Avale em fase de dissolução

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Chegou ao fim a Avale – Associação de Freguesias de Vale do Leça, que englobava as freguesias de Águas Santas, Gueifães e Milheirós. Há cerca de um ano desistiu Pedrouços, que também esteve na génese do projecto. Agora, foi a vez de Águas Santas se desvincular. Reduzida às duas freguesias mais pequenas, os autarcas decidiram dissolver a associação.

A Avale começou em 2006 a partir de uma ideia desenvolvida pelos presidentes de junta, da altura, de Pedrouços, Abílio de Sousa, e de Águas Santas, Manuel Correia. Na altura, a ideia era unir esforços para desenvolver alguns projectos entre as freguesias associadas. O convite foi alargado a Milheirós para se associar, e, numa segunda fase, a Gueifães, que acabou por se juntar ao projecto. “Fizemos a escritura e as coisas foram-se desenrolando”, recorda o presidente do conselho de administração, Alberto Monteiro.

Na altura, o conselho de administração entendeu que se devia proporcionar um apoio ao domicílio na área da saúde “porque não havia grande cobertura do apoio médico no concelho, nestas quatro freguesias”. Avançaram com o Camed, um serviço de apoio médico e de enfermagem, que funcionava das 08h00 às 22h00.

O serviço foi-se desenrolando e paralelamente foram-se fazendo outras actividades. Mas “houve uma grande desmotivação por parte, primeiro da Junta de Freguesia de Pedrouços, que acabou por abandonar a associação”.

Mas terá sido a mudança de cor política, na eleições de Outubro de 2009, a ditar o fim da associação. Numa primeira fase, depois da tomada de posse do novo conselho de administração, o presidente da Junta de Freguesia de Águas Santas, Carlos Vieira, terá mostrado interesse em continuar. “Em princípio disse que sim”.

Na altura da tomada de posse mostrou-se interessado em continuar. Na primeira reunião tinham decidido, em conjunto, acabar com o CAMED. Tinham cerca de 50 sócios e não se justificava manter o serviço. “Decidimos que terminava a 31 de Dezembro, e apenas tínhamos que assegurar o apoio médico e domiciliário de enfermagem às pessoas que tinham as quotas pagas até Dezembro porque tínhamos um compromisso. A partir daí, íamos mandar uma carta a todos os sócios a dizer que devido à falta de adesão por parte das pessoas das freguesias envolvidas, ira proceder-se à extinção do serviço”. Por outro lado, acrescenta o presidente do conselho de administração, as Unidades Familiares de Saúde que surgiram entretanto também prestam um serviço “mais próximo das pessoas e estão a fazer um bom trabalho e já não se justificava este serviço”.

Depois Carlos Vieira mandou uma carta a Alberto Monteiro a dizer que se desvinculava da Avale. “Recebi uma carta, onde informava que em reunião de executivo e assembleia de freguesia ficou decidido que se desvinculavam da Avale a partir de 31 de Dezembro de 2009”, conta Alberto Monteiro.

A decisão acabou por apanhar de surpresa Alberto Monteiro porque no período a seguir às eleições, já tinham falado com o novo presidente da Junta de Freguesia de Pedrouços e Joaquim Araújo tinha-se “mostrado interessando em voltar a aderir”.

A Avale acabou por ficar reduzida a Gueifães e Milheirós. “Por sua vez também não se justifica continuar com este projecto”, considera. “Milheirós também entendeu que devia acabar e é o que estamos a fazer nesta altura”, acrescenta. Nesta fase, estão a liquidar as dividas que tinham, que passam por pagar aos médicos e enfermeiros, os serviços dos meses de Novembro e Dezembro. “E fica tudo liquidado”.

Serviços médicos à parte, quando a Avale foi pensada foi com outros objectivos. O presidente do conselho de administração refere que ainda desenvolveram algumas ideias em conjunto, nomeadamente as colónias de férias que afirma terem “resultado muito bem” porque “houve uma junção das crianças das quatro freguesias, um convívio entre elas, tanto é que se fizeram grupos mistos e isso foi importante”. Fora isso “fizeram-se alguns contactos para desenvolver alguns projectos que realmente não foram avante”, confessa.

E não foram desenvolvidos, justifica, por falta de meios e por falta de apoios. “As freguesias é que estavam a suportar tudo mas fundamentalmente foi a falta de uma sede, “um espaço físico onde a Avale pudesse ter as suas coisas que ditou o seu fim”.

Recorde-se que a primeira sede da associação de freguesias foi na Junta de Freguesia de Pedrouços. Quando esta saiu a sede passou para a freguesia de Milheirós e agora estava em Gueifães. Contudo, “o edifício já não tem condições para os serviços da junta funcionarem com a dignidade que é necessária, por isso, também não tem espaço físico para a Avale poder trabalhar”, ressalva Alberto Monteiro.

Apesar das dificuldades, algumas ideias foram-se trabalhando, no entanto, Alberto Monteiro admite que a doença do falecido autarca, Manuel Correia, “um dos grandes impulsionadores da ideia”, foi adiando o projecto. “Provocou um desânimo das pessoas que estavam no conselho de administração”. Aliado a isso esteve também a falta de tempo de cada autarca, que tem para além da presidência da junta a própria profissão e a falta de funcionários próprios. “Cada junta cedia um funcionário para ir fazendo algum trabalho para a Avale, mas penso que se tivéssemos um espaço físico próprio, se calhar, teria sido diferente e estaria em andamento, neste momento”, afirma.

De acordo com Alberto Monteiro, a saída de Pedrouços “abriu uma brecha”, mas foi a mudança de cor política em Águas Santas que deu “a machadada final”. Tudo levava a crer que iriam continuar, não fosse esta decisão da maior freguesia do concelho da Maia. “Eram as duas freguesias fundamentais para o projecto porque teriam um peso considerável em termos populacionais e porque foram elas que pensaram o projecto e continuar sem elas, não tinha razão de ser”, conclui o autarca de Gueifães que não esconde a tristeza de ver chegar ao fim uma ideia a que esteve ligado desde a sua génese. Mas neste momento aquilo que se decidiu “foi mesmo dissolver a associação”.

Isabel Fernandes Moreira