Brincar é aprender para a vida

0
166
- Publicidade -

Brincar é importante para a aprendizagem e a criança deve ter o direito de brincar livremente. Atualmente, de acordo com o Prof. Carlos Neto, a criança perdeu o direito de brincar e está desde muito cedo a ser formatada para uma sociedade mais produtiva do que integradora e criativa.

“A Brincar é que a Gente se entende. A importância do Brincar na Escola” foi o tema dominante da conversa com o Prof. Carlos Neto na segunda sessão da série “A Escola XXI em 61 minutos”, que decorreu no dia 4 de março.

Trata-se de uma série de conversas sobre Educação, que a Câmara da Maia promove para um auditório online.

Carlos Neto é professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, especialista e investigador em Educação Física. Esteve numa conversa digital moderada por Luís Ribeiro, presidente da Associação de Profissionais de Educação de Infância.

“Seria exigível que toda a gente tivesse uma consciência suficientemente clara, em pleno século XXI, que as crianças necessitam de brincar muito e serem ativas para construirem uma cidadania e capacidade para crescerem felizes”, começou por referir Carlos Neto.

As crianças aprendem a brincar de “forma espontânea, autêntica, pois brincar não se aprende, vive-se, experimenta-se, o que é absolutamente essencial”, defende Carlos Neto. Ultimamente temo-nos desviado desta tendência, enviesando para uma secundarização deste comportamento, muito orientado pelo grande preenchimento do trabalho dos pais.

Brincar é aprender a enfrentar a incerteza, salienta o Prof. Carlos Neto, acrescentando que, agora, a pandemia vem trazer agora “esta mensagem: o brincar já é uma preparação biológica, e se quisermos, antropológica e ancestral de uma ferramenta poderosa que temos ao nosso alcance para que, desde cedo, nós tenhamos os dispositivos internos que vêm apropriados de um ADN com 5 milhões de anos; assim as crianças têm tudo dentro delas para aprenderem aquilo que entendem e desejam, que é também necessário para sobreviverem, para terem capacidade adaptativa e criativa”.

Carlos Neto considera que, apesar de vivermos em Democracia, neste momento “não há direitos da criança no que respeita ao brincar”, pois foram-lhe retirados.

Desde muito cedo, os adultos formatam as crianças para um mundo produtivo, para se integrar mais tarde “num mundo a trabalhar”, em vez de ser uma educação para “uma sociedade da integração e da sensibilidade”.

A terceira sessão de “A Escola XXI em 61 minutos” realiza-se no próximo dia 25 de março, estando as inscrições abertas.

- Publicidade -