AMI bate recorde de recolha de óleos (com áudio)

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Dois dias depois da Póvoa de Varzim ter sido eleita pela Lipor para o arranque da recolha selectiva de Óleos Alimentares Usados (OAU), a Assistência Médica Internacional (AMI) fez as contas ao seu projecto de reciclagem do mesmo tipo de óleos, em vigor desde 2007. Nos primeiros seis meses deste ano, foram recolhidos mais de 320 mil litros, “o maior valor que alguma vez tínhamos tido”, destacou a PRIMEIRA MÃO Luís Lucas, do Departamento do Ambiente da Fundação AMI.

Para o aumento das quantidades recolhidas, comparativamente a 2010, Luís Lucas acredita que terá contribuído a recente parceria da AMI com a Biological – Gestão de Resíduos Industriais:

[audio:26_julho_AMI_oleos.mp3]

Mas sem descurar a maior consciencialização dos cidadãos, resultado das campanhas de sensibilização, nomeadamente nas escolas, considerada “uma aposta de mais longo prazo”. Paralelamente, houve também um aumento gradual do número de participantes e um “maior nível de participação das pessoas que já estão no projecto”, sublinha.

Destas 320 toneladas de óleos recolhidas, só na Área Metropolitana do Porto (AMP), os cidadãos contribuíram com 44.800 litros, sendo 1.140 recolhidos nos pontos disponíveis no concelho da Maia. Luís Lucas admite que é um valor “ainda relativamente pequeno”, mas a Fundação AMI acredita que “vai aumentar muito”, tendo em conta que, a nível nacional, “o projecto está a crescer muito”.

Ora, e a nível nacional, são cerca de cinco mil os pontos de recolha disponíveis, em locais como restaurantes, cantinas, hotéis, escolas, empresas e juntas de freguesia. Também os há na Maia, nas freguesias da cidade – Maia, Gueifães e Vermoim – e ainda em Águas Santas, Milheirós, Vila Nova da Telha, Pedrouços, Barca, Gemunde, Moreira, Folgosa, Nogueira e S. Pedro Fins.

Oleões de rua

Além destes locais, está também a avançar o projecto de recolha pública, através da colocação de oleões, isto é, contentores próprios para a deposição dos OAU. Para já, apenas em Sintra e na Amadora, mas a AMI refere no site da Internet que já manifestaram interesse em integrar este projecto as câmaras da Maia, Arraiolos, Coruche, Évora, Gondomar, Lourinhã e Sines. Adianta Luís Lucas que o formato que se entende mais adequado passa por colocar esse oleões de rua, juntamente com os ecopontos.

[audio:26_julho_oleos_rua.mp3]

Acontece que, a Norte, há um projecto semelhante que está já a ser implementado pela Lipor – Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto. Depois da experiência pioneira na Póvoa de Varzim, a ideia passa por colocar oleões nas ruas dos oito municípios associados, até ao final deste ano. Da parte da Fundação AMI, Luís Lucas não vê qualquer incompatibilidade dos projectos, admitindo que serão “complementares”. Aliás, tal como aconteceu em Sintra, com o projecto da AMI a ser integrado no que a autarquia tinha já a funcionar e que se reflectiu em “resultados muito significativos”. A participação das pessoas quase duplicou.

Seja em entidades ou na rua, com o projecto de recolha e posterior reciclagem dos OAU, a AMI contribui para evitar a contaminação das águas residuais ou a deposição dos óleos alimentares usados em aterros. Sendo recolhidos, esses óleos são transformados em biodiesel, “fornecendo uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis e contribuindo ainda para reduzir as emissões de CO2”, lê-se na mesma nota da Fundação AMI.

Mas reflecte-se também em donativos para os projectos da Assistência Médica internacional. Os 320 mil litros de óleos alimentares usados recolhidos no decorrer do primeiro semestre do ano traduziram-se na angariação de, aproximadamente, 16 mil euros. E acreditando que o segundo semestre trará resultados semelhantes, chegando o donativo aos 30 mil euros, Luís Lucas salienta que, “para a AMI, é extraordinariamente significativo”, dado que seis mil euros bastam para construir uma escola ou um centro de saúde, em qualquer parte do Mundo. Feitas as contas, conclui, “estamos a falar de cinco populações que poderão ter uma infra-estrutura básica como nunca tiveram até hoje”.

Porque “o óleo que deita fora pode ser mais perigoso do que imagina”, lê-se num dos cartazes mais recentes da campanha, e porque esse óleo alimentar usado “pode ainda ajudar muita gente”, a Fundação AMI apela à sua deposição numa das entidades aderentes, assim como a outras entidades para que se aliem ao projecto ambiental… e solidário. Mais uma vez, com o lema da AMI: “Dê! Vai ver que não dói nada”.

Marta Costa