Adeus cancro, olá vida!

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Bem-vindos à festa da vida”. Foi assim que Jaime Gonçalves recebeu aqueles que no sábado de manhã se juntaram no Parque Central da Maia para a festa de encerramento do projecto “Um Dia Pela Vida”. No palco, o coordenador concelhio fez-se acompanhar da restante equipa local, bem como da coordenadora regional, Conceição Clavel, da antiga coordenadora nacional, Cristina Gonçalves, e do presidente do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Vítor Veloso. Para reiterarem que a luta só pára quando se encontrar a cura para a doença. E que esse luta deve ser encarada como “um sinal de esperança e não de morte”. Daí que tenham também marcado presença membros do movimento “Viver e Vencer”, um grupo de apoio a mulheres com cancro da mama.

Os discursos aconteceram por volta das 11h00, depois de um momento de silêncio pela morte do pai de Nogueira dos Santos, vereador da Câmara Municipal da Maia, exactamente à hora a que decorria o funeral. Dentro da tenda instalada no parque já estavam todos – e eram muitos – os que levaram a passadeira da solidariedade desde o edifício da Junta de Freguesia de Vermoim até ao Parque Central da Maia, pela Avenida D. Manuel II. Eram mais de 600 metros, resultado da união de inúmeros retalhos decorados pelas escolas, a convite da coordenação do “Olá Maia”. E outros que ainda se forem cosendo no decorrer da cerimónia de sábado.

Seguiu-se, em redor dessa passadeira estendida por toda a tenda, a chamada Volta dos Vencedores. Num momento em que os presentes não conseguiram esconder a emoção, desfilaram aqueles que já sofreram com o cancro. A porta-voz que subiu ao palco para dar o seu testemunho, apelou à esperança. “Combatam com determinação e acreditem”, disse antes de convidar a juntarem-se a ela também aqueles que combatem a doença e os que “se tornaram modelos de esperança para os outros”. Porque “pela vida, vale a pena lutar”, concluiu.

Já à noite, a partir das 22h00, “muita participação” foi também o que marcou a cerimónia das Luminárias, em que foram acesas milhares de luzes em memória dos que foram vencidos pelo cancro e em homenagem aos que ainda enfrentam a doença. Chegou a sr uma cerimónia “chocante”, nas palavras de Jaime Gonçalves, “na medida em que as pessoas viam naquelas luminárias o símbolo da luz de alguém que partiu”.

Maior consciência

Recorda Jaime Gonçalves que o principal objectivo do projecto, que teve o fim formal assinalado a 17 de Abril, passava por encarar o cancro como uma doença que não é obrigatoriamente sentença de morte. Desde que se aposte na prevenção e na própria investigação. E já com resultados positivos, de que é exemplo a descoberta da vacina contra o cancro do colo do útero, que está a ser administrada às adolescentes.

E apesar de algumas dificuldades iniciais na forma de abordar e chegar à comunidade, muito diversificada em termos de mentalidades, “conseguimos fazer com que a Maia sentisse o problema do cancro, o vivesse e trabalhasse para ele”. Ao ponto de demonstrar que os maiatos acreditaram no projecto, mostraram solidariedade e maior consciência para a dimensão do problema do cancro na sociedade.

[audio: ADEUS_MAIA.mp3]

Desde Dezembro, altura do arranque do projecto, foram criadas 43 equipas que desenvolveram as mais diversas actividades com vista à angariação de fundos para a LPCC. Sessões de poesia, exposições, pedy-paper, corrida de cavalos e palestras médicas são apenas alguns exemplos das iniciativas em que “o colectivo sobressaía do individual”, destaca o coordenador concelhio. Mas não foi o fim de um processo. Apenas a nível estatutário. Acredita Jaime Gonçalves que alguém poderá ainda “pegar nesta vertente e desenvolver a ideia de não deixar morrer o que plantámos e que estava a germinar neste momento”.

O trabalho destas equipas foi também elogiado por Vítor Veloso, classificando de “fantástico” e “exemplar” o esforço para sensibilizar e educar a restante comunidade. O presidente do Núcleo Regional do Norte da LPCC aproveitou para destacar o acordo com a Administração Regional de Saúde do Norte para o programa de rastreio do cancro da mama dirigido a mulheres a partir dos 45 anos.

Marta Costa