APPACDM pronta a começar serviço de apoio domiciliário a deficientes

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APPACDM
imagem de arquivo
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Jaime Teixeira começou a colaborar com a direção da APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental em 2010, acabando por se candidatar à direção em outubro de 2011 e ficou até hoje a trabalhar nesta missão de “fazer os utentes mais felizes”. Já assumiu o segundo mandato para comandar a instituição até 2018.

A APPACDM é uma instituição particular de solidariedade social que presta serviços a cidadãos com deficiência mental, promovendo a sua integração na sociedade e apoiando as suas famílias.
A sua génese remonta à APADIM, criada em março de 1981, sendo mais tarde integrada na APPACDM do Porto. Em 2004 adquire a sua autonomia enquanto APPACDM da Maia.

Em 2015, a instituição viu um dos seus grandes sonhos realizados, com a inauguração e entrada em funcionamento de um moderno edifício em Vila Nova da Telha, onde já funciona um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) e o tão aguardado Lar Residencial. Este equipamento veio juntar-se aos dois Centros de Atividades Ocupacionais já existentes, em Vermoim e S. Pedro de Avioso.

Novo edifício

O edifício novo de Vila Nova da Telha custou cerca de 2 milhões e 80 mil euros, começou a ser construído em 2012 e está a funcionar desde 2015. Teve apoio do Estado a 100% no 1 milhão e 550 mil euros pelo qual o projeto foi orçamentado. “A Câmara ajudou-nos com o restante, pois realizamos uma obra um pouco mais ambiciosa e com equipamentos que inicialmente não estavam orçamentados, mas que nos trazem outra qualidade no atendimento e no tratamento aos nossos utentes”, referiu o presidente da direção.

A instituição tem capacidade para 70 utentes, mas alberga 67, dado que quando se efetuaram os protocolos a Segurança Social (SS) não autorizou mais que uma capacidade para 20 utentes em Lar (quando tem capacidade para 24) e 27 em CAO (quando pode albergar 30). A negociação com a SS vai continuar para tentar obter apoios para mais três vagas.
12 homens e 8 mulheres estão permanentemente no Lar, dentro de uma faixa etária entre os 18 e os 71 anos, mas Jaime Teixeira gosta de chamar “meninos” a todos os utentes, o que denota o carinho com que todos são tratados na instituição.

Jaime Teixeira refere com orgulho que uma das novidades que incluiu na vida destes utentes foi uma visita de estudo anual a uma região do país. Este ano, na última sexta-feira, a viagem foi até ao Badoca Safari Park, no Alentejo. Mas já foram realizadas viagens ao Algarve, ao Jardim Zoológico, entre outras. Acima de tudo, pretende-se proporcionar novas e enriquecedoras vivências aos “meninos”.

Despesas elevadas

As dificuldades da associação situam-se na área financeira, uma vez que existe uma responsabilidade de 80 mil euros mensais com salários de 46 funcionários e ainda com as prestações do crédito bancário, contraído para poder avançar com a construção do novo edifício.

Depois, surgem algumas despesas com o desgaste de material ou novas necessidades, como por exemplo, a de comprar uma nova carrinha de transporte. Para além das quatro carrinhas existentes, torna-se necessário mais um veículo para apoiar os utentes da sede, com um valor de 30 mil euros, “para o que estamos a procurar um apoio de um mecenas ou então da Câmara”, frisou Jaime Teixeira.

Jaime Teixeira

O dirigente acrescenta que a Câmara Municipal da Maia “tem sido um apoio incansável com a concessão de verbas para a construção do espaço onde funciona a sede, CAO e Lar residencial de Vila Nova da Telha. Para além disso, a autarquia ainda oferece as aulas de natação aos utentes”.

Uma das diligências da associação para os próximos tempos é a mudança do CAO Vermoim para novas instalações, algo que só será possível em parceira com o município. “O ideal seria transferir o centro para Águas Santas, uma área onde existem 14 utentes e poder poupar nos transportes”, explicou Jaime Teixeira. O centro de Vermoim não tem as devidas condições de acessibilidade e torna-se urgente um novo espaço com uma estrutura mais moderna e funcional.
Em Vila Nova da Telha, a APPACDM tem pronto para arrancar um SAD (Serviço de Apoio Domiciliário).

Um dos problemas imediatos é que o SAD não está a ter muita adesão das famílias, eventualmente porque estão a receber apoio de outras instituições ou não estão ainda esclarecidas sobre a especificidade do apoio que deve ser concedido no domicílio do Deficiente Mental. “São cuidados um pouco diferentes do Apoio Domiciliário que habitualmente é feito para a terceira idade. A instituição vai voltar a tentar um esclarecimento junto das famílias para este serviço especial e tentar avançar com a valência”.

Novo site

De resto, a divulgação da instituição e suas valências a par da aproximação dos familiares às atividades diárias dos utentes foram objetivos que estiveram subjacentes à criação do novo site da APPACDM, “mais moderno e mais completo”. Agora em appacdmmaia.org, a associação tem uma nova janela aberta à comunidade na promoção da igualdade pela diferença, onde podem ser encontradas as valências e todos os serviços de que a associação dispõe. Por outro lado, os pais ficam muito melhor informados acerca da vida da APPACDM, da vida dos seus filhos, podendo informar-se de pormenores como visitas de estudo ou até a ementa dos almoços.

Outra novidade na APPACDM é a inserção de ocorrências diárias dos utentes num programa informático acessível aos vários técnicos e direção. Até há pouco tempo os registos de cada utente eram efetuados em papel, mas muito recentemente a “instituição investiu na compra de um novo programa informático, que permite mais comodidade na forma como se regista e se consultam os dados”.

A inserção dos deficientes na sociedade é uma realidade de alguns utentes da APPACDM. No grupo dos utentes mais autónomos ou menos profundos, tem sido possível inserir com sucesso no mercado do trabalho alguns destes cidadãos diferentes, como por exemplo, na Câmara Municipal, no Zoo, ou ainda numa empresa de sabonetes. De acordo com Jaime Teixeira, as empresas “têm mostrado abertura para a empregabilidade destas pessoas, que têm competências especialmente para atividades rotineiras”.
A própria instituição, agora que tem um edifício adequado e mais amplo, vai preparar empresas de cariz social para ocupar e rentabilizar as competências dos seus utentes.

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