Campanha do PCP quer exigir uma vida melhor para os trabalhadores

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Já ganharam acima da tabela. Mas os tempos eram outros. Agora, dizem que ganham pouco e para terem um aumento foi preciso andar a fazer greve. Quem o disse foram algumas das trabalhadores da Finex, em Milheirós, empresa onde a Comissão Concelhia da Maia do PCP arrancou com a campanha nacional do partido sob o lema “Com o PCP, lutar contra as injustiças – exigir uma vida melhor”, que vai decorrer até Março junto dos trabalhadores.

De acordo com a dirigente do PCP da Maia, Teresa Lopes, trata-se de uma campanha que vai decorrer até finais de Março para chamar a atenção sobre diversos problemas sociais, que o PCP entende que estão no cerne da actual situação e que relativamente ao Orçamento de Estado “pesam bastante”. O PCP pretende continuar a chamar a atenção para alguns problemas que continuam a acontecer na Maia, que “às vezes são menos falados” mas que consideram igualmente “importantes”.

Na base da campanha dos comunistas está a questão do desemprego e relativamente à Maia a dirigente garante que “se mantém” a taxa de desemprego nos 12 por cento, “o que não sendo a pior do distrito também não é a melhor, até há concelhos do Grande Porto que têm uma taxa mais baixa”, justificou. “Até há coisas que parecem estranhas porque, por exemplo, o Vivaci e o Maia Jardim foram abertos recentemente e dão como um ponto importante na propaganda o número de postos de trabalho que foram criados e nós vemos, por exemplo, que de Novembro para Dezembro de 2009, de acordo com os dados do Centro de Emprego, não são as estatísticas do PCP, houve mais 74 trabalhadores desempregados, portanto, continua a aumentar, e se compararmos com o ano anterior, então é um aumento de 22 por cento. Portanto, na Maia há cerca de 6700 desempregados, sendo que também relativamente a uma camada jovem que hoje tem cursos os dados também continuam a ser elevados”, acrescentou.

Teresa Lopes recorda ainda que o problema do desemprego “é depois concretizado com falências, empresas mais pequenas que fecham por falta de apoio e porque não tem recursos para fazer face à situação”. De acordo com Alberto Neto, elemento da comissão concelhia do PCP, o número de falências também tem vindo a aumentar no município, “ao contrário daquilo que o presidente da Câmara diz nas entrevistas”. Consigo, numa pasta, trazia cerca de 20 processos de empresas que entraram em processo de insolvência. “Mas serão, com certeza, o dobro ou o triplo delas”, garantiu. “O nosso presidente, às vezes, parece que não conhece a realidade do próprio concelho”, lamentou, porque “são empresas que já fecharam mesmo”. Os dados são relativos a 2009, mas Alberto Neto garante que este ano “já começaram a surgir. “Já soube que no MaiaShopping houve uma empresa que entrou em processo de insolvência”. O Comunista entende que devem estar atentos porque a situação “atira com as pessoas para uma situação de precariedade”.

Direitos

Outro problema, acrescentou Teresa Lopes, prende-se com os direitos dos trabalhadores e “há muitas empresas” que não cumprem. “Há trabalhadores com salários em atraso, subsídios de Natal em atraso, são aspectos que não se podem aceitar”.

Teresa Lopes focou ainda a questão do aumento dos salários, ou o não aumento de salários. “Nós sabemos que está outra vez uma grande campanha por causa da crise, por causa do défice, portanto, se os trabalhadores não lutarem vai recair outra vez sobre eles com o não aumento de salários”, afirmou.

Por exemplo, no breve contacto com as trabalhadoras da Finex souberam que as costureiras especializadas tiveram um aumento, que foi “o aumento do salário mínimo”. E o aumento nem sequer foi para todas “aquelas que estavam acima do salário mínimo nem sequer vão ser aumentadas”, contou. Mas não é caso único na Maia, garante a dirigente que sempre que o PCP contacta com a população recebe queixas nesse sentido.

Teresa Lopes considera que “nada” justifica manter esta situação. “Isto significa manter-se a mesma política, significa que não há dinâmica do mercado interno porque se as pessoas também não têm dinheiro também não têm dinheiro para gastar, ou seja, umas coisas arrastam as outras”, justificou.

Alberto Neto apontou ainda outras empresas maiatas que, nesta altura, estão com salários em atraso. É o caso “da Jomar, em Folgosa, que tem salários em atrasos de Dezembro e o 13º mês, a Metalobajouca que paga de vez em quando e os trabalhadores estão presos a uma entidade patronal e não podem ter vida própria, parece que estamos outra vez na Era Industrial”.

Isabel Fernandes Moreira