades com animais, como a hipoterapia e a equitação terapêutica, usando a Quinta Pedagógica da Criança Diferente.
O projecto inclui ainda espaço de Atl e um espaço de estudo denominado “mais estudo”, que permite um acompanhamento diferente àqueles que estão integrados e que têm possibilidades académicas. “Há alguém que dá explicações a alguém que tem necessidades diferentes”.

A componente “mais saúde” permite aos jovens um acompanhamento multidisciplinar com as várias áreas da saúde, nomeadamente a fisioterapia, a psicologia, a enfermagem e a nutrição, “muito importante na área da deficiência porque a maioria deles são extremamente obesos”, adianta a dirigente.
Tudo será desenvolvido através da criação de protocolos e isso vai permitir a criação de uma bolsa de associados, que podem acabar por criar benefícios entre si.
Quanto às verbas para colocar o projecto no terreno, “há-de aparecer”, afirma Clarisse Monteiro, habituada a arriscar para colocar todos os projectos da instituição no terreno. “A Criança Diferente não tem que se preocupar com o dinheiro. Acredita profundamente nas suas convicções, nos parceiros que consegue arranjar e vamos para a frente com isto”.
Clarisse Monteiro recorda ainda que a instituição que dirige desde a fundação não tem ficado mal em todos os projectos com que se comprometeu. “Temos tudo pago, e andamos para a frente e crescemos sempre de uma forma bem sustentada”.

Por isso, não poupou as críticas à “Ajuda de Berço”, que tem “campanhas tão grandes a seu favor e só tem 40 clientes. Parece que é uma coisa grandiosa e altas campanhas que estão sempre a fazer a favor deles, nomeadamente na televisão e recebem da Segurança Social como nós recebemos e estão sempre a ameaçar fechar ou despedir. Nós não, a Criança Diferente tem o gosto de dizer que desde que nasceu as maiores dificuldades às vezes que sentimos são as burocráticas”.
Sendo assim, a questão impõe-se: não estão a precisar de dinheiro? “Claro que estamos mas não nos queixamos com isso. Arregaçamos as mangas e vamos ver como é que o podemos encontrar. Se o temos encontrado para os outros projectos, para este também há-de, com certeza, haver verbas para ser executado”. A ideia não é ganhar dinheiro, mas sim ter verba para executar o projecto, por isso, aponta como exemplo a formação especializada que pode ser ministrada a técnicos e professores, em que cada um pague, por exemplo, cinco euros. “Grão a grão dá uma ajuda para as várias coisas que pretendemos realizar. “Temos é que ser criativos”, conclui a presidente da Criança Diferente.

Isabel Fernandes Moreira

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