“Casa” de A Causa da Criança vai celebrar 10 anos

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A Causa da Criança, direcção
António Gomes, vogal; João Costa Lima, presidente; Lucinda Maria Monteiro, vive-presidente; José António Almeida, tesoureiro
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No próximo ano, a Casa de Acolhimento (CA) de Vila Nova da Telha fará 10 anos de funcionamento com casos de sucesso a registar e um balanço de 100 crianças acolhidas e devidamente reintegradas em famílias, nas de origem ou nas de adoção. O Centro de Acolhimento Temporário, hoje Casa de Acolhimento (CA), de Vila Nova da Telha abriu em novembro de 2007, tendo começado logo a receber crianças em risco social, embora a inauguração oficial só se tenha realizado em janeiro de 2008.

A capacidade da CA é de 22 crianças dos 0 aos 12 anos, embora haja casos pontuais de crianças que ficam até mais tarde por haver outros irmãos na instituição. As crianças podem chegar a qualquer momento para serem institucionalizadas. As situações de risco social não escolhem dia ou hora. A Casa tem de estar preparada 24 horas por dia para acolhimento e consequente acompanhamento dos novos membros da família, uma “família grande”, como explicou Costa Lima, presidente da direção de A Causa da Criança desde 2012.

As atividades no seio da instituição decorrem como se de uma casa familiar se tratasse: “as crianças são tratadas com carinho e a dignidade que merecem”, vão para os infantários e escolas, fazem as suas atividades rotineiras e as suas férias e passeios, como qualquer outra. “Há pessoas que até nos dizem que damos mais do que seria exigível, mas não penso assim, afinal em qualquer família queremos dar o melhor aos nossos filhos, porque é que estas crianças hão-de ter menos que o melhor?”.

Casa de Acolhimento gera casos de sucesso

A Causa da Criança colabora na elaboração do projeto de vida para cada um dos menores em articulação com a Segurança Social, as CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) e os tribunais. São estes os agentes que trabalham e definem o destino das crianças institucionalizadas, que saem da CA para a família biológica restrita (pais), família biológica mais alargada (familiares diretos), famílias adotivas ou lares.

De acordo com Costa Lima, “a maior parte das crianças saem da CA para a família de origem, designadamente, os pais de sangue, logo a seguir há um grande número de menores que são adotados, havendo ainda alguns casos que vão para lares”. Uma coisa é certa, “todas as crianças que saíram da CA, quase 100, estão com a situação de vida resolvida”, o que traduz o papel diferencial e de referência da intervenção da CA de Vila Nova da Telha nas suas vidas.

Costa Lima adianta que gostaria que A Causa da Criança pudesse fazer um acompanhamento a partir do momento em que as crianças saem, de forma prolongada, apoiando também as famílias, mas a instituição não tem meios para realizar essa monitorização. Aliás, as dificuldades já são muitas para levar por diante o trabalho diário na instituição com as crianças acolhidas.

Dificuldades financeiras

“As verbas que a Segurança Social disponibiliza para a nossa CA e outras não são suficientes para cobrir as despesas na totalidade. Posso referir que recebemos cerca de 250 mil euros por ano da Segurança Social, quando temos um orçamento de 300 mil euros e já tentamos cortar ao máximo nos custos”, apontou o presidente da direção.

A instituição tem que conseguir angariar entre 50 a 100 mil euros anuais por entre as quotas dos sócios, os apoios da câmara e juntas de freguesia, de empresas e outras iniciativas de associações, como por exemplo caminhadas solidárias ou espetáculos, como foi o caso da Gala de Solidariedade que foi organizada, no último dia 22, no Fórum da Maia, pela Escola de Música 7 Notas.

Sócios passam a pagar menos

Costa Lima sublinhou que dos 300 sócios, apenas 50 pagam as quotas, que tinham o valor de 50 euros anuais. Mas a partir deste ano, a direção resolveu baixar a quota anual para 24 euros. O objetivo é dar oportunidade a mais sócios de contribuírem para a instituição e, eventualmente, de se conseguir um maior número de associados.

Causa quer empresas parceiras

Outra ideia adiantada por Costa Lima para uma maior aproximação da CA de Vila Nova da Telha da comunidade e de angariação de fundos é a de promover o apadrinhamento das empresas aos utentes. “Se uma empresa resolver apadrinhar e proporcionar à instituição pelo menos 50% do valor da “estadia” de uma criança durante um ano, ou sejam cerca de 8 mil euros, seria muito útil para conseguirmos uma folga na tesouraria, passando essa empresa a ter o estatuto de  Sócio Benemérito, no caso de manter essa situação pelo menos durante cinco anos, com a devida divulgação e benefícios de responsabilidade social inerentes à medida. É que, por vezes, as pessoas pensam em contribuir para a sociedade construindo estruturas, mas esquecem-se destas crianças e de instituições como a nossa, que precisam de sobreviver, todos os dias, o ano inteiro…”

Por outro lado, Costa Lima pretende publicitar o 15º aniversário da associação A Causa da Criança, com o objetivo de chamar a atenção da comunidade para a necessidade de fazer donativos contribuindo para a sua missão.

A Causa da Criança

Causa precisa de viatura de dois lugares

Além dos custos inerentes à atividade atual, com a CA e as duas carrinhas de nove lugares ao serviço da instituição, Costa Lima adianta algumas necessidades para o futuro. Uma delas é concretizável a médio prazo, enquanto outra não passa de um bonito “sonho”, admite.
O presidente de A Causa da Criança aponta a carência de uma viatura de dois lugares para serviços mais administrativos ou diligências, onde seja apenas necessário levar uma criança, já que “é um desperdício levar uma carrinha de nove lugares quando é preciso ir tratar de algum assunto nos correios ou nas finanças, nos hospitais ou centros de saúde, por exemplo”.

Costa Lima sonha, por outro lado, que A Causa da Criança possa abrir uma valência dedicada a mães solteiras, mas com a vertente de internato e de valorização de competências das mães. “Seria importante haver um espaço que não tivesse apenas o objetivo de dar abrigo às mães solteiras, mas também de dar formação às jovens em diversas áreas, consoante o diagnóstico das necessidades efetuado, sendo que esse espaço não necessitaria de muitos funcionários, porque o que se pretendia é que fossem elas próprias a cuidarem dos filhos e da casa de acolhimento e até a darem formação a outras, nos casos em que isso fosse possível”.

Costa Lima não conhece nenhum modelo de instituição nestes moldes e, apesar de já ter abordado o assunto com a Segurança Social, admite que será algo muito difícil de concretizar, quer pelas carências financeiras, quer pelos entraves na definição de direitos das pessoas envolvidas nestes casos.

O que é A Causa da Criança?

A Causa da Criança é uma associação de apoio à infância e juventude, que foi constituída por Escritura Pública em 2001 por uma Comissão, formada por cerca de 60 cidadãos maiatos ligados a várias áreas da sociedade, apoiados pela Comissão de Proteção de Menores da Maia e pelo Tribunal de Família e Menores do Porto. A Comissão sentiu a necessidade de dar resposta aos casos já então detetados de crianças e jovens em risco, especialmente do concelho da Maia.
A associação abriu em 2007 a Casa de Acolhimento de Vila Nova da Telha, cuja capacidade é de 22 crianças dos 0 aos 12 anos.

“Família” da Casa de Acolhimento

A equipa técnica da instituição de A Causa da Criança é constituída por um Assistente Social, um Educador Social e um Psicólogo e mais 17 funcionários, desde auxiliares de educação, auxiliares de serviços gerais e de cozinha.

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