Aeroporto entre expansão para uns e constrangimento para outros

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Parque low cost do aeroporto
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Existe para o Aeroporto do Porto um plano de expansão que irá contemplar obras de requalificação à entrada da infraestrutura (Avenida do Aeroporto), que poderão implicar a decisão da ANA – Aeroportos de Portugal de partir para um processo de expropriação de terrenos envolventes.

A acontecer, esse processo poderá obrigar o Parque Low Cost (nessa área de terrenos a expropriar) a fechar, colocando em risco a maioria dos postos de trabalho desta pequena e média empresa, que tem ao seu serviço 50 pessoas.

Foi esta a principal preocupação que levou a deputada do PCP, Paula Santos, a visitar o espaço e a reunir com os seus responsáveis, no passado dia 11, no âmbito das Jornadas Parlamentares do PCP no distrito do Porto. A iniciativa dos deputados comunistas focou-se nos problemas do setor produtivo, tendo sido realizados uma série de contactos com empresas, associações empresariais e autarquias.

ANA quer controlo total, diz o PCP

“O que está aqui em causa é a intenção de a ANA ter o controlo total do setor de negócio, neste caso concreto do estacionamento, de forma a poder aumentar os seus lucros. Isto está a dificultar a vida àquela empresa (Estacionamento Low Cost). Estas preocupações foram-nos transmitidas pelos responsáveis da empresa e é nesse sentido que iremos intervir junto do governo”, explicou Paula Santos.

A preocupação da deputada, frisou em declarações ao Primeira Mão, prendem-se com “a salvaguarda dos postos de trabalho” e tentar que, “no âmbito do apoio às PME, possa haver aqui uma intervenção que salvaguarde a sua atividade”. Será neste sentido a intervenção do PCP no parlamento.

Os responsáveis pela empresa de estacionamento receberam os jornalistas, mostrando a preocupação com o futuro, mas preferiram não avançar com declarações, até porque não perderam a esperança de que a situação se resolva ainda no patamar da discussão política.

Câmara da Maia defende interesse público

Por parte da Câmara Municipal da Maia, a posição é defender a “legalidade”, o “interesse público” para o desenvolvimento daquela zona, tentando salvaguardar o quanto for possível os postos de trabalho envolvidos.

O vice-presidente, António Tiago, afirma que “o projeto de construção da citada rotunda é, a nosso ver, uma obra que se enquadra plenamente na firmeza do nosso posicionamento, o que não invalida que não estejamos extremamente atentos a todas as implicações diretas e colaterais que o projeto apresenta. Entendemos que a concretização dessa rotunda, a montante do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, não põe em risco os 50 postos de trabalho, porquanto não afeta a área do parque de estacionamento “low cost”, porque essa está salvaguardada. Implica, isso sim, a eliminação de quatro casas, sendo que uma delas se destinava a um alojamento do tipo hostel, e em duas outras moradias estão instalados os escritórios da empresa que detém esse estacionamento”.

António Tiago esclareceu ainda que “a ANA pretende a propriedade de um outro terreno que constitui acesso ao referido estacionamento e que, uma vez construída a rotunda, será crucial para a atividade do mesmo. Ora, é  entendimento da Câmara Municipal que esse terreno não é imprescindível para a execução do projeto da rotunda”.

Caudais de trânsito

O autarca assegurou ao Primeira Mão que já fez sentir à ANA o interesse público da construção da rotunda, “face aos densos caudais de trânsito que vai permitir circular, no acesso ao Aeroporto, facilitando uma circulação bem mais desanuviada”, contudo, também “deixou claro junto daquela entidade que não permitirá, usando as prorrogativas legais que lhe assistem, que o projeto exceda, do ponto de vista da apropriação de terrenos, mais do que se afigure absolutamente necessário. E nesse sentido, o terreno de contacto futuro com a rotunda, deve ficar fora do âmbito de qualquer negociação, seja por via da aquisição ou expropriação”.

Também António Tiago está convicto que, “pela via do diálogo institucional e da franca e proativa cooperação com todas as partes envolvidas, chegaremos a bom porto, conciliando tudo quanto neste momento é preciso conciliar”, afirmou o vice-presidente da Câmara da Maia.

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