Bastonário da Ordem dos Médicos aprova certificação do sistema de testagem na Maia

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foto A Santos
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O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considera muito importante o protocolo firmado entre a Câmara da Maia e a Cruz Vermelha Portuguesa para dinamizar a testagem em massa e de forma controlada a nível médico com regularidade, principalmente nesta fase crítica de desconfinamento mais generalizado em quase todo o país.

O protocolo permite a certificação com o selo COVID Tested & Go, uma garantia de que o ambiente de uma instituição certificada é segura em termos de prevenção à Covid19.
A Câmara Municipal da Maia recebeu na sexta-feira o selo COVID Tested & Go atribuído pela Cruz Vermelha Portuguesa, tornando-se assim a primeira entidade nacional a recebê-lo.

“Estamos numa fase crítica em que as pessoas veem que as coisas estão a correr bem, menos pessoas internadas e nos Cuidados Intensivos, portanto, estamos na altura de desconfinar, que é o que está a acontecer e bem. Mas como esta altura é crítica, tem que haver a implementação de algumas medidas fundamentais para que não volte a acontecer aquilo que aconteceu. Essas medidas têm a ver com a vacinação – o Plano de Vacinação tem que ser agilizado e tornado simples, felizmente já está a acontecer, e ainda bem que o coordenador da Task-force mudou – e com a questão da testagem, sendo que neste âmbito este protocolo da testagem é muito importante”, declarou Miguel Guimarães, convidado para a cerimónia nos Paços do Concelho da Maia.

O bastonário da Ordem dos Médicos sublinhou: “se queremos controlar rapidamente cadeias de transmissão, separar pessoas infetadas daquelas que não o estão, só temos uma possibilidade: é testar em massa”.

E nesta altura torna-se essencial “testar em massa as pessoas mais jovens”, defendeu Miguel Guimarães, “pois os mais novos, falo dos jovens adultos (dos 15 aos 30 anos), foram os principais propagadores da infeção, estavam infetados e não tinham sintomas e depois iam estar próximos de pais e avós”.

É nesta perspetiva que Guimarães atribui muita importância a esta parceria que a Cruz Vermelha estabeleceu com a Câmara da Maia e vai estabelecer com outras autarquias e entidades aderentes para que “este reforço da testagem, de facto, exista”, acrescentando que “esta ideia do selo de certificação é uma ideia interessante, que “penso que irá dar um sinal de confiança aos cidadãos, que, neste momento precisam muito de confiança nas vacinas, nas autarquias e nas autoridades de saúde”.

O bastonário salienta que este projeto da Cruz Vermelha será essencial, especialmente, “neste período difícil que estamos a atravessar, em que o papel da Saúde Pública vai passar a ser absolutamente determinante, aliás, a tutela vai ter que obrigatoriamente forçar a Saúde Pública, e enquanto não temos um número suficiente de pessoas vacinadas que nos permita ter uma vida diferente”.

Ainda assim, Miguel Guimarães alerta que a máscara e as medidas higiénicas “provavelmente irão manter-se seguramente até ao fim do ano, sendo que quando tivermos 70% de pessoas vacinadas teremos imunidade de grupo”, mas resta ainda perceber qual a durabilidade das vacinas, que “ainda não é conhecida”. E refere o caso da Pfeizer, que é uma vacina RNA, terá uma duração de pelo menos seis meses de proteção individual.

E esta questão da proteção da vacina é outro aspeto em que é preciso esclarecer bem as pessoas, afirma Miguel Guimarães: “a vacina protege a pessoa que a faz e não protege as outras pessoas, portanto temos que continuar a usar máscaras; a vacina só protege as outras pessoas quando tivermos 70% de vacinados,”. A minoria de não vacinados acabará por ser protegida, pois a maioria de pessoas no seu meio está vacinada e protegida.

O reforço de testes nesta fase crítica é “essencial”, salienta Miguel Guimarães, que lembra que é algo de que a Ordem dos Médicos tem insistido muito, até porque, frisou, “o que a ministra da Saúde tem dito não é verdade, ela tem que começar a falar verdade aos portugueses. Neste momento não somos o país que está a testar mais nem andamos perto disso”.

O bastonário insiste que não é por termos menos casos de infeção que podemos testar menos, porque “se queremos desconfinar em segurança temos que fazer testagem regular, o que não está a ser feito. Testa-se uma escola e aquela escola se calhar nunca mais é testada, ou será daqui a 5 meses. Isso já não é controlo da infeção”.

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