APPACDM da Maia: “Um espaço aberto à diferença” mesmo em pandemia

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A APPACDM da Maia atravessou a pandemia com muitas precauções e conseguiu até ao momento não registar qualquer surto de Covid19.

A instituição amiga dos deficientes tem um lar residencial em Vila Nova da Telha e Centros de Atividades Ocupacionais (CAO) em Águas Santas e S. Pedro de Avioso, prestando apoio a 100 utentes.

Em entrevista ao Primeira Mão, o presidente da direção, Jaime Teixeira, explicou que houve um esforço “estoico” dos funcionários e, desta forma, foi possível manter em funcionamento todas as valências da APPACDM. Todos os cuidados e carinhos com os deficientes foram mantidos, como sublinha Jaime Teixeira nesta conversa.

Jaime Teixeira_Foto A Santos

“Como estivemos sempre em funcionamento e com muitas preocupações, dividimos os funcionários em turnos de 12 horas, um de manhã e outro à noite, em que depois eles eram compensados com dias de descanso. Também tivemos de investir em fardas, porque cada trabalhador precisava de 2 ou 3 fardas por dia. Cortámos as visitas e os abraços da parte dos trabalhadores, já que entre os meninos era difícil, pois eles são muito afetuosos”, lembrou o dirigente da APPACDM.

Do Lar, só houve duas famílias que quiseram que os filhos fossem para casa, para não estarem sem os visitar.

Para as famílias dos utentes dos CAO, a pandemia “foi a fase mais difícil, porque não podiam ter o apoio habitual da instituição”, segundo Jaime, que recorda que teve relatos de meninos que “queriam vir para cá, estar com os amigos, e isso foi muito duro”. Para os utentes que foram obrigados a ficar com as famílias “houve alguns reflexos, mas eles recuperam rapidamente e os monitores também vão auxiliando”.

Nesta fase em que já estão a desconfinar, mantêm-se algumas restrições: “os convívios com outras instituições também foram eliminados e os passeios tornaram-se mais limitados. Eles às vezes vão até ao mar ou ao parque na carrinha, mas não podem sair disso. E claro, vão sempre de máscara”. A utilização de máscaras também é desafiante “pois alguns meninos não compreendem, mas outros utilizam-na normalmente”.

Os testes regulares à Covid-19 eram realizados “através da autarquia e da segurança social, que se deslocavam aqui. Também tivemos o caso de uma funcionária com um familiar infetado, o que foi uma preocupação enorme. Ela ficou em isolamento durante 14 dias e, felizmente, isso não teve reflexo no nosso ambiente. Aliás, nunca tivemos um caso de Covid-19 desde que a pandemia começou”, assegura Jaime Teixeira.

A vacinação contra o vírus também está a ser eficiente na APPACDM da Maia. “Todos os trabalhadores e utentes do polo de Vila Nova da Telha já foram vacinados. Nos CAO, também já estão a ser chamados para a toma”.

A pandemia obrigou a APPACDM a transferir os utentes do CAO Vermoim (muito pequeno) para a escola de Cristal, em Águas Santas, em parceria com a Câmara da Maia, que cedeu o espaço. A instituição resolveu então deixar cair o projeto inicial de requalificação da escola da Granja para albergar o CAO de Vermoim, pois a obra iria demorar um ano. O CAO vai ficar na escola de Cristal, mas teve que se fazer novo projeto. No entanto, a APPACDM conseguiu segurar o financiamento do Norte 2020, já aprovado.
Foi a grande problemática trazida pela pandemia à instituição. Entretanto, Jaime Teixeira desenvolveu um processo de angariação de apoios na comunidade e espera conseguir donativos, além da parceria já estabelecida com a Sociedade Com. C. Santos, empresa que já está a apoiar o projeto.

A APPACDM está “aberta a toda a solidariedade” e Jaime Teixeira reforça que “aqui não entra nem sai um tostão sem ser contabilístico”. A razão de existência desta associação é, na sua essência, “mudar permanentemente a vida das pessoas”.

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