Autarcas do Norte aceitam novas restrições, mas apontam críticas ao Governo

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imagem de arquivo (cedida por CMM)

A maioria dos autarcas do distrito do Porto concorda que era preciso apertar mais as restrições na região norte. Os líderes das câmaras municipais aceitam as decisões embora apontando algumas críticas à conduta do Governo neste processo.

O aviso de que “não podemos morrer da cura” é deixado por Marco Martins, que preside à Câmara de Gondomar e à Comissão da Proteção Civil do Distrito do Porto. O autarca era contra as restrições por concelho, mas agora diz concordar com os níveis de diferenciação de risco.

O presidente da Câmara de Gondomar explica que as restrições deviam ser universais, exequíveis e fiscalizáveis, dando agora dá luz verde ao plano avançado pelo Governo de dividir o país em quatro zonas de risco.

Ao jornal Expresso, Marco Martins esclarece que “o que defendi é que não fazia sentido medidas concelho a concelho. Neste novo plano, as restrições são iguais em municípios contíguos, o que faz todo o sentido dada a grande mobilidade de pessoas na região”.

Mas o autarca discorda da proposta do Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, para alargar as restrições para as pontes.

Esta é também a reação de Aires Pereira à sugestão da Ordem dos Médicos. O autarca da Póvoa de Varzim defende que é preciso evitar o confinamento geral do país.

Na Maia, apesar do voto de confiança, Silva Tiago não deixa de questionar o tempo de reação do Governo até pelo consenso científico de que haveria uma segunda vaga no outono/inverno, planeamento que, lembra o autarca maiato, “foi adormecido no verão”.

Apesar de estarem a ser exigidos sacrifícios, muita contenção e extrema resiliência à população, Silva Tiago avisa que este é um momento de verdadeira emergência e que tudo tem de ser feito para conter o alastramento dos surtos.

Já o socialista que lidera a AMP e a câmara de Gaia lembra que em tempos de pandemia “não há medidas ideais”, mas acredita que as que entram entra em vigor agora terão força suficiente para que a curva epidemiológica registe “uma inversão da tendência de crescimento nas próximas duas semanas”, diz Eduardo Vítor Rodrigues.

Luísa Salgueiro também aprova a decisão do Governo para as pontes, pois a presidente da Câmara de Matosinhos lembra que grande parte das compras são feitas nos feriados do início de dezembro.

A autarca disse ao jornal Expresso que “aceita e compreende que haja dois níveis de medidas transversais no combate ao surto”, embora faça uma ressalva de princípio quanto aos níveis de risco: “Falta informação concelho a concelho quanto ao número de testes que estão a ser feitos”.

A presidente da Câmara de Vila do Conde é menos condescendente em relação ao Governo. Embora concorde que é preciso restringir o movimento de pessoas na via pública, Elisa Ferraz alerta que a população fica confusa com a divisão do país em quatro níveis, quando as medidas são quase as mesmas.

Alberto Costa, presidente da Câmara de Santo Tirso, considera que as novas restrições são absolutamente cruciais para travar o surto no distrito, até porque acredita que, “se as pessoas as cumprirem, a região vai conseguir diminuir os contágios”.