Câmara da Maia abre portas a desempregados da Qimonda

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Há cerca de uma semana que 31 ex-trabalhadores da Qimonda estão ao serviço da Câmara Municipal da Maia. Estavam inscritos no Centro de Emprego da Maia, desde que foram despedidos da empresa de Vila do Conde, mas são acolhidos pela autarquia, na sequência de uma candidatura submetida a 7 de Maio e aprovada no dia 2 de Julho. Estão a trabalhar nas áreas do desporto, biblioteca, cultura, ambiente, finanças, recursos humanos e administração geral. Essa resposta foi encontrada no âmbito da Rede Social, mas não havendo necessidade de recorrer a outras entidades além da câmara.

Os contratos foram assinados ao final da manhã, estando presentes nove desses 31 maiatos. Entre eles Sérgio Carvalho. Depois de seis anos na Qimonda, foi integrado na área de contabilidade da Câmara da Maia, mas consciente que se trata de uma situação provisória e que deve manter “a procura activa” de emprego. Até porque “isto é uma ocupação e não um emprego”.

[audio:SERGIO.mp3]

Procurar foi também o que fez Alexandra Soares, até chegar a resposta da integração na câmara, numa espera que confessou ter sido “muito frustrante”, principalmente porque enviava candidaturas sem receber qualquer resposta.

[audio:ALEXANDRA.mp3]

À experiência de seis anos na área de engenharia da Qimonda, onde testava os produtos antes de seguirem para a produção, segue-se trabalho de um ano na administração geral, a que está agora a adaptar-se. “Mas já estou bem mais animada porque em casa nem nos sentimos úteis”, confessou Alexandra Soares.

Dos 73 que foram dispensados da Qimonda e se inscreveram no Centro de Emprego da Maia, resta resolver a situação de oito que, “por questões pessoais, familiares, de saúde, não têm neste momento condições de integração neste programa”, justificou o director do centro, Adolfo Sousa. Quanto aos restantes, 27 arranjaram emprego numa outra empresa ou entidade, apostaram na formação profissional ou criaram o próprio emprego. Para os restantes, foi preciso encontrar solução.

[audio:ADOLFO.mp3]

Dos oito ainda a aguardar reintegração no mercado de trabalho, três estão a terminar o processo de reconhecimento e certificação de competências, “que vai possibilitar a integração em estágio profissional”, adiantou Adolfo Sousa.

Desemprego a baixar

Na assinatura dos contratos, o presidente da Câmara da Maia destacou o facto desta ter sido a única autarquia a candidatar-se ao projecto, no sentido de “as pessoas que tanto sofreram terem uma nova oportunidade para que se insiram no mercado de trabalho”. Desta forma, acrescentou Bragança Fernandes, o município continua a contribuir para a redução da taxa de desemprego no concelho, já “muito abaixo do nível nacional”.

O projecto tem a duração média de um ano, embora para dez dos desempregados – os que estão a trabalhar nas piscinas da Quinta da Gruta – o contrato seja de cinco meses. Trata-se de um investimento de 125 mil euros, totalmente financiados pelo Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização.

Marta Costa