Acções ajudam comunidade sénior a “temperar” alimentação

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Sabia que à medida que vamos envelhecendo, também vamos perdendo o paladar? De acordo com Nair Rocha, do Gabinete de Saúde da Câmara Municipal da Maia é uma questão que está cientificamente comprovada. Por isso, a autarquia decidiu, este ano, ajudar a comunidade sénior a “temperar” a alimentação para contrariar uma tendência para ingerir demasiado sal, ou demasiado açúcar.
E “Porque o sabor também é importante para uma alimentação saudável”, o gabinete de saúde da Câmara Municipal da Maia promove, esta semana, acções de educação alimentar junto da comunidade sénior. Começaram na segunda-feira, com três sessões diárias, e terminam hoje à tarde, abrangendo 450 seniores da Maia.

A iniciativa já vai na sua terceira edição. No primeiro ano, trabalharam a hidratação “porque sabemos que os idosos se esquecem de beber água”, no segundo “e porque tínhamos o fantasma da Gripe A a pairar sobre nós”, abordaram a prevenção através da alimentação. Este ano, voltaram-se então para o paladar. “É cientificamente comprovado que os idosos e não só, aliás, a partir da nossa maturidade começamos a perder determinadas faculdades e uma delas, assim como a nossa pele envelhece, também o nosso paladar vai envelhecendo ee passa por ficarmos sem determinadas capacidades gostativas”, explica Nair Rocha.
Diz a responsável pelo gabinete de saúde que, com o passar dos anos, se perde, por exemplo, a noção do doce, “e por isso vemos muitos seniores a porem demasiado açúcar no café ou no chá”, se perde a noção de quente, se perde a noção de salgado.

Com estas sessões que promovem para a população sénior pretendem passar essas noções e levar o idoso a perceber que pela sua condição, pela sua idade perde essas capacidades e tendo essa consciência que tente contrariar os seus actos diários, “prevenindo a diabetes e a hipertensão”.
Nair Rocha adianta também que os participantes, todos eles membros activos do Clube Maia Sénior, aceitam sempre a mensagem que lhe é transmitida. E, na sua maioria, têm noção de que os excessos cometidos fazem mal, no entanto, “sabem bem, fica mais apetitoso, ou mais docinho”. E é este tipo de comportamento que os técnicos da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto tentam contrariar, mostrando aos mais velhos que, por exemplo, o sal, pode ser substituído por ervas aromáticas. “Mostrar que só traz benefícios para a sua saúde a adopção de comportamentos saudáveis”, explica. “A ideia é, cortem mas ponham outra coisa para compensar porque a vida também é feita de sabores, não podemos fazer da vida uma vida insossa”, conclui Nair Rocha.

No final de cada uma das sessões de educação alimentar e esclarecimento, os “jovens” do Clube Maia Sénior tiveram a oportunidade de degustar alguns alimentos e desfrutar de um lanche saudável.

Isabel Fernandes Moreira