António Lopes saiu do comando operacional do SMPC por “razões de saúde”

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Depois de vários anos a coordenar o Serviço Municipal de Protecção Civil (SMPC) da Maia e o Corpo de Voluntários, António Lopes foi afastado das funções operacionais, por questões de saúde.
Foi na passada sexta-feira. Em declarações a PRIMEIRA MÃO, o vereador responsável pelo SMPC, Mário Nuno Neves, esclareceu que não estão em causa “guerras” ou “questões pessoais”, apesar do afastamento não ter agradado a um grupo de seis voluntários, que acabaram por abandonar o corpo de voluntários, na segunda-feira.

Aquele responsável explica que o afastamento se deveu apenas às condições de saúde de António Lopes, que se têm vindo a agravar e que inclusive o obrigaram a “baixa médica”. “Perante esta situação e tendo em conta as condições climatéricas vigentes, factor que potencia um elevado risco e que exige a optimização das capacidades operacionais do Corpo de Voluntários da Protecção Civil da Maia, especialmente ao nível do comando e organização”, António Lopes foi afastado das funções operacionais.
Mário Nuno Neves esclareceu ainda que se tratou apenas de um afastamento “temporário” e apenas do comando operacional, continuando aquele elemento a assumir funções administrativas. A “incapacidade temporária” de António Lopes era uma situação que, para o vereador, tinha de ser resolvida com carácter “urgente”, porque do ponto de vista do comando operacional “quem está nessas funções tem de estar com todas as suas capacidades”.

No entanto, esta quarta-feira, o vereador foi confrontado com um ofício enviado por António Lopes onde este solicitava a “aceitação” do seu “pedido de escusa das funções operacionais”, alegando “razões de saúde, aliadas a outras de cariz pessoal”. “Se dúvidas houvesse, o facto de o Hospital Privado da Boavista fazer saber que, podendo regressar à actividade profissional, o signatário (António Lopes) mantém uma incapacidade relativa de 25 por cento, ‘mataria’ essa dúvida”, lê-se no ofício enviado ao vereador Mário Nuno Neves. O pedido de demissão definitiva das funções foi aceite.

O comando operacional passa a ser assumido provisoriamente por Eugénio Vieira, quadro do Serviço Municipal de Protecção Civil, e até à passada sexta-feira, coordenador-adjunto.
Mário Nuno Neves diz que “a mudança nada tem de dramático ou de extraordinário. Corresponde apenas à tomada da medida mais adequada, tendo em conta a especificidade da situação”. PRIMEIRA MÃO tentou ainda obter o comentário de António Lopes, mas este afirmou que não prestaria qualquer declaração.

Desrespeito e descoordenação

José Luís Fonseca foi um dos seis elementos que decidiram abandonar o Corpo de Voluntários do SMPC, após o afastamento de António Lopes do comando operacional. E entregaram na Câmara da Maia todo o fardamento que tinham na sua posse.
Em nome do grupo que está de saída, José Luís Fonseca fala em “falta de respeito” por parte de alguns voluntários e “descoordenação”. “Dificilmente voltarei a fazer aqui este tipo de serviço. Teria de mudar muita coisa, porque já não tenho paciência para aturar faltas de respeito, descoordenação. Cheguei ao meu limite, tanto eu como os meus colegas”, lamentou. Diz que a “gota d’água” foi na passada quinta-feira. José Luís Fonseca preparava-se para entrar de serviço no piquete do posto avançado do Mercado do Castelo, quando outros elementos do Corpo de Voluntários que, segundo diz, não estavam de serviço, pegaram na viatura de serviço e levaram-na para ocorrer a um incêndio num armazém, em Moreira. “Nós ficamos ali plantados à espera que alguém viesse ter connosco”, contou. O voluntário diz que, por várias vezes os piquetes de serviço chegam ao local da ocorrência e “já estão lá três ou quatro elementos fardados que não deviam estar, porque não estavam de piquete”. Um acumular de situações e o afastamento de António Lopes foi vista como a oportunidade de saída do Corpo de Voluntários do SMPC.

Reestruturação do SMPC

Mário Nuno Neves adiantou a PRIMEIRA MÃO que o Serviço Municipal de Protecção Civil da Maia vai sofrer “alterações significativas” que optimizem o cumprimento da sua missão, e respeitando o seu enquadramento legal. Deste modo, o Corpo de Voluntários “vai ser objecto de modificações que terão impacto nos seus objectivos, que passarão a ser muito mais de natureza de vigilância e prevenção do que de intervenção no terreno em situações de emergência, missão que cabe a outras entidades”, explicou o vereador. Mudanças que se vão enquadrar na redefinição do modelo de segurança da própria Câmara Municipal da Maia. “Estamos a falar não só de Protecção Civil. Estamos a falar de segurança de bens e equipamentos municipais, e até da própria Polícia Municipal. O objectivo será aproveitar todas as sinergias e fazer uma gestão que terá em conta os recurso, incluindo os financeiros”, finalizou Mário Nuno Neves, vereador responsável pelo Serviço Municipal de Protecção Civil da Maia.

Fernanda Alves

4 COMENTÁRIOS

  1. sou um ex voluntário, no qual não quero ser reconhecido…

    so tenho uma coisa a dizer, o dr. Mário Nuno prometeu mudar tudo no inicio e até agora nao se viu nada a não ser desvalorizar os voluntarios.
    outras corporações têm financiamaneto da camara para tudo e mais alguma coisa, desde €, a viaturas novas, matrial de segurança pessoal (como fardamentos devidamente decentes e meios materiais para o activo) a protecção civil da maia não tem instalações minimamente decentes, tem um jipe a cair de podre no qual nao oferece segurança minima, e com pouco se calhar nem seguro têm os elementos do corpo de volntarios, mas é como eu digo, nao vale apena, eles é que mandão, e o pais nao anda pa frente…

    um pequeno aparte… Sai do corpo de voluntarios por falta de respeito como o José Luis falou e principalmente devido ao veriador que temos, “eu não sou como os outros veriadores, eu faço eu aconteço, e até agora nada, muito pelo contrario, cada vez pior. Com um discurço na passada quinta feira dia 29 levando ao abandono de mais uns quantos elementos…

    é com uma enorme tristeza que o digo; “SEM COMENTARIOS” o que o doutor Mário Nuno foi falar para o jornal

  2. Depois desta noticia consigo ficar mais aliviada, para quem vive na maia fica com a certeza que a proteção civil da maia é uma brincadeira de miudos.
    afinal não estamos a falar da mesma protecção civil que o Sr. Presidente tanto venerava e usava nos seus discursos ?
    E agora o sr. vereador diz que tudo o que eles faziam deve ser feito por outras entidades ?
    Que me lembre, é o mesmo vereador desde as ultimas eleições ?! O mesmo que demonstrou empenho e vaidade no grupo ?

    Afinal isto não passa de uma brincadeira….será possivel que o serviço que era bestial deixe de o ser ? A camara criou uma linha verde para este serviço…afinal para quê ?

    continuamos no mundo dos vivos a pagar os impostos para que outros brinquem às guerrinhas e ainda recebem do nosso dinheiro e consigam criar manobras para fugir com o rabinho à seringa. Bem haja sr. vereador.

  3. Boa tarde,

    No Jornal diz seis volutarios mas não são,mas sim sete os que sairam,na qual eu foi um deles,por não haver respeito nenhum,como tambem não se sabem respeitar,porque não tiveram educação para tal.è de lamentar o que a protecção civil era, e o que esta.
    E na minha opnião não reservo nenhum futuro a pretecção civil Maia o que é de lamentar.
    Na minha opnião a p.c só tera futuro quando houver novas eleiçoes,e novos variadores,com pensamentos diferentes e verem as situaçoes com outros olhos,e se dedicarem com alma e coração,como eu e muitos se dedicaram,e por fim não souberam ter consideração nenhuma por nós,mas enfim é a nossa polica portuguesa que temos.
    Sr.presidente da camara da maia tenha atenção ao corpo da p.c e salva uma coisa bonita que é.

  4. Eu pensei muito antes de escrever aqui mais qq coisa. Mas por fim, vi-me obrigado a fazê-lo. Esta noticia está bem redegida e demasiado elaborada, passo a explicar: entre a minha entrevista e a data da publicação passaram algums dias. Dias suficientes para que os responsaveis da camara da maia conseguissem elaborar uma peça de teatro. Fernanda Alves assinou esta noticia e foi com ela que falei e se vem se lembra, Fernanda, eu referi que nao temia represalias visto apenas ser uma homem de boa vontade e nao ter ligações à camara. Não
    e demasiado esquisito todas as justificações ? O relatorio ? A incapacidade ? A escusa ? Meu Deus, só eu é que sou inteligente? Não, existem por aí muitas pessoas que sabem juntar 2+2.
    Retiram o poder com a justificação de incapacidade temporária. Dão esse poder alguem que pelo o que consegui apurar, mesmo não sendo investigador, tem a mesma incapacidade (25%) mas para o resto da vida. lá estou eu olhando p’ro céu e dizendo meu Deus…será possivel ????
    Espero seramente pela proxima campanha eleitoral e aí de certeza que a imprensa vai recordar estes acontecimentos.

    O meu AMIGO BEssa apelou ao Sr. Presidente, eu já o fiz mas volto a fazê-lo: Sr. Presidente da Camara gostaria imenso de ouvir algo da sua parte sobre este assunto e quem sabe até mesmo, caso o senhor tenha disponibilidade, receber-nos (ex. voluntarios da PC da Maia) para um dialogo que por certo lhe daria outra perpestiva do caso. como alguem escreveu um dia: o mundo só será melhor quando conseguires fazer mais pelos outros do que por ti. Era com esta ideia que retirava horas da minha vida para vestir a farda que entreguei.

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