Carmen não pede dinheiro, apenas dador

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Não há pedidos monetários para ajudar a pequena Carmen Pinheiro, a menina de quatro anos de Santa Maria de Avioso, vítima de leucemia mieloblástica aguda. O alegado peditório a favor da menina foi desmascarado pela família numa notícia publicada a 11 de Dezembro pelo jornal “Correio da Manhã” e já disponível no blogue da Carmen na Internet. Uma situação também confirmada a PRIMEIRA MÃO pelo pai da menina.

A família foi alertada para a realização de um peditório – a cargo da associação SocialKids – a decorrer na Natalis – Feira de Natal de Lisboa, na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em cujo stand estava uma revista em que a Carmen foi capa, a propósito da necessidade de um dador. A denúncia foi feita por alguém que “achava aquilo muito estranho”, conta Paulo Pinheiro.

Ao tentar esclarecer a situação, o pai da menina ficou a saber que a referida SocialKids alegava ter um acordo com o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto para a realização de um peditório a favor das crianças em fase terminal. Esse alegado acordo também não existe, sublinha, citando os esclarecimentos do departamento de Relações Públicas do IPO, segundo o qual “não têm acordo rigorosamente nenhum com nenhuma associação para fazer peditórios”. Daí admitir Paulo Pinheiro que “o peditório não tem razão de ser e não era correcto estar lá a revista com a fotografia da Carmen”.

Ainda sobre este episódio, o pai da pequena Carmen considera que cabia à FIL confirmar a legalidade desta situação. Esta argumentou que a associação reunia os requisitos necessários para marcar presença na feira. Legítimo ou não, o certo é que este peditório “até não terá corrido mal”, contou à família a pessoa que alertou para a situação. Sem que isso se reflicta em algum benefício para o IPO ou, especificamente, para Carmen Pinheiro. Posteriormente, o responsável pela SocialKids enviou um e-mail à família da menina, argumentando que “havia um mal-entendido e que nunca fez nenhum peditório em nome da Carmen”.

É certo que o nome da menina de Santa Maria de Avioso tem sido muito vinculado, mas no sentido de a ajudar no que realmente precisa: a encontrar um dador compatível de medula óssea. E não a pedir qualquer apoio monetário. Nessa procura, o Instituto Superior da Maia (ISMAI) foi na semana passada palco de mais uma colheita de sangue, a que acederam 630 pessoas. Satisfeito com a adesão, Paulo Pinheiro confessa-se surpreendido por ter comparecido “tanta gente”, mesmo depois da campanha de divulgação na zona. “Ultrapassou as nossas melhores expectativas”, acrescenta o pai da menina, reiterando que “todas as ajudas são bem-vindas por não se saber quem será o dador”.

Para domingo está marcada mais uma colheita, desta vez, na Escola Básica Integrada de S. Martinho do Campo, em Santo Tirso, a decorrer entre as 9h00 e as 12h30.

Marta Costa