Ano de 2010 foi negro para as empresas portuguesas

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O ano de 2010 não foi o melhor para as empresas portuguesas. Os efeitos da crise levaram quase quatro mil empresas a pedir a insolvência, mais 8,29 por centro que no ano transacto. O que dá uma média de 11, por dia.
Os dados do Instituto Informador Comercial revelam um crescimento de 305 casos de pedidos de insolvência, em relação ao ano de 2009 e de 1188 face a 2008.

A maior parte dos pedidos de insolvência ocorreram no distrito do Porto, 1003 empresas, seguindo-se Lisboa com 797 e Braga com 575. Em termos percentuais, foram os distritos de Beja, Faro, Portalegre e o arquipélago dos Açores que registaram os maiores aumentos. Portalegre registou o maior crescimento (86,67 por cento) – passou de 15 pedidos em 2009, para 28 em 2010.

No concelho da Maia, curiosamente, o número de insolvências foi menor em relação a 2009. Foram 98 as empresas que em 2010 pediram a insolvência, menos quatro que no ano anterior. No entanto, verificou-se um aumento do número de casos de insolvência no sector da construção de edifícios. Subiu de 9 em 2009 para 19 em 2010. O número aumenta quando verificamos que ocorreram insolvências em três empresas com actividades ligadas à construção civil – Comércio por grosso de materiais de construção, fabricação de outras obras de carpintaria para a construção e aluguer de equipamentos de construção e de demolição.

A nível nacional, os sectores da agricultura, silvicultura e exploração florestal, pesca e aquicultura, foram os sectores de actividade que registaram a maior subida. Os sectores da construção, promoção imobiliária e comércio, continuam a ser os que mais pesam no número de empresas que fecharam as portas no último ano, deixando no desemprego milhares de trabalhadores. Dos 1058 casos registados, 846 correspondem só ao sector da construção, sendo que 536 são referentes ao sector da promoção imobiliária e construção de edifício, um dos segmentos mais afectados pela crise económica – este último sector registou um agravamento de 157 casos num ano. Com a situação a agravar-se desde 2002, a construção e o imobiliário deixaram sem emprego 206 mil pessoas, sendo responsáveis por 47 por cento do total de desempregados em Portugal.

O comércio a retalho e por grosso é, no seu conjunto, o segundo sector com maior número de insolvências, 1001 em 2010. No entanto, ambos os tipos de comércio registaram um ligeiro recuo no número de processos de insolvência, em relação a 2009.
Incapazes de fazer frente aos concorrentes europeus, a agricultura e a produção animal acumulou, no ano transacto, 29 empresas em situação de insolvência, mais 18 do que em 2009. Na silvicultura e exploração florestal sete empresas declararam-se em dificuldades, quando o sector, dois anos antes, registava apenas um caso. Situação idêntica à pesca e aquicultura, que regista quatro casos, contra um há dois anos.
Os números preocupam os empresários e sobretudo os trabalhadores, que vivem sob a constante ameaça de perder o emprego, com o agravamento da situação económica do país. O ano de 2011 começou com novas medidas de austeridade, com aumentos nos impostos, nas taxas de serviços públicos, e nos descontos para a Caixa Geral de Aposentações.

A juntar ao acréscimo dos preços do pão, da electricidade, transportes, combustíveis, telecomunicações e medicamentos, as medidas do Governo obrigarão as famílias portuguesas a apertar ainda mais o cinto. E as dificuldades das empresas deverão ser ainda maiores, o que poderá levar a um aumento das falências em Portugal, e consequentemente ao crescimento do desemprego.

Fernanda Alves